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Carta Ago/2003
"E Jesus ia crescendo
em sabedoria, tamanho e graça,
diante de Deus e dos homens". (Lc 2,52)
Queridos irmãos e irmãs:
Que
o mês de agosto já iniciado, seja para
todos vocês abundante em bênçãos
de Deus, marcado pela esperança enraizada na
Assunção ao céu de nossa querida
Mãe Maria e pela resposta consciente e responsável
ao "Batismo, fonte de todas as vocações!".
Formação
é assunto recorrente em todas as oportunidades
ao tratar-se dos leigos e leigas e de sua vocação
e missão específicas na Igreja e prioridade
unânime nos diferentes planos pastorais em todos
os níveis. Por isso mesmo, é um tema que
me ocupa constantemente e que, hoje, desejo partilhar
com vocês. Especialmente com vocês, leigos
e leigos comprometidos com seu batismo que os leva a
crescer em "sabedoria, tamanho e graça",
assim como aconteceu com Jesus,
Acentuam-se,
nesta nossa cultura pós-moderna, os fenômenos
da globalização e da comunicação,
das rápidas e radicais mudanças em todos
os segmentos da vida humana. Em todos eles necessita-se
de uma preparação cada vez mais sofisticada
e aprimorada para enfrentar os desafios derivados destes
fenômenos. E todos os setores da sociedade estão
em contínua ebulição no sentido
de encontrar respostas cada vez mais eficazes aos questionamentos
surgidos no seio da humanidade por conta de uma cultura
que, para dizer-se o menos, evolui de maneira, digamos,
traumática.
Diante
disto tudo, a pergunta que estamos lançando e
que, sem dúvida, nos intriga de há muitos
tempo, é quase elementar: estaremos nós,
cristãos, povo de Deus, leigos e leigas e, com
o devido respeito, também a hierarquia, preparados
e capacitados para enfrentarmos os desafios à
evangelização apresentados pela pós-modernidade?
Ou, dito de outro maneira: somos capazes de dar resposta
convincente às indagações do homem
e da mulher do terceiro milênio, às suas
angústias, problemas e esperanças? Ou
quem sabe, por querer facilitar as coisas e tornar a
resposta mais fácil e cômoda, optamos por
aplicar leis e normas, condenando a torto e a direito
tudo o que pensamos não conferir com nossos dogmas
e convicções tradicionais como se ainda
estivéssemos no tempo da cristandade? Tempo em
que todo mundo era obrigado a pensar e agir "catolicamente"?
Ou não temos ainda consciência da autonomia
das diferentes realidades políticas, econômicas,
sociais e mesmo, religiosas?
É
muito provável que nossas respostas tenham sido,
quase sempre, negativas. Ou, até, incoerentes
e frustrantes. De fato, a prática parece mostrar
que não estamos devidamente preparados para enfrentar
tais desafios e dar as respostas oportunas e satisfatórias
que de nós espera um mundo que, certamente, não
está mais de costas para Deus. E não está,
simplesmente porque não o desconhece. Nossa resposta
deve ser dada a um mundo distante do projeto do Reino
de Deus e de seus valores e critérios. A um mundo
que se adjetiva como sendo "secular".
Que
caminhos então palmilhar para alcançar-se
uma adequada formação tão incentivada
e tão exigida por muitos documentos da Igreja
tanto em nível universal como nacional? Por ser
breve nosso espaço, e até como exercício
para sua formação, deixo a busca das citações
de tais documentos a seu cargo, meu querido leitor.
Como
sempre faço em minhas cartas e por achar pedagógico
o itinerário visando facilitar a busca da formação
integral do católico, proponho cinco passos não
sucessivos, mas concomitantes:
1.
estar atento - olhos e ouvidos abertos - aos "sinais
dos tempos" - perguntando-se diante de acontecimentos
mundiais, nacionais, locais e familiares - sejam eles
quais forem - "o que Deus está querendo
dizer com isto?" E tudo analisar com a ótica
de Deus e o olhar de Jesus. Trata-se da "formação
na ação"; Para os cursilhistas quero
lembrar: se você pretende vivenciar a espiritualidade
do seu Movimento, não esqueça o famoso
tripé: Oração, Formação
e Ação;
2. Renunciar ao comodismo dedicando pelo menos dez minutos
diários à leitura e reflexão seja
de jornais, revistas, informativos, livros de conteúdos
sólidos e abertos à realidade. Deixe de
lado uma literatura açucarada incluída
a religiosa, infelizmente tão abundante hoje
até em livrarias de Editoras católicas
e que contribui muito mais para alimentar o folclore
religioso do que para a formação integral
do católico. Fico sempre muito impressionado
quando, em encontros, retiros e, até, cursilhos,
expõe-se à venda um material vazio, oco,
sem conteúdo formativo;
3. superar a tentação freqüente de
ficar longe de Documentos do magistério da Igreja
e, sobretudo, da Palavra de Deus na Bíblia. Compreende-se
que para muitos é quase impossível a aquisição
deste material. Porque, então, não se
organizar uma pequena biblioteca na paróquia
ou nos movimentos, facilitando dessa forma, o acesso
aos documentos e à sua explicação?
Sim, porque o católico está diante de
dois desafios: dispor dos documentos e "interpretá-los"
dada sua linguagem quase sempre hermética, quase
cifrada, entendida apenas por uns poucos privilegiados.
Ademais é quase tradição entre
nós lamentar em atitude conformista: " pois
é, brasileiro não lê mesmo...";
4. participar ativamente de encontros de formação,
palestras, conferências, cursos, escolas de formação,
etc.
5. E, finalmente, atenção: a formação
integral e permanente dos queridos leigos e leigas do
Povo de Deus, mais do que de recursos humanos, depende
da escuta amorosa da Palavra de Deus em clima de oração
e de aceitação do projeto do seu Reino
e, sobretudo, de disponibilidade para torná-lo
realidade na História da pós-modernidade.
Para
fechar estas considerações com um recadinho
do Espírito Santo, através de São
Paulo, ai vai uma longa citação para que
você passe este mês refletindo sobre ela,
avaliando o processo de sua formação pessoal:
"Assim, ele capacitou os santos para a obra do
ministério, para a edificação do
Corpo de Cristo, até chegarmos, todos juntos,
à unidade na fé e no conhecimento do Filho
de Deus, ao estado de adultos, à estatura do
Cristo em plenitude. Então não seremos
mais como crianças, entregues ao sabor das ondas
e levados por todo vento de doutrina, ludibriados pelos
outros e por eles, com astúcia, induzidos ao
erro. Ao contrário, vivendo segundo a verdade,
no amor, cresceremos sob todos os aspectos em relação
a Cristo, que é a cabeça" (Ef 4,12-15).
Um
abraço fraterno do irmão, amigo e companheiro
de luta pelo Reino de Deus,
Pe.José
G.Beraldo
Assessor Nacional MCC
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