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Carta de Setembro, 2004

“Jesus, então, disse aos judeus que acreditaram nele: ‘Se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres” (Jo 8, 31-32).

Pe. José Gilberto Beraldo

Irmãos e irmãs internautas ou não:

Nesta minha carta mensal desejo oferecer-lhes uma breve reflexão sobre um assunto fundamental: a Palavra de Deus. Estou certo de que vocês já estão habituados a ler sobre a Bíblia. De fato, desde há mais de cinqüenta anos, quando a nossa Igreja ‘acordou’ para a importância da leitura, do estudo e da difusão da Bíblia, extenso material tem sido produzido com o objetivo de ajudar a compreender e assimilar a Palavra de Deus nela contida. Entretanto, estando nós em setembro, mês de Bíblia, ousarei dar a minha contribuição, no sentido de incentivar uma reflexão que nos conduza a um amor maior pela Palavra de Deus e sua prática. Com essa intenção, deixo-lhes três pistas...

Primeira pista: “freqüentar” a Palavra de Deus. Isso significa não só ter a Bíblia em casa e lê-la de vez em quando. Ou, então, abri-la ao acaso como quem joga no bicho ou na loteria “pra ver o que Deus está falando pra mim, hoje!”. Seja mais objetivo e mais prático como exigem os tempos modernos. Reserve alguns momentos do seu dia para fazer uma leitura tranqüila e meditada. Tenho alguns amigos que, pela manhã, ao sair de casa para o trabalho, já meditaram ou o trecho evangélico do dia ou algum outro texto da Bíblia. Você não tem tempo? Pois faça como eles: levante-se dez minutos mais cedo!

Ao ler, deixe que a palavra penetre um pouco mais profundamente no seu espírito. Deixe-se empapar por ela como a água daquela chuvinha teimosa que, de mansinho, vai penetrando no solo. Trata-se de um processo perseverante de assimilação que leva à conscientização e à prática daquilo que foi lido. Deixe-se envolver pelo “clima” da Palavra; deixe desenvolver-se em você uma espécie de subconsciente que continuamente se manifesta e leva à interpretação dos recados de Deus, dos sinais dos tempos, dos acontecimentos: “Lâmpada para meus passos é a tua palavra e luz no meu caminho” (Sl 119,105). De repente você há de dar-se conta que, em face de qualquer decisão que você necessite tomar, vão surgindo no seu subconsciente os critérios de Jesus no Evangelho!

Segunda pista: “escutar” e “praticar” a Palavra de Deus. É um momento importante do processo. Há muito ruído, hoje, ao seu redor. Muito barulho e muita agitação chegam de todos os lados. Entram pela TV, pelo rádio e por outros meios de comunicação. O silêncio da manhã sempre poderá ser mais oportuno para fazer calar bem fundo a meditação. Isolando os excessivos ruídos externos, a Palavra ressoará no seu interior e, até, no seu subconsciente. É palavra de Jesus: “Quem é de Deus escuta a Palavra de Deus” (Jo 8,47). Se não se é capaz de “escutar” a Palavra, como se conseguirá pô-la em prática?

Sobre essa imperiosa necessidade, vamos buscar duas advertências fundamentais de Jesus aos seus discípulos. A primeira está em Lucas: “Minha mãe e meus irmãos são estes aqui que ouvem, a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 8, 21). A segunda está em João: ”Se alguém ouve as minhas palavras e não as observa, não sou eu que o julgo...” (Jo 12,47). Essas deveriam ser as atitudes de um seguidor de Jesus que, como um profeta, anseia por anunciar a sua palavra de salvação, sobretudo através do testemunho de vida.Ou seja, sendo coerente com a sua fé.

Terceira pista: “semear” a Palavra de Deus”. Para o discípulo que, freqüentando e escutando a Palavra de Deus, quer ser um novo profeta do terceiro milênio, esse é um compromisso derivado, aliás, do próprio batismo! Nenhum profeta anunciou os recados de Deus ao seu povo sem primeiro ter prestado atenção ao que Ele lhe falara ao ouvido e ao coração: “Suscitarei para eles, do meio dos irmãos, um profeta semelhante a ti. Porei as minhas palavras em sua boca e eles lhes comunicará tudo o que eu lhe ordenar” (Dt 18, 19).

Semear a Palavra é ser missionário, anunciando clara e corajosamente, Jesus e seu Evangelho com a boca e através do testemunho de vida. Semear a Palavra é contribuir – com a justiça, o amor, o perdão – para a construção de uma sociedade justa e solidária. Semear a Palavra é criar uma atmosfera de justiça, amor, fraternidade, solidariedade e perdão em todos os lugares onde se está: dentro de casa, no seio da família, no ambiente de trabalho, na convivência comunitária e social.

Que Deus, cuja “Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14), a todos abençoe fazendo habitar sua Palavra na vida e no coração de cada um de vocês!

Pe. José Gilberto BERALDO>
Assessor Eclesiástico Nacional>
Movimento de Cursilhos de Cristandade>
E-mail: beraldomilenio@uol.com.br>

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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