Carta MCC Brasil – Jul/06

“Acaso não sabeis que, no estádio, todos correm, mas um só ganha o prêmio?
Correi de tal maneira que conquisteis o prêmio. Todo atleta se impõe todo tipo de disciplina.
Eles assim procedem, para conseguir uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos um coroa incorruptível. Por isso, eu corro, não como às tontas. Eu luto, não com quem golpeia o ar.
Trato duramente o meu corpo e o subjugo, para não acontecer que, depois de ter proclamado a mensagem aos outros,  eu mesmo seja reprovado” (1Cor 9,24-27).

 

Queridos irmãos e queridas irmãs, leitores perseverantes destas cartas mensais:

A graça, a paz e o amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo estejam com todos vocês!

É natural que nestes dois meses – junho e julho – os olhos de todo o mundo estejam voltados para a Copa Mundial de Futebol, na Alemanha. Aí estão os meios de comunicação, especialmente a Televisão, além dos interesses políticos e nacionalistas, para que este acontecimento esportivo, o maior, sem dúvida, de todos os tempos, atraia as atenções de todos os povos da terra. Há exatos quatro anos, a equipe brasileira sagrava-se campeã. Naquela oportunidade, minha carta mensal fazia uma indagação que deveria ser a de todo o cristão em todas as oportunidades: como ler tais acontecimentos com os olhos da fé? Que mensagem e que lições para a nossa vida eles são capazes de passar para nós?  Como nem todos tiveram a oportunidade de ler aquelas reflexões permitam-me repeti-las, agora, com ligeiras alterações.  Saboreando a vitória ou amargando a derrota, a palavra de Paulo ao Coríntios ilumina o nosso caminho. Vamos, então, ao cenário do jogo e. em seguida, às lições para a nossa vida.

O estádio é o mundo com suas realidades (o gramado), seus obstáculos (as propostas quase sempre contrárias ao Plano de Deus) e as traves (os limites da ação de cada um e que devemos superar): “O campo é o mundo” (Mt 13,38).
 O manual das regras é o Evangelho, a Palavra de Deus. Tenha-o nas mãos enquanto lê esta carta e releia por inteiro o texto de referência, pois ali, “todas as regras são claras”. Então, você conseguirá evitar as faltas, tanto as graves (os pênaltis) como as não tão graves (empurrões, impedimentos, etc.). Importante é não ser expulso do campo pela violência e desrespeito para com os companheiros. Lembre-se que o dono do time, o Senhor Jesus, não expulsa ninguém. Aqui é o próprio jogador que se auto-expulsa! As regras deste jogo são tão claras que não deixam margem a dúvidas. Estão contidas todas elas nas Bem-aventuranças (veja em Mt 5, 1-12) e na oração que repetimos todos os dias, o Pai Nosso (procure em Mateus 6, 7-14). Assim, não há necessidade de tira-teima!
O time selecionado para entrar em campo somos todos nós, os cristãos que desejamos seguir o conselho de Jesus: "Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça..." (Mt 6, 33). Lembremos-nos, ainda que "com efeito, muitos são chamados, mas poucos escolhidos" (Mt 22,14). Há os que se dizem cristãos e que, também, são chamados, mas não ouvem a voz d’Aquele que chama. São os acomodados, os instalados, os que têm medo do gramado ou do adversário ou, então, porque estão ocupados em ouvir outros ruídos, outras vozes – as de uma torcida “alucinada”, por exemplo, e não atendem à voz do “treinador”, São Paulo. Ou, pior, já estão jogando no time contrário: o dos aproveitadores, dos corruptos, dos que só querem levar vantagem em tudo, dos injustos, dos exploradores de seus irmãos, dos invejosos, dos auto-suficientes, etc.
O treinador é São Paulo Apóstolo que, com a frase acima, gravada na parede do vestiário, orienta, encoraja, estimula e empurra os jogadores para a vitória. Ele mesmo está sempre por perto, de pé, ali no banco. Basta olhar para ele, exemplo de conversão às "regras" e testemunha do dono da equipe e, pronto, o jogador se reanima e, de novo, lança-se em direção à meta, ao tão sonhado gol!
O árbitro é Jesus Cristo. Árbitro e Senhor do time. Já aqui no campo, durante o jogo, podemos antevê-lo "sentado no trono de sua glória", separando os bons dos maus jogadores: "Estive com fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber...estive nu e não me vestistes, doente e preso e não me visitastes...(Cf Mt 25, 31-46). E atenção: este juiz nunca erra; não comete arbitrariedades e nem assinala gols que não aconteceram. Às vezes pode marcar penalidades máximas! Quem está exposto ao erro são os bandeirinhas (pastores, bispos, padres...). Mas os jogadores poderão sempre opinar e ajudar!
O tempo de jogo já está determinado. Durará enquanto durar a vida de cada jogador em campo. "Atenção, e vigiai, pois não sabeis quando será o momento..." (confira em Marcos 13,33). Não haverá prorrogação: "Eis agora o tempo favorável por excelência, eis o dia da salvação" (2Cor 6,2) e nem gol de ouro ou morte súbita: "Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo...”(Mc 1,15).
O adversário - procure descobri-lo, conhecê-lo melhor. Ele é sorrateiro, manhoso, entra de mansinho, esconde o jogo, dribla como só ele, cria jogadas insinuantes e, se você não estiver atento, faz gols, muitos gols! Veja na Primeira Carta de Pedro quem é ele, onde ele se esconde ou se está andando ao seu redor (1Pd 5,8). Nos Evangelhos, Jesus também faz muitas referências a ele. Fique atento, pois ele pode roubar-lhe a bola e dar-lhe alguns dribles que poderão ser fatais!
A taça - releia o texto de Paulo lá em cima. Veja também em Mateus 25, 34 o que espera o atleta fiel, valoroso, campeão. Então, já no pódio celeste, rodeado por seus irmãos e companheiros, ele erguerá a taça da glória como recompensa de suas lutas, de seus esforços, de sua fidelidade, de sua obediência à Palavra e ao Treinador!

