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Cartas do Gen
Carta
Mensal OMCC
n° 031 - Maio / 2005
"Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque
não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu
Pai que está no céu. Por isso eu te digo: tu
és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja,
e as forças da morte não poderão vencê-la"
(Mt 16, 17-18).
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico do OMCC
Caríssimos irmãos e irmãs cursilhistas
de todo o mundo:
O Comitê
Executivo do OMCC deseja a todos a continuidade das alegrias
da Ressurreição do Senhor e a alegre expectativa
de uma nova efusão do seu Espírito Santo, nesta
festa de Pentecostes que estamos para celebrar!
Chega-lhes
com atraso esta carta mensal de maio de 2005 pela simples
razão de termos querido fazer-lhes um relato das ultimas
atividades deste Comitê Executivo do OMCC e também
para tentar relacionar com o nosso querido MCC dois recentes
e importantes acontecimentos eclesiais: a morte do nosso inesquecível
João Paulo II e a eleição do Papa Bento
XVI.
1. VII
Encontro Nacional de Responsáveis do MCC da Espanha,
realizado de 31 de março a 3 de abril de 2005. Cerca
de 210 responsáveis estiveram representando todas as
dioceses onde está presente o MCC na Espanha. Entre
eles, mais de 70 sacerdotes e três bispos. Temas fundamentais
para o MCC foram desenvolvidos e refletidos cuidadosamente:
a) "A chamada pessoal ao MCC"; b) "A comunhão
como forma de vida no MCC"; c) "MCC: presença
comprometida no mundo" e d)"A metodologia evangelizadora
do MCC". Nosso Assessor Eclesiástico do OMCC,
Pe. José G. Beraldo, desenvolveu o segundo tema: "A
comunhão como forma de vida no MCC".
2. V Ultreya
Nacional do MCC da Itália. Especialmente convidados
pelo presidente do Secretariado Nacional do MCC de lá,
nosso querido irmão Nando Rosato, estiveram em Roma,
nos dias 23 e 24 de abril, o Coordenador do Comitê Executivo
do Organismo mundial, Francisco Alberto Coutinho e o Assessor
Eclesiástico, Pe. José Gilberto Beraldo.
Em Roma,
na Basílica de São Paulo Fora dos Muros encontraram-se,
vindos de todos os quadrantes do país, cerca de 4.000
cursilhistas vibrantes e entusiasmados como costumam ser nossos
irmãos italianos, agitando alegremente seus lenços
DECOLORES. Pela manhã, uma substanciosa mensagem e
alguns testemunhos pessoais. Foi neste momento que Francisco
e Pe. Beraldo dirigiram-se à atenta assembléia,
apresentando-lhes a saudação e o estímulo
do Comitê Executivo do OMCC. À tarde, a celebração
da Eucaristia foi presidida pelo Cardeal Camillo Ruini, Vigário
de Roma, que encerrou essa colorida festa do MCC da Itália.
Cabem
aqui, com toda justiça, nossos agradecimentos fraternos
ao Secretariado Nacional do MCC da Itália que, além
do honroso convite, arcou com todas as nossas despesas, antes,
durante e depois da Ultréia. Mal sabíamos, então,
que o Senhor nos reservava uma tão santa surpresa e
alegria...
3. Início
do ministério petrino do novo Papa, Bento XVI: surpresa
e alegria por podermos participar pessoalmente, do início
do "ministério petrino" do Papa recém-eleito
Bento XVI. Gratidão, mais uma vez, ao caríssimo
Nando que providenciou os bilhetes para que Francisco pudesse
ocupar lugar no setor reservado aos Movimentos eclesiais e
para que Pe. Beraldo pudesse, juntamente com centenas de sacerdotes,
bispos e cardeais, concelebrar com o sucessor de São
Pedro, o primeiro papa da Igreja, pedra destinada a confirmar
os irmãos na fé.
Como era
inevitável, todo mundo se perguntou, ao tomar conhecimento
da eleição do novo Papa, o que será da
Igreja daqui para frente? Que antecedentes tem esse Papa para
desempenhar tão alto ministério? Qual o seu
"poder" na Cúria romana? De que "corrente
teológica" ele participa? Daí a fazer comparações,
é um passo. Daí a querer que este seja igual
ao outro, também. Não sem razão o próprio
Bento XVI insistiu que é sucessor de São Pedro,
o primeiro papa instituído pelo próprio Cristo,
e não somente "sucessor" de João Paulo
II. Claro que não por desprestígio deste mas,
muito mais, para acentuar a sucessão direta dos apóstolos.
