Trabalhadores
na vinha do Senhor

sexta: 02 de setembro de 2005

D.Odilo Pedro Scherer

Bispo Auxiliar de São Paulo - Secretário
Geral da CNBB

Nos dias 2 a 6 de setembro será realizado em Itaici, SP, o 2° Congresso Vocacional Nacional, promovido pela CNBB, através da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada. Estarão participando lideranças da animação vocacional de todo o Brasil.

O lema do 2° Congresso - “Ide também vós para a minha vinha!” (Mt 20,4) – recorda a parábola de Jesus, em que o “senhor da vinha” contrata trabalhadores em diversos horários do dia. O dono da vinha necessitava deles e os convidou pessoalmente. No fim do dia, pagou a todos com magnanimidade, não importando o horário da contratação, nem quanto tempo trabalharam.

Este lema recorda que a “vinha do Senhor” tem urgência de trabalhadores; há trabalho de sobra para todos e ninguém deve ficar de braços cruzados. Há lugar também para aqueles que conseguem fazer apenas um pouco. Basta acolher o convite e fazer a própria parte. A recompensa será maior do que os méritos; não haverá motivos para reclamações nem inveja, como acontece no caso da parábola. Aquele que envia para trabalhar é justo e magnânimo.

O Congresso Vocacional propõe a reflexão sobre as conseqüências do batismo, mediante o qual fomos acolhidos como discípulos e discípulas de Jesus Cristo e membros da Igreja. O batismo fez de nós um povo de vocacionados e o corpo missionário de Jesus Cristo no mundo. Cada vocação na Igreja é importante e destina-se a traduzir, de maneira pessoal e original, o chamado que toda a Igreja recebeu: De ser discípula de Jesus Cristo e estar com ele, seguindo-o no caminho da santidade e deixando-se enviar sempre de novo em missão.

*Cada cristão, com o dom que recebeu, é chamado ser imagem dessa Igreja discípula-missionária: O leigo e a leiga, sendo presença da luz, do sal e fermento evangélicos na família, nas estruturas da vida profissional e social, nas organizações humanas e na própria Igreja; a religiosa e o religioso, tornando-se como páginas vivas de algum aspecto específico do Evangelho; segundo o próprio carisma, recordam continuamente aos irmãos na fé e aos não-cristãos o absoluto de Deus e os valores supremos do seu reino, anunciado por Jesus Cristo; o ministro ordenado, estando à frente da comunidade dos batizados, como seu servidor, em nome de Cristo. Cada cristão, com o dom que recebeu, dá sua contribuição para a vinha do Senhor.* (GRIFAMOS)

A Igreja Católica tem especial necessidade de muitas e santas vocações sacerdotais; embora algumas dioceses do Brasil já contem com clero suficiente, esta não é a situação da maioria das dioceses. Nas grandes periferias urbanas há imensas paróquias, com apenas um sacerdote, que não consegue atender adequadamente o povo; a vasta Região Amazônica clama por urgente ajuda missionária; mas acima de tudo, os bispos daquelas Igrejas particulares pedem por sacerdotes, pois é muito difícil para os católicos conservarem a própria fé e a adesão à Igreja, sem a presença e atuação generosa de ministros ordenados, que reúnam os batizados na celebração da Eucaristia e lhes proporcionem o acesso aos demais sacramentos. O Senhor da vinha está a convidar, através da voz dos Bispos do Brasil e, especialmente, dos Bispos da Amazônia: “Ide também vós trabalhar na minha vinha”.

No entanto, ninguém se sentirá chamado, se não estiver sintonizado com a Voz que chama. Deus continua a convidar ao longo do dia – da vida pessoal e da história - através das moções interiores, que se manifestam na consciência pessoal, ou através da Igreja; esta passa “pelas ruas e praças” e empresta sua voz a Cristo; ela acolhe os vocacionados, forma-os e confirma suas vocações. A pastoral das vocações, por isso mesmo, precisa ser exercida como parte essencial da espiritualidade e da mística da Igreja. As vocações eclesiais e apostólicas poderão desabrochar e amadurecer somente no contexto de uma vida cristã e eclesial intensa. Sem o anúncio e a acolhida da Palavra de Deus, sem caridade e oração intensas, não há vocação autêntica.

O Projeto Nacional de Evangelização, “Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida”, está marcado pela preocupação com a urgência de uma ação missionária mais incisiva da nossa Igreja. A comunidade eclesial inteira precisa reavivar a própria fé e adesão a Jesus Cristo, para tornar-se mais consciente do dom recebido e apreciá-lo com gratidão; e também tornar-se consciente da preciosidade da “herança apostólica” participada através da pertença à Igreja. Todos precisamos redescobrir a alegria de ser discípulos e discípulas de Jesus Cristo. Só o discípulo se torna verdadeiro missionário.

O 2° Congresso Vocacional pode ser uma boa oportunidade para reavivar nas comunidades eclesiais a consciência de sermos todos nós um povo de vocacionados, um povo de discípulos e discípulas no seguimento de Jesus. Isto é condição para que também surjam mais vocações sacerdotais, religiosas e missionárias autênticas, tão necessárias à Igreja. E somente assim os católicos serão de novo ativamente missionários, recobrando o interesse em transmitir o patrimônio da fé eclesial aos outros batizados, que ainda não foram evangelizados, e a todas as pessoas, que também estão à espera de quem as ajude a ver Jesus de perto e a reconhecer nele o caminho, a verdade e a vida.

 

 

 

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