Carta MCC Brasil Dez/06

“Nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado...
Seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte,
Pai para sempre, Príncipe da Paz”  (Is 9,5).

Amados irmãos e irmãs, meus perseverantes leitores:

Que a paz e a graça do Príncipe da Paz, Jesus, inundem seus corações e fortaleçam seu testemunho!

É dezembro. É tempo de Advento; tempo de Natal; tempo de espera; tempo de esperança; tempo de Paz. Olhando para dentro de nós mesmos, olhando ao nosso redor e para o mundo em que vivemos, nos damos conta que, passados mais de dois mil anos da visita do Príncipe da Paz, a humanidade ainda não entendeu a sua mensagem ou se fez de surda para ela. Aliás, sequer entendeu a sua presença e o seu testemunho: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou. Não se perturbe nem se atemorize o vosso coração” (Jo 14, 27). E, apesar disso, nunca se falou tanto em paz como nos dias de hoje.  

Pois então, proponho algumas considerações sobre a paz que poderão ajudar-nos na preparação e celebração do Natal.

1. No que consiste a paz? A paz autêntica não consiste apenas na ausência da guerra entre os homens ou na ausência dos conflitos, ou das instabilidades ou terremotos pessoais e sociais. A paz, do ponto de vista cristão, pode ser entendida sob dois aspectos. O primeiro nasce da convicção de que toda a criatura de Deus é boa, é “pacífica”, isto é, não contém o mal. Ele mesmo o reconheceu quando terminou a obra da criação: “E Deus viu que tudo era bom” (Gn 1, 3.10.12.18.26).  O segundo refere-se ao fato de que verdadeira paz não pode ser realizada aqui na terra mas, sim, definitivamente, diante da face de Deus vivo. Ela só se realiza, digamos, por antecipação, embora Deus, no Antigo Testamento, faça aliança de paz com seu povo: assim, a paz é justiça, é um dom e uma bênção de Deus oferecida aos justos. Mas com o pecado o homem impede que reine a paz de Deus, pois com seu orgulho, sua vaidade, seu ódio, acaba não reconhecendo que todas as coisas criadas são boas, isto é, são “pacíficas”.  Então Deus faz uma promessa de salvação (de paz) que se vai realizar plenamente no futuro mas que, agora, consiste num presente maravilhoso que Ele nos envia, presente que é o dom pessoal de seu próprio Filho, Jesus.

 Por isso, Jesus é o Príncipe da paz que realiza a grande promessa de Deus à humanidade. Poderíamos trazer aqui inúmeras citações do Evangelho, a começar pelas Bem-aventuranças, onde Jesus anuncia a busca da paz pelos que o seguem: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). O apóstolo São Paulo não se cansa de repetir que a paz é a salvação realizada pela reconciliação com Deus e que nos traz a justificação pela fé. Assim, Jesus é a nossa paz. E quando nos, cristãos, nos saudamos com um gesto de paz estamos mostrando que, como Igreja, somos uma comunidade de paz, embora tenhamos que enfrentar tantas dificuldades e tantos desafios. É cheio de significado e de conseqüências o gesto que fazemos na hora de celebração da Eucaristia, imediatamente antes da comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo, quando o sacerdote nos convida a que nos saudemos uns aos outros com um abraço de paz. Então, como conseqüência desse gesto, temos que testemunhar, como comunidade cristã, o autor e Príncipe da Paz. E, testemunhar é, em primeiro lugar, levar à prática o ensinamento dEle.

2. Mas, meu caro irmão, minha irmã, como podemos “promover a paz” para sermos felizes? Como podemos ser portadores da paz, que é o próprio Jesus que nos visita no Natal? Não é verdade que a experiência nos ensina como é difícil essa missão? É difícil, mas não impossível, senão Ele não nos teria dado a opção de “promover a paz”. Permitam-me sugerir algumas atitudes para este Advento e para este Natal:

a) se você sonha com a paz no mundo, comece a promovê-la no seu interior, no seu coração. Em meio a tanta agitação em que vivemos, tantas são as pressões que sofremos de todos os lados, que acabamos correndo o risco de ver rompido o tecido de nossa unidade interior, perdendo o rumo de nossa própria vida. Esforçando-se por encontrar-se consigo mesmo, a oração perseverante será um precioso caminho para que você encontre a paz interior, a paz do seu coração;

b) busque a paz com Deus, isto é, fuja de tudo o que pode ofender a Ele, procurando viver a sua própria vida divina, pela presença da Graça em nós. Como o filho pródigo, voltando para a casa do Pai, sobretudo através do sacramento da Reconciliação, você ouvirá da boca do Príncipe da paz, as mesmas palavras que Ele disse à mulher pecadora arrependida: “Teus pecados estão perdoados. Tua fé te salvou. Vai em paz!”  (Lc 7, 48.50).  E a Eucaristia vai trazer-lhe a plenitude da paz, pois é Ele mesmo que vem a você como alimento;
    
c) esforce-se para promover a paz com seu próximo, a começar pela sua família. Ai, então, entram o perdão mútuo e sem medida (cf Mt 18,21 ss.), a solidariedade e a partilha generosa. Além disso, a virtude que mais pode favorecer a promoção da paz é, sem dúvida, a justiça evangélica (cf Mt 6,33);

d) reze todos os dias pela paz no mundo e na Igreja. Ao participar da celebração da missa, preste atenção àquela última oração antes da comunhão e reze-a com fervor: “Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos apóstolos: eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja; dai-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade”.   

Meu irmão, minha irmã: são estes alguns gestos concretos que poderão fazer do seu Natal, um Natal mais digno do Príncipe de Paz e mais feliz para você. De fato, não são os presentes, os esbanjamentos, o consumismo irracional ou os “papais noéis” da superstição e da crendice que vão trazer-lhe a alegria e a paz.

Termino desejando-lhes, de verdade, um santo, feliz e alegre Natal que lhes traga a verdadeira Paz pela qual tanto esperamos.
Um forte e carinhoso abraço do irmão,

 

Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional MCC


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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