Por isso,
entre tantas interpretações e "profecias",
é imperativo para nós, católicos, vermos
tudo com os olhos da fé. Então ficaremos tranqüilos
e cheios de esperança, confiados na palavra do próprio
Bento XVI, na sua primeira saudação ao mundo
após a eleição: "A Igreja é
sempre jovem"! Jovem no seu ardor por Cristo, jovem na
sua missão evangelizadora do terceiro milênio,
e, fundamentalmente, sempre jovem na fé!
Síntese
desses acontecimentos: uma única esperança!
Por que uma única esperança? Porque toda esperança
cristã nasce e vive das promessas de Jesus: "Tu
es Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e
as forças do Inferno não poderão vencê-la"
(Mt 16,18); "Eis que eu estou convosco todos os dias,
até o fim dos tempos" (Mt 28,20). Que mais queremos
para alimentar a esperança de que a Igreja-Povo de
Deus (nós mesmos, batizados) e um movimento eclesial
(nós, MCC) poderão desenvolver a fraternidade,
a unidade, a partilha, o amor e a esperança num mundo
dividido pelas exclusões, pelo ódio e pela violência?
Por isso, olhando para o novo Pedro redivivo em nosso meio,
Bento XVI, e para o MCC, às vésperas de mais
um Encontro Mundial, torna-se urgente renovarmos esta única
esperança, olhando o mundo com um olhar "apocalíptico",
que, mais uma vez, é o olhar da esperança: "Vi
então um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro
céu e a primeira terra passaram, e o mar já
não existe. Vi também a cidade santa, a nova
Jerusalém (não seria, talvez, uma nova Igreja
a partir de Bento XVI?) descendo do céu, de junto de
Deus, vestida como noiva enfeitada para o seu esposo"
(Ap 21, 1-2).
FRANCISCO ALBERTO COUTINHO
Presidente PE. JOSÉ GILBERTO BERALDO
Assessor Eclesiástico
ANTONIO CARLOS SALOMÃO
Vice-Presidente
Carta do Mês de Abril/ 2005
"Só tu, noite feliz, soubeste a hora em que o
Cristo da morte ressurgia; e é por isso que de ti foi
escrito: A noite será luz para o meu dia!" (Canto
da proclamação da Páscoa - Vigília)
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico do OMCC
Queridos irmãos e queridas irmãs, internautas
ou não:
"Este
é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos
e nele exultemos". Aleluia! (Sl 118).
Tendo
seu início no Domingo da Páscoa que acabamos
de celebrar, o Tempo Pascal irá até a festa
de Pentecostes que, neste ano, acontecerá no domingo,
15 de maio. Estamos, portanto, num tempo riquíssimo
de gozo, de alegria e de esperanças. Não deixemos
que ele passe como se nada houvera acontecido; não
nos permitamos cair na rotina tanto nas celebrações
da liturgia, como na celebração diária
da vida. Nunca nos esqueçamos de que, a cada dia, estamos
ressuscitando de novo com Jesus.
Você
está lembrado da noite bendita de luz e de alegria
que foi a noite da Vigília Pascal? Para mim é
sempre uma grande emoção participar dessa noite
na qual, solenemente, se introduz na comunidade o círio
pascal, a brilhante luz de Cristo. É nessa noite que,
como toda a assembléia presente, eu reassumo os compromissos
batismais que, um dia - agora já tão distante!
- meus padrinhos e meus pais assumiram por mim. É nessa
noite que, respondendo às perguntas do celebrante relativas
à rejeição do pecado e aos princípios
da minha fé, eu repito, com voz forte - consciente
da minha dignidade de filho de Deus e de minha responsabilidade
- "Renuncio" e "Creio", renovando, assim
as promessas do meu batismo.
Mas...
E agora? pergunto; depois de muitos ou de poucos anos - não
importa - tendo sido batizado e tendo recebido outros sacramentos
- no meu caso, até a ordenação sacerdotal;
conhecendo bem as realidades do mundo e vivendo implicado
e "complicado" com elas; vivendo e convivendo com
minha família, com meus parentes, amigos e colegas
de trabalho e com a comunidade do Povo de Deus, como o estamos
vivendo? Bem, agora torna-se necessário não
fazer somente mais um gesto ritual de uma louvável
lembrança de tão significativos acontecimentos
na minha vida de relação com Deus. Sei que Ele
está me pedindo mais. Está me pedindo um seguimento,
um compromisso que acabo de renovar na Vigília da Páscoa.