Proponho-lhe, então, meu irmão, minha irmã, seis breves lições, o segredo para você ganhar a Copa Mundial pelo Reino de Deus.

Primeira lição - alimente-se bem. Um jogo como o da vida de um seguidor de Cristo, jogando, às vezes, num gramado difícil e mal conservado (infestado de ervas daninhas!) como é o mundo de hoje, exige uma alimentação sadia, pura, sem ingredientes “químicos” (o pecado, a vaidade, o egoísmo, etc.) nocivos à saúde do jogador e obstáculo ao seu bem desempenho. Pois bem, para nós este alimento chama-se Eucaristia, o Corpo e Sangue de Jesus. A Oração perseverante, a assimilação da Palavra de Deus são outros tantos recursos que ajudam o jogador a manter em dia sua saúde e sua força, tanto antes como durante o jogo.

Segunda lição - seja disciplinado. Exercícios diários, treinamento ininterrupto, renúncia a tudo o que não é do Reino, obediência absoluta às “instruções” do treinador, respeito aos companheiros de peleja e solidariedade para com eles, tudo isso contribuirá para levar o time à vitória. Veja em Mateus, 16, 24; em Marcos 8,34 e também em Lucas 9,23.

Terceira lição - seja perseverante, determinado, insistente. Lembre-se: "quem perseverar até o fim esse será salvo" (Mt 10,22). Nem pense em abandonar o gramado. Mesmo que você  se ferir (com o pecado, o desânimo, ataques traiçoeiros), peça a maca, isto é, peça ajuda aos companheiros; chame o médico, isto é, o sacerdote para, com a reconciliação, poder voltar ao jogo mais animado, mais encorajado, mais fortalecido! Não desanime! Veja, ainda, em Marcos 13, 13, na segunda Carta a Timóteo 2,12 e em outros textos iguais do Novo Testamento.

Quarta lição - participe de todas as jogadas no seu campo específico. Os pastores na comissão técnica; os leigos e leigas, cada um na sua posição. Ninguém querendo ocupar o lugar do outro. Sobretudo respeitando-se mutuamente e todos respeitando as regras do jogo. O gol deve sair com a colaboração de todos e ninguém deverá reivindicar unicamente para si mesmo as glórias da conquista ou aos aplausos da galera!

Quinta lição - cultive e valorize o espírito de equipe, de comunidade. Estou convencido que as seleções que chegam à vitória final, é porque desenvolvem fortemente esse espírito: "Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles..." (leia em Mateus 18,20). Cabe a nós, jogadores, concretizar esse espírito de equipe em todos os momentos. Ouvi dizer que, na Copa passada, um dos ganhadores, na sua declaração depois da vitória, assim se expressou: "sempre procuramos manifestar solidariedade irrestrita uns aos outros. Ao entrar no campo a gente dizia ao companheiro: "não tenha medo: se você errar, todos nós estaremos atrás de você". Eu  sempre me emociono muito quando tenho a oportunidade de ver até o banco dos reservas incentivando os colegas que estão no campo, mesmo sabendo que poucos dos que ali estão sentados vão entrar no jogo.

Sexta lição – finalmente, depois de tudo, não se esqueça de agradecer (leia em Lucas 17,11-19). É bem verdade que Deus não torce por nenhum time. Não é nem alemão, nem coreano, nem argentino e - ainda que digamos o contrário - nem brasileiro! Mas a todos dá a saúde, a força e os meios necessários para lutar. Na Copa passada, no final daquele memorável jogo da vitória, a equipe brasileira, antes tão desacreditada, ainda assim agradeceu ao povo brasileiro, ao seu povo, pelo incentivo que a levou à vitória. E - maravilhoso e inesquecível momento - na hora da premiação, ajoelhados todos, de mãos dadas no meio do estádio, à vista de mais de um bilhão de espectadores do mundo inteiro e independente de sua confissão religiosa, agradeceu a Deus pelas forças e alento recebidos, rezando o Pai Nosso!

Meu irmão, minha irmã, se fui longo, perdoe-me! É que o jogo só vai terminar no tempo marcado por Ele e não pela equipe. Para esta fica a advertência e o recado do técnico Paulo Apóstolo: "não aconteça que, depois de ter proclamado a mensagem aos outros, você mesmo seja reprovado”!

Até agosto, se Deus quiser! A você, meu caro irmão, minha irmã, um bom jogo e o abraço carinhoso e fraterno do amigo e irmão no Senhor Jesus,
                                                                                                             
                       

Pe.José Gilberto Beraldo
Assessor Nacional MCC
beraldomilenio@uol.com.br

 

 


 

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