Carta MCC Brasil - Jun/04

"Veio um homem, enviado por Deus; seu nome era João.
Ele veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz,
para que todos pudessem crer, por meio dele.
Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz" (Jo, 1,6-7)


Queridos irmãos e irmãs, internautas ou não:

Estejam com todos vocês os sete dons do Espírito Santo que, na festa de Pentecostes, acaba de reavivá-los em cada um de nós!

De norte a sul do Brasil festas secularmente tradicionais neste mês de junho, afloram na sensível religiosidade do nosso povo, lembrando e comemorando a figura impressionante de S.João Batista. Uma das razões para esta forte lembrança é, sem dúvida, o fato de a figura de João Batista ser fundamental no contexto da própria missão de Jesus desde quando este ainda Jesus estava no seio de Maria.

Quando da visita de Maria à sua prima Isabel, grávida de João, este já falava pela boca de sua mãe. Mais tarde, inspirado pelo Espírito de Deus, foi aquele que, com o mesmo dedo com que apontava Jesus aos seus contemporâneos: "Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tiras o pecado do mundo" (Jo 1,29), o dirigia em riste, condenando o comportamento pecaminoso tanto de Herodes como de todos os que, de alguma maneira, exploravam o povo. Era, de fato, o Profeta que, destemido e ousado, não apenas anunciava a vinda e a presença de Jesus, como denunciava o erro e o pecado.

Aproveitemos, então, o clima destas festas e motivados por seus significados, para refletir sobre alguns pontos que interessam à nossa vida de fé:

1. A vocação e missão - do seguidor de Jesus nos dias de hoje, portanto, as de cada um de nós, cristãos, são as mesmas de João Batista. Pelo batismo e pela crisma somos enviados por Deus e fortalecidos pelo seu Santo Espírito para mostrar Jesus à humanidade e para indicar, concretamente, tudo aquilo que é do Reino de Deus e denunciar aquilo que o contraria;

2. "Queremos ver Jesus" - no tempo de João Batista e de Jesus mostrado por ele aos seus contemporâneos, o povo estava ansioso pela vinda de um Messias, isto é, de um líder enviado por Deus que o libertasse da escravidão a que estavam submetidos.Hoje acontece a mesma coisa: o povo, cansado de tantas promessas e submetido a tantos laços de escravidão material e moral, está ansiosamente clamando: "Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida" Por paradoxal que possa parecer, o mundo contemporâneo distancia-se de Jesus e da sua mensagem, mas anseia por Ele, tem fome do sagrado, de um Deus, não importa quer Deus seja este. Se nós, que cremos no Caminho, na Verdade e na Vida - que é Jesus - não o mostrarmos com toda a clareza, pessoas irão buscar e aceitar outros pequenos deuses que - pensam - vão preencher as suas vidas, respondendo às angustias do seu coração e às dolorosas perguntas que a vida lhes faz.

5. O que podemos e devemos fazer? Como João Batista somos chamados a mostrar Jesus aos homens e mulheres de hoje. Como a de João Batista, a nossa é a missão de dar testemunho de Jesus, a de sermos profetas. Fazem falta os profetas na cultura de hoje, na sociedade de hoje, na Igreja de hoje. Mas, antes de apontar o dedo para mostrar Jesus aos que nos cercam, apontemos este mesmo dedo para o nosso próprio peito, anunciemos Jesus a nós mesmos, denunciando os nossos descaminhos, as nossas mentiras e os sinais de morte que carregamos no segredo de nossa intimidade.
Se estamos seguindo o CAMINHO, mostremo-lo aos demais, não desviando nossos passos por outros estranhos atalhos que o mundo oferece; se estamos encarnando em nós mesmos a VERDADE, sejamos verazes e transparentes em nossos relacionamentos e honestos em nossa conduta, não compactuando com a mentira; se estamos vivenciando a VIDA, tratemos de dar sinais dela, lutando pela dignidade das pessoas, repudiando a injustiça, a exploração e o abuso da liberdade nossa e dos demais. Enfim, espelhemo-nos em João Batista, Precursor, Anunciador e Profeta!

Meu abraço amigo e fraterno no amor de Jesus,

Pe. José Gilberto BERALDO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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