Lembro-me, então, da palavra dEle: "Quem põe
a mão no arado e olha para trás, não
está apto para o Reino de Deus" (Lc 9, 63).
Essas
promessas batismais não podem ser encaradas como uma
camisa de força, um frio leque de obrigações
e, muito menos, uma extensa lista de ameaças aos pecadores,
a pior das quais é o fogo eterno! Elas são,
isto sim, outras oportunidades que Deus nos dá para
declararmos tanto a renúncia como os propósitos
que fazemos, e também para reforçar a nossa
fé:
1. Renunciamos
ao pecado (des-amor):
o para "viver na liberdade dos filhos de Deus":
não como escravos do pecado (ódio, violência,
orgulho, inimizade, etc.) mas livres como Deus nos quer: "É
para a liberdade que Cristo nos libertou..." (Gl 5,1);
o para "viver como irmãos": não como
inimigos uns dos outros, ou como estranhos, ou como "donos"
ou patrões do próximo: "...pois um só
é o vosso Mestre e todos vós sois irmãos..."
(Mt 23,8);
o para "seguir Jesus Cristo": pela "porta estreita"
que nem sempre quer dizer dor ou sofrimento, mas sim renúncia,
generosidade, solidariedade, abraçando a cruz de cada
dia na alegria do serviço e da entrega aos desígnios
de Deus: "Se alguém quer vir após mim,
renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me" (Mt 16,
24).
o ao demônio, autor e princípio do pecado: "ninguém
pode servir a dois senhores" (Lc 16,13). "Demônio"
é o "outro senhor", isto é, tudo aquilo
que nos separa de Deus...
2. Cremos
no Senhor que nos criou e redimiu (amor) - "Eu creio!
Ajuda-me na minha falta de fé" (Mc 9,24)
o cremos em Deus, Pai todo-poderoso: rodeados que somos e,
até, envolvidos por toda sorte de falsos "deuses"
- mercado, consumo, poder, ter, ideologias, etc.
o cremos em Jesus Cristo que nasceu da Virgem Maria, padeceu,
foi sepultado e ressuscitou dos mortos. Cremos, portanto,
não num Jesus que a "inventamos" conforme
os nossos caprichos, nossas necessidades ou conveniências,
ou num Jesus - como disse alguém - pelo qual eu quero
ser servido e não ao qual eu sirvo.
o cremos no Espírito Santo, na santa Igreja católica,
na comunhão dos santos, no perdão dos pecados,
na ressurreição dos mortos e na vida eterna:
ai está a síntese da nossa fé católica
e apostólica.
Caro irmão,
querida irmã: seja este tempo pascal um tempo no qual
nos identifiquemos com Jesus Ressuscitado. Quer uma dica?
Todas as manhãs, ao se levantar, renove as promessas
do seu batismo. E, durante o dia, procure cumpri-las como
alguém de palavra que honra a promessa feita ao Pai,
no Filho, pelo seu Espírito de amor! Com certeza, Cristo
ressuscitado resplandecerá em você, no seu rosto,
nas suas atitudes e nas suas relações. Ele estará
em você e com você para que você possa ser
na família, no trabalho, no mundo, na cultura contemporânea
aquela lâmpada acesa para iluminar a todos: "Ninguém
acende uma lâmpada para escondê-la debaixo de
uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ela é
posta no candelabro, a fim de que os que entram vejam a claridade"
(Lc 8, 16). Desejo-lhes um santo tempo pascal, de ressurreição,
de vida e de esperança "num novo céu e
numa nova terra" (cf Ap 21,1) preparando-se, desde agora,
para receber o Espírito Santo, em Pentecostes.
Meu abraço
fraterno, com as bênçãos e o carinho do
Pai!
Pe.José
Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional MCC
E-mail:
beraldomilenio@uol.com.br
Carta do Mês de Julho/ 2005
"Felizes os misericordiosos porque alcançarão
misericórdia" (Mt 5,7)
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional e do OMCC
Queridos irmãos e irmãs:
Ao refletir
sobre o assunto desta carta mensal, veio-me à mente
e ao coração a inspiração de tratar
do tema "misericórdia". Com efeito, trata-se
de um passo absolutamente importante, para não se dizer
essencial, na caminhada do cristão rumo à pátria
definitiva. É a quinta das bem-aventuranças
propostas por Jesus. E as bem-aventuranças assim como
Pai Nosso, são os fundamentos da vida cristã.
Desde
o início do meu ministério sacerdotal cultivei,
com especial cuidado, a reflexão sobre o tema da misericórdia.
