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Carta MCC Brasil – Maio/2007
“Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos discípulos:
‘Quem é que as pessoas dizem ser o Filho do Homem?’
Eles responderam: ‘Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias;
outros ainda, Jeremias ou algum dos profetas’.
‘E vós, retomou Jesus, ‘quem dizeis que sou?’
Simão Pedro respondeu:
‘Tu és o Messias, o Cristo, o Filho do Deus vivo’”(Mt 16, 13-15).
Meus amados irmãos e irmãs, amáveis leitores e leitoras:
Desejo que a celebração da Páscoa, cujas alegrias ainda perduram, tenha renovado em todos vocês a esperança de uma vida nova em Cristo, o mesmo Cristo Jesus, que nos foi prometido desde séculos por Deus, o Cristo encarnado, morto e ressuscitado, vivo entre nós, o Cristo da nossa fé!
É, ainda, a pessoa de Jesus Ressuscitado, o foco de nossas reflexões neste mês. Primeiro por estarmos, ainda, no clima da Páscoa e, depois, porque precisamente em tempos tão importantes de nossa vida cristã como, a Páscoa por exemplo, aparecem os mais variados comentários sobre a pessoa de Jesus. Enquanto alguns aprofundam o seu significado para a história da humanidade e para a fé de milhões de homens e mulheres durante séculos, outros se apressam em “desconstruir Jesus Cristo”, como foi a chamada para uma matéria jornalística de um dos grandes jornais de São Paulo, logo na Semana Santa.
Diríamos ser mera coincidência que, nesta ocasião apareçam tantas publicações – livros, artigos, etc. - algumas fantasiosas, sobre a pessoa e a figura de Jesus? Diríamos ser mera coincidência a apresentação de programas de TV sobre personagens bíblicas do tempo de Jesus e a manipulação da interpretação cristã dos Evangelhos que, como é fácil de constar, visam unicamente a interesses de lucro e de exploração da boa fé de tantas pessoas?
É bem verdade que, numa cultura como a nossa onde se apregoa e impera a plena liberdade de pensamento e de expressão, cada pessoa pode fazê-lo sem medo de censuras ou de castração, como em tempos idos. Esse é um dos pontos mais positivos destes tempos de globalização. Entretanto, nem todos somos obrigados a aceitar tudo passivamente, nem mesmo a concordar com o que é dito como ‘respaldado’ pela ciência. Nós, cristãos, estamos sempre mais convencidos da urgência de desenvolver uma consciência crítica enraizada nos critérios e valores anunciados e testemunhados por Jesus e transmitidos pelos Evangelhos interpretados pela sadia Tradição apostólica e pelos ensinamentos do Magistério da Igreja Católica.
Com efeito, muitos livros sobre Jesus Cristo que estão nas paradas de sucesso editorial, alguns vendendo milhões de exemplares, são puro reducionismo da verdadeira pessoa e missão de Jesus. Não passam de uma “desconstrução” – disse-o bem a tal manchete jornalística – para apresentar Jesus ao gosto de quem escreve ou do assunto “da moda”: como um psicólogo, líder empresarial ou, até, treinador de esportes. Ainda que em tais publicações se apresente Jesus numa ótica “moderna” – atitude comum nas chamadas obras de auto-ajuda - a abordagem do Mestre revela uma quase “exploração” de seus poderes e virtudes.
Sou de opinião que nós, os evangelizadores e missionários de Jesus nesta nossa cultura contemporânea, temos a oportunidade e, até, o dever de utilizar não só dos meios, mas dos conceitos e idéias que possam otimizar a nossa missão. Aliás, são as “expressões” e os “métodos” que devem renovar-se no processo de uma “nova Evangelização” conforme ensina o Papa João Paulo II. Podemos, sim, lançar mãos das virtudes humanas de Jesus, tirando delas lições para o nosso cotidiano, sem relativizar ou reduzir unicamente a elas a missão do Messias, o Cristo, enviado pelo Pai? Mas – atenção – jamais deixemos de tudo iluminar com a luz da fé. Nunca cedamos à tentação de tratar Jesus somente na ótica do maior ‘líder’, ‘empresário’, ‘psicólogo’ ou ‘ treinador de esportes’ que já existiu!
O que fazer diante dessas tentativas – mesmo as que têm o bom propósito de ajudar as pessoas a resolver seus problemas - de desfigurar ou de reduzir nosso Senhor e Redentor Jesus? Qual deveria ser nosso comportamento? Melhor, como deveria ser o nosso testemunho? Simples: com desassombro e valentia, devemos, como Pedro, responder com nossa vida: “Tu és o Messias, o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16, 13-15), renovando o “Creio” do nosso batismo; reafirmando a nossa profissão de fé pela total aceitação e identificação com o Jesus Cristo das promessas de Deus na Antiga Aliança, plenamente cumpridas na Nova Aliança pelo Messias, o Cristo, o Filho de Deus, nascido, morto e ressuscitado, para sempre vivo entre nós!
Meu irmão, minha irmã: nada melhor do que a palavra do próprio Cristo para terminar essas nossas considerações. Leia-as com atenção: “Se então alguém vos disser: ‘O Cristo está aqui’ ou ‘Ele está ali’, não acrediteis. De fato, surgirão falsos cristos e falsos profetas, que farão sinais e prodígios capazes de enganar, se possível, até os eleitos. Cuidado, pois! Eu vos preveni de tudo” (Mc 13, 21-23)
Um beijo afetuoso no coração de todas as mães pelo seu dia neste mês, e para todos o abraço carinhoso do irmão e servo em Cristo,
Pe.José Gilberto BERALDO
Assessor Eclesiástico Nacional
Em tempo: muitos leitores e amigos têm solicitado minha opinião sobre o assunto religioso do momento que é o “Evangelho de Judas”. Não sendo especializado em estudos bíblicos, prefiro não emitir opiniões sobre o assunto, continuar acompanhando as notícias de biblistas e exegetas a respeito e, sobretudo, aguardar o pronunciamento oficial do Magistério da Igreja, caso ele aconteça. Por oportuno, aconselho a leitura de um artigo “Catálogo dos Livros da Bíblia” do Côn.Vidigal, reproduzido em nosso site www.cursilho.org.br .
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