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CARTA
AGO / 05 - MCC BRASIL
"Tendo
acabado de falar a Moisés na montanha do Sinai,
Deus lhe entregou as duas tábuas da aliança.
Eram tábuas de pedra, escritas com o dedo de
Deus" (Ex 31,18)
Queridos
irmãos e queridas irmãs:
Estejam
sempre com vocês a graça e a paz de Jesus
Cristo Nosso Senhor!
Em
que pesem as significativas celebrações
da Igreja, sobretudo na liturgia deste mês de
agosto, já tenho proposto as respectivas reflexões
em carta anteriores correspondentes a este mês.
Hoje quero compartilhar com os meus queridos leitores
e leitoras uma parábola que ouvi numa de minhas
inúmeras viagens e que muito tem ajudado na minha
caminhada. Trata-se da parábola do lápis.
Aqui vai ela expressada em cinco pontos, do modo como,
acredito, Jesus a contaria hoje, conforme sua pedagogia
de ensinar aspectos fundamentais do Reino de Deus, através
das coisas simples e de trato diário ou seja,
por parábolas.
v
A vida de um seguidor de Cristo é como um lápis
que já contém em si todas as possibilidades
de cumprir plenamente sua tarefa. Um lápis não
escreve por si mesmo. Se ele não tiver a mão
de alguém para conduzi-lo na escrita, continuará
sendo, como tantos outros, um objeto inútil.
v
Ao cometer um erro na sua tarefa, sempre haverá
possibilidade de correção, uma vez que
a carga do lápis se compõe de um material
que lhe dá condições de fazê-lo.
Então, apagado o erro, poderá recomeçar
suas funções.
v
Ao escrever, conduzido pela mão de alguém,
o lápis deixará suas marcas sobre qualquer
superfície. É essencial esta característica
do lápis, pois, de outra forma, de nada haveria
de servir. Quem poderia enxergar alguma letra, algum
traço, alguma escrita se não ficassem
as marcas do lápis sobre a superfície,
seja ela papel, madeira ou qualquer outra capaz de receber
marcas?
v A essa altura de nossa parábola, é conveniente
lembrar que qualquer lápis vai perdendo a ponta
à medida que escreve. Isso também é
muito natural devido á natureza do material que
o compõe. Por essa razão, quando isso
acontece, o lápis deverá ser apontado
e não haverá como reclamar. Pois, de outro
modo, mais uma vez, não servirá para mais
nada! Deixar-se fazer a ponta, perder um pouco do seu
material externo poderá custar alguma dor e alguma
renúncia. Mas há de valer a pena, pois
o lápis poderá readquirir sua capacidade
de escrever. Isto é, de continuar sendo simplesmente
lápis.
v Finalmente, aqui está o essencial, o mais importante
da parábola do lápis. Que é o material
que ele tem dentro e com o qual ele cumpre a sua tarefa.
O corpo externo do lápis poderá ter as
mais variadas formas. Não fosse, entretanto,
o seu conteúdo, não fosse a grafite incrustada
no corpo do lápis, seriam inúteis todas
as sua funções, inútil tudo o que
é contado na parábola do lápis.
Ainda é necessário explicar a parábola
do lápis? Pois lá vai a explicação
para que você, meu leitor, minha leitora, possa
aplicar na sua vida.
1.
Deixe-se guiar pela mão de "alguém"
que não é outro senão Aquele que
escreve suas palavras no coração e na
vida dos seus discípulos: "Todo o mundo
sabe que sois uma carta de Cristo, redigida por nosso
intermédio, escrita não com tinta, mas
com o Espírito de Deus vivo, gravada não
em tabuas de pedra, mas em tábuas que são
corações humanos" (2Cor 3,3).
2.
Você tem sempre a possibilidade de apagar seus
erros e pode, então, continuar a escrever com
sua própria vida - como tantos o fizeram com
o próprio sangue - a historia da salvação
e as maravilhas que o Senhor opera em favor do seu povo:
"Aquele que está sentado no trono disse:
Eis que faço novas todas as coisas". Depois,
ele me disse: 'Escreve, pois estas palavras são
dignas de fé e verdadeiras'" (Ap 21,5).
3. Você deixará marcas em qualquer superfície
que você escrever. São as marcas do testemunho
de vida, da retidão, da honestidade, da humildade,
da solidariedade, da fraternidade, do perdão
e do amor. Se não as percebe de imediato, se
não forem visíveis no momento, essas marcas,
todavia, são indeléveis e permanecerão
por todas as gerações. Se você não
deixar pegadas à sua passagem pela vida, de que
terá servido sua vida cristã? "...se
o sal perde seu sabor...não servirá para
mais nada, senão para ser jogado fora e pisado
pelas pessoas" (Mt 5,13). Logo, se o lápis
não escrever....
4.
Deixe-se "apontar". Isto é, como se
faz com o lápis que de tanto escrever perde a
ponta, você deve estar disposto a que Deus mesmo
lhe restitua a capacidade de escrever. É o caminho
da conversão perseverante, profunda e total.
Quando você perceber que já está
"escrevendo" menos, ou que aquilo que você
escreve já está ilegível (o cansaço,
a rotina, a negligencia, a preguiça, etc. tudo
isso é causa de você "perder a ponta"),
suplique ao Pai que volte a fazer-lhe a ponta. Quem
sabe pela provação, por algum sofrimento
físico ou moral, por alguma contrariedade..não
importa: deixe Deus agir! Colabore com Ele, tratando
de fazer você mesmo a ponta desgastada!
5. Por ultimo, como num lápis, não se
esqueça que o mais importante que você
tem está dentro de você mesmo! Primeiro
a graça, a vida divina alimentada pela fé,
pela oração, pela Palavra de Deus, pelos
sacramentos. "Acaso não sabeis que sois
templo de Deus e que o Espírito Santo habita
em vós?" (1Cor 3,16). Depois, a sua própria
energia interior, sua potencialidade de ser humano,
de dedicação, de espiritualidade. A propósito,
por oportuno, acrescento aqui uma resposta do Dalai-Lama
a quem lhe perguntara o que seria a espiritualidade:
"Espiritualidade é tudo aquilo que muda,
que transforma você por dentro".
Termino:
aplique a parábola a você mesmo e seja
como um lápis. Simples, não é?
Forte
abraço fraterno do irmão e companheiro
de aprendizagem da escrita de Deus,
Pe. José Gilberto BERALDO
Assessor Eclesiástico do
Movimento de Cursilhos do Brasil e do
Comitê Executivo do Organismo Mundial do MCC
E-mail: beraldomilenio@uol.com.br
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