E quanto mais vivo o meu ministério, mais motivado
e convencido me encontro não só para falar da
misericórdia do Pai manifestada por Jesus, mas, sobretudo,
para torná-la efetiva no meu íntimo, nas minhas
atitudes e na minha missão de serviço: ser pai
antes que juiz. E, torná-la efetiva significa, especialmente,
levá-la à prática, nas ações
concretas na vida diária. Entre outros inúmeros
pontos, deixo dois para nossa reflexão.
1. Alimentar
uma consciência sempre mais viva da misericórdia
do Pai: nem sempre nos damos conta de quão imensa é
a misericórdia de Deus para conosco. Certa tradição
católica acabou por dar mais importância ao pecado
do que ao perdão, à misericórdia, à
graça divina e à acolhida pelos braços
do Pai. Pergunto, por exemplo: não é verdade
que, em muitas oportunidades, ao comentar-se a parábola
do filho pródigo, se gasta mais tempo em descrever
a humilhante situação de pecado em que se afundou:
"foi pedir trabalho a um homem... que o mandou... cuidar
dos porcos" (cf Lc 15,15) e da sordidez de suas atitudes,
quem sabe até impensadas, do que no encantamento dos
braços abertos do Pai misericordioso: "Vou voltar
para meu Pai..."(Lc 15,18) ? Disse alguém que,
enquanto o pecado escorre por entre os dedos das mãos
de Deus, sua misericórdia e seu perdão permanecem
para sempre apesar dos descaminhos e das ingratidões
de seus filhos e filhas. Sem sombra de dúvida, mais
importante do que os passos dados em direção
ao pecado e à morte, é a alegria da volta ao
coração do Pai, pois temos a certeza do seu
acolhimento e da sua misericórdia. Nestes anos todos
de experiência de confessionário, dou-me conta
de que muitos católicos vivem mais preocupados com
os terrores do fogo do inferno do que ocupados em experimentar
a ternura do abraço do Pai e da futura contemplação
de sua Face! Porque não assumimos, de uma vez por todas,
que o sacramento de perdão é mais de reconciliação
do que de penitência? E seu comportamento, meu irmão,
minha irmã, como tem sido diante de tudo isso? Você
se acha mais vingativo do que misericordioso? Você anda
mais impressionado ou desesperado com o "Afastai-vos
de mim, malditos!" do que esperançado com o "Vinde,
benditos de meu Pai! (cf Mt, 25)?
2."Sede
misericordiosos como vosso Pai é misericordioso"
(Lc 6,36): talvez tantas leis, normas e mandamentos acabaram
por endurecer o coração da própria Igreja.
Fruto, quem sabe, da dureza e da insensibilidade do coração
de muitos cristãos católicos. O legalismo, ou
seja, a obsessão pela lei, cria obstáculos intransponíveis
para a misericórdia. Não sou contra as leis
e normas. Mas sou absolutamente contrário a que se
esqueça o espírito da lei. Que no caso do evangelho
e da mente de Jesus, é o do perdão e da misericórdia.
Uma cultura como a nossa que privilegia o individualismo e
a subjetividade que, ao mesmo tempo que tem seus aspectos
positivos, corre o risco de tornar-se, ela mesma, uma cultura
do ódio e da exclusão. As pessoas não
usam de misericórdia na relação de umas
com as outras; os povos não se perdoam e as nações
se destroem umas às outras. Sobre o perdão e
a misericórdia, prevalecem o ódio, a vingança
e a violência. Somos sempre inclinados a condenar sem
compaixão. Mas estamos sempre esperando que os outros
não nos condenem!. Parece que anda meio ou quase de
todo esquecida a afirmação categórica
de Jesus: "Não são as pessoas com saúde
que precisam de médico, mas os doentes. Ide, pois,
aprender o que significa: 'Eu quero a misericórdia
e não sacrifícios'. De fato, não é
a justos que vim chamar, mas a pecadores" (Mt 9, 10-13).
Pois bem, meu irmão, minha irmã: não
perca nenhuma oportunidade de vivenciar a misericórdia.
Você tem certeza de que Deus o acolhe com ternura e
compaixão porque você é seu filho e sua
filha. Portanto, não deixe de acolher, perdoar e usar
de misericórdia porque o outro é seu irmão,
imagem e semelhança do Pai rico em misericórdia!
"Felizes os misericordiosos porque alcançarão
misericórdia" (Mt 5,7). Desejo-lhes um feliz mês
de julho - descanso para muitos, trabalho para a maioria -
e que a todos Deus abençoe e proteja! Do irmão
e servidor no amor de Jesus
Pe. José
Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional
e Mundial do Movimento
de Cursilhos de Cristandade
E-mail: beraldomilenio@uol.com.br
Carta
do Mês de Junho/ 2005
"Jesus respondeu: não cabe a vós saber
os tempos ou momentos que o Pai determinou com a sua autoridade.
Mas recebereis o poder do Espírito Santo que virá
sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém,
por toda a Judéia e Samaria, e até os confins
da terra" (At 1,7-8).
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional e do OMCC
Queridos irmãos e irmãs:
Chegamos
no mês de junho que para nós, brasileiros, logo
sugere as comemorações das assim chamadas "festas
populares", ou seja, as festas de Santo Antônio,
de São João Batista e de São Pedro e
São Paulo. Por acreditar ser muito oportuno, proponho
aos meus caros leitores que façamos uma reflexão
sobre a importância do "testemunho" em nossa
vida de seguidores dos caminhos de Jesus. Mas, o que teriam
a ver essas festas populares com o testemunho?
Muito
simples e bem compreensível a resposta: todos esses
santos, uns de uma forma, outros de outra, testemunharam Jesus
com a palavra e / ou com seu próprio sangue. Mas -
você estará se perguntando - o que é "ser
testemunha" de Jesus e porque é preciso "receber
a força do Espírito Santo" para dar testemunho?
Mostro alguns pontos importantes:
1. Testemunho:
é uma palavra que vem da língua grega onde,
originalmente, tem o significado de "martírio"
(martirión), isto é, de doação
da própria vida com sofrimento e derramamento de sangue.
Conservando a mesma densidade desse sentido original do termo,
"ser testemunho" nos dias de hoje, é anunciar
publicamente Jesus Cristo, o seu evangelho e Reino de Deus.
"Publicamente", quer dizer diante de todos, de sua
família, de sua comunidade, do ambiente em que você
vive e junto às pessoas que você freqüenta.
Ora, para anunciar os valores do Evangelho - hoje como ontem
- sentimos a necessidade absoluta da força do Espírito
Santo, da ação da graça de Deus. Sem
essa força torna-se impossível anunciar, por
exemplo, o perdão numa sociedade que não perdoa
nada nem ninguém; anunciar a fraternidade numa sociedade
profundamente individualista onde se afirma até visualmente
nos adesivos dos carros que "Deus criou a vida. Para
que cada um cuide da sua" ou então, "Cada
um por si e Deus por todos"; anunciar a solidariedade
numa sociedade marcada por profundos e cada vez mais excludentes
distanciamentos sócio-econômicos-culturais; anunciar
o amor numa sociedade que alimenta o ódio e a vingança
e por eles é alimentada; anunciar a partilha numa sociedade
concentradora e radicalmente consumista e egoísta.
Por conta destes desafios e dessas barreiras quase insuperáveis
é que nós, os que queremos ser discípulos
de Jesus, temos que, de certa forma, derramar o nosso sangue
para remar contra a corrente. É nestes momentos e oportunidades
que a gente percebe que, para ser "testemunhas até
os confins da terra" como nos envia Jesus, é necessária
aquela força do Espírito Santo ("...pois
sem mim nada podeis fazer" (Jo 15,5), com uma dose infinita
de coragem, de determinação e força de
vontade ("Jesus, porém, respondeu-lhe: 'Quem põe
a mão no arado e olha para trás, não
está apto para o Reino de Deus'" (Lc 9,62).
2. Formas
de ser testemunha e de dar testemunho
a) pela
nossa palavra: Santo Antonio deu testemunho de Jesus pela
palavra, anunciando o Reino de Deus aos seus contemporâneos
e - quem diria - até aos peixes! Quando falamos de
Jesus e do Evangelho aos que nos rodeiam; quando dizemos abertamente
que somos seguidores de Jesus e queremos "viver como
Ele viveu, amar como Ele amou.."; quando afirmamos diante
de todos que não concordamos com injustiças,
com ódios, com discriminação de pessoas;
quando fazemos catequese, etc. estamos dando testemunho de
Jesus pela palavra;
b) pelo
nosso modo de viver: São João Batista, São
Pedro e São Paulo, além da palavra, deram testemunho
de Jesus derramando seu sangue pelo martírio. É
por isso que a cor usada na liturgia no dia desses Apóstolos,
é a vermelha. Ambos esses testemunhos são "testemunhos
de vida". Nós não necessitamos derramar
o sangue para dar testemunho de Jesus. Quando, silenciosamente,
procedemos de maneira correta, de acordo com a nossa consciência,
com os valores das bem-aventuranças anunciadas por
Jesus, assim como quando vivemos em nossa vida o Pai Nosso,
estamos dando "testemunho de vida". O Papa Paulo
VI, instruindo o povo de Deus sobre o que é a evangelização,
diz que nosso modo de viver, como cristãos, "manifestando
nossa capacidade de compreensão e de acolhimento, a
comunhão de vida e de destino com os demais, a solidariedade
nos esforços de todos para tudo aquilo que é
nobre e bom deveria,"por força deste testemunho
sem palavras...fazer aflorar no coração daqueles
que os vêem viver, perguntas indeclináveis: Por
que é que eles são assim? Por que é que
eles vivem daquela maneira? O que é - ou quem é
- que os inspira? Por que eles estão conosco?"
É esse, portanto, o verdadeiro testemunho de vida para
o qual todos somos enviados por Jesus. Diz ainda o mesmo Papa:
"O mundo de hoje acredita mais nas testemunhas do que
nos mestres, e se acredita nos mestres é porque eles
são testemunhas".
Portanto,
meu irmão e minha irmã, procure fazer de sua
vida um testemunho, seguindo o mandamento de Jesus aos seus
apóstolos no início da Igreja.
Concluo
lembrando-lhe que, ao festejar os santos do mês de junho,
as "festas populares", você não esqueça:
por trás delas e no seu conteúdo, está
o testemunho da palavra e do sangue. Diante daquela fogueira
que arde, crepitando em suas chamas, você pode pedir
a força do "martirión", isto é
do testemunho de vida. Nas tradicionais cantigas populares,
procure encontrar a verdadeira "palavra" que anuncia
o Reino de Deus e os valores de Jesus!
Boas festas,
divirtam-se comemorando-as com alegria cristã. Um forte
e carinhoso abraço.
Pe. José
Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional
e Mundial do Movimento
de Cursilhos de Cristandade
E-mail: beraldomilenio@uol.com.
Carta
do Mês de Maio/ 2005
"Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas não
sois capazes de compreender agora. Quando ele vier, o Espírito
da Verdade, vos conduzirá na verdade plena. Ele não
falará por si mesmo, mas dirá tudo quanto tiver
ouvido e vos anunciará o que há de vir"
(Jo 16, 12-13).
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico do OMCC
Queridos irmãos e queridas irmãs:
Permaneçam
com todos vocês a luz e a vida a nós comunicadas
pela gloriosa Ressurreição de Jesus Cristo!
Ao terminar
a carta do mês passado eu desejava a todos "um
santo tempo pascal, de ressurreição, de vida
e de esperança "num novo céu e numa nova
terra" (cf Ap 21,1) preparando-nos, desde agora, para
receber o Espírito Santo, em Pentecostes". Pois
neste mês de maio, precisamente no domingo, dia 15,
vamos celebrar a grande festa da descida do Espírito
Santo sobre os apóstolos e que é a atualização
daquele dia que marcou o "início da Igreja",
como ensina João Paulo II. Com esta celebração
poderemos, de novo, reacender a chama do amor de Deus em nós
mesmos e naqueles que nos cercam na medida que para ela nos
tivermos preparado.
E, para
nós, católicos, não faltaram no mês
de abril oportunidades preciosas de percebermos e vivenciarmos
uma nova ação do Espírito Santo. Do mesmo
Espírito de Deus que, atuando continuamente na história,
renova a Igreja, conservando-a "sempre jovem", na
feliz expressão do nosso novo Pastor, o Papa Bento
XVI logo na inauguração do seu "ministério
petrino" (do sucessor de São Pedro, o primeiro
Papa) . "Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora
aos nossos pais...nestes últimos dias falou-nos por
meio do Filho..." (Hb 1,1-2). Palavra do Filho que é
a mesma do seu Espírito: "Ele não falará
por si mesmo, mas dirá tudo quanto tiver ouvido e vos
anunciará o que há de vir..." De que maneira
e em que acontecimentos o Espírito Santo falou-nos
através dos últimos acontecimentos? Falou-nos
o Senhor:
1. nos
derradeiros sofrimentos e na morte do nosso inesquecível
João Paulo II. Durante toda a sua vida de sacerdote,
de bispo e de Papa, nós ouvimos seus ensinamentos e
suas orientações pastorais. Entretanto, foi
nos seus últimos momentos de vida que vimos o nosso
Papa crucificado por amor ao seu rebanho. Quem não
ficou profundamente impressionado ao vê-lo, em sua última
aparição na janela de sua residência,
como que desejando abraçar e abençoar o mundo
todo, num gesto como se fora o do próprio Cristo crucificado?
E, ainda assim, com tanta serenidade e paz estampadas no seu
rosto dolorido pelo sofrimento? "O bom pastor dá
a vida por suas ovelhas..." (Jo 10, 11). Através
do seu sofrimento e da sua agonia escancarados diante do mundo,
com certeza Deus quis falar-nos da nossa própria responsabilidade
e da parte que nos cabe na purificação do mundo,
da disponibilidade de entrega total de nossas vidas aos irmãos,
da nossa doação sem reservas a serviço
da humanidade ainda que isto nos custe sofrimentos e provações;
2. pela
eleição e início do ministério
do nosso novo Pastor, o Papa Bento XVI. Deixando de lado as
previsões, as suposições, as "profecias"
(nos dia do Conclave que elegeu Bento XVI tive a impressão
de que o Espírito Santo havia-se mudado para a redação
dos jornais e estacionado nas emissoras de TV!), temos que
nos perguntar o que Deus está falando à sua
Igreja, ao seu povo, a cada um de nós, católicos.
No seu primeiro pronunciamento, na praça de São
Pedro, Bento XVI afirmou que não apresentaria nenhum
programa de governo, pois o seu programa seria o de fazer
a vontade de Deus. E disse mais, acentuando bem as palavras,
que a "Igreja é sempre jovem". Sem dúvida,
Deus está a dizer-nos que devemos nos renovar a cada
dia, atualizar continuamente a graça divina que habita
em nós, enchermo-nos de entusiasmo, de alegria e de
esperança para sermos suas testemunhas diante de um
mundo que muda com tanta velocidade. Sermos testemunhas, assim
como o foram nos inícios, os apóstolos.
Concluo,
caríssimos, propondo-lhes três pontos para sua
reflexão:
1. nestas
celebrações de Pentecostes - antes, durante
e sempre - estar atentos à voz do Espírito Santo
que nos fala pela Palavra, pelos acontecimentos, pelos "sinais
dos tempos"; "Tenho ainda muitas coisas a vos dizer...";
2. em todos os momentos da vida, sobretudo nos mais difíceis
e que exigem um maior discernimento, abrir o coração
e a mente para a vinda do Espírito Santo: "Vinde
Espírito Santo, enchei os corações dos
vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor";
3. encharcados pelos dons do Espírito Santo, começando
pelas "pequenas verdades" diárias, correr
em busca da "Verdade plena" que é Jesus,
"Caminho, Verdade e Vida" (Jo 14,6), pois é
o mesmo Espírito que no-lo revela.
Que Nossa
Senhora, cujo mês estamos lembrando, presente com os
apóstolos no Cenáculo quando da efusão
do Espírito Santo, e tendo ela mesma recebido sobre
sua cabeça aquelas línguas de fogo descido do
céu, ajude-nos a assumir nossas responsabilidades de
seguidores de Jesus.
A todos
os meus queridos leitores e leitoras, desejo que o fogo do
Espírito penetre em seus corações e em
suas vidas, tornando-os sempre mais apaixonados por Jesus
e por sua Palavra.
Abraça-os
afetuosamente o irmão, companheiro e servidor,
Pe.José
Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional MCC
E-mail:
beraldomilenio@uol.com.br
Carta
Mensal OMCC n° 029 - Março / 2005
"Jesus então disse aos judeus que acreditaram
nele: ´Se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente
meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade
vos tornará livres.´"(Jo 8, 31-32). "Quando
ele vier, o Espírito da Verdade, vos conduzirá
na verdade plena." (Jo 16,13)
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico do OMCC
Queridos irmãos e irmãs, cursilhistas de todo
o mundo:
Estejam
com todos vocês, a graça do Pai, o amor do Filho
e a verdade do Espírito Santo!
Em nossa
última carta, tratamos de elucidar alguns pontos fundamentais
para melhorar a compreensão de alguns posicionamentos
e de algumas providências tomadas por este Comitê
Executivo. Esperamos, confiados no Senhor, que tenham sido
corretamente entendidas as explicações ali fornecidas.
Nesta
carta, julgamos oportuno continuar nossos comentários
sobre o Estatuto do OMCC, sobretudo acerca de Artigos que
alguns cursilhistas ou mesmo alguns Secretariados Nacionais
demonstram dificuldade em aceitar, provavelmente por não
terem compreendido ainda sua necessidade e importância.
Pelo menos é o que concluímos a partir de alguns
textos que chegaram ao nosso conhecimento.
Repetimos
uma vez mais nossa disposição de respeitar sempre
as diferentes posturas de indivíduos ou grupos que
levem em conta a unidade na diversidade. Mas é nosso
dever repetir uma vez mais, também, que este Comitê
Executivo, que tem a responsabilidade canônica de cumprir
e fazer cumprir o Estatuto, sempre baseará no mesmo
Estatuto suas orientações, e só aceitará
sugestões que não contrariem o mesmo Estatuto.
Temos
observado que um ponto considerado ´polêmico´
por alguns indivíduos ou grupos - os quais têm
manifestado sua inquietação a respeito - é
o Art. 30, letra b) que trata de uma das atribuições
mais importantes do OMCC "Preservar a identidade e a
unidade do Movimento na sua essência, fiel ao seu carisma
original, ao livro "Idéias Fundamentais do Movimento
de Cursilhos de Cristandade" e às conclusões
emanadas dos "Encontros Mundiais".
Embora
entendamos que tal Artigo seja claro em si mesmo, vamos relembrar
alguns pontos importantes para os quais pedimos a consideração
dos Grupos Internacionais, dos Secretariados Nacionais e Diocesanos,
e dos dirigentes do MCC em geral:
1. Durante
o processo de reconhecimento do Estatuto pelo PCL, para ajudar
na compreensão de alguns detalhes, publicamos e enviamos
a todos os Grupos Internacionais e Secretariados Nacionais,
um histórico em duas partes - sendo a primeira elaborada
por nossa irmã Frances Ruppert, Presidente do Comitê
Executivo anterior do OMCC, e a segunda preparada pelo Comitê
Executivo atual - dando detalhes completos de todo o trabalho
realizado desde o primeiro momento em que a necessidade de
obter Reconhecimento Canônico por parte da Santa Sé
foi reconhecida e aceita, até o momento em que o Decreto
desse Reconhecimento Canônico foi outorgado.
2. É
preciso acrescentar que, embora este Comitê Executivo,
que sempre demonstrou abertura no sentido de dirimir dúvidas
ou responder perguntas, não recebesse diretamente uma
linha sequer demonstrando discordância acerca do modo
como buscava cumprir suas funções, espalhavam-se
pela Internet comentários não apenas negativos
mas até ofensivos em relação a sua atuação
durante os trabalhos desenvolvidos na conclusão do
processo que levou ao Reconhecimento Canônico.
3. Por
que teria tal Artigo gerado tanta polêmica? Infelizmente,
desconhecemos as razões. Parece-nos lógico que
qualquer corpo com funções de coordenação
e de acompanhamento (seja de um movimento, seja de uma entidade,
seja de uma associação, seja de uma organização),
tem que ter necessariamente um REFERENCIAL. No caso dos movimentos
eclesiais, esse referencial deve ser autenticado pela Igreja,
uma vez que são os Pastores os responsáveis
pelo discernimento dos carismas. É ali que um organismo
de orientação vai buscar a segurança
para suas funções e a garantia para a legítima
orientação de seus movimentos.
4. Tal
referencial nunca pode ser colocado em pessoas, por mais sábias
e santas que sejam, pois as pessoas são transitórias
e sujeitas a inúmeras circunstâncias pessoais,
sociais, culturais - para só mencionar algumas. Não
são os homens os donos dos carismas - estes são
dons de Deus concedidos aos homens para ser colocados a serviço
da comunidade. E quando tais dons são reconhecidos
e autenticados pela Santa Mãe Igreja, embora continuem
importantes as pessoas através das quais eles foram
concedidos, mais importante do que elas é a comunhão
eclesial. Comunhão essa que não pode ser apenas
afetiva, mas deve ser efetiva para garantir o diálogo
legítimo e manter-se acima de qualquer suspeita de
protagonismos ou possíveis vaidades pessoais.
5. A garantia
de uma coordenação autêntica e legitima,
portanto, só está assegurada quando se baseia
num Estatuto, ou numa regra aprovados pela autoridade competente.
No caso de um Movimento eclesial como o MCC, tal regra necessita
da aprovação do Pontifício Conselho de
Leigos, órgão delegado pelo Papa para exercer
tais funções em seu nome.
Esperando
ter contribuído para aumentar a sempre desejada unidade,
despedimo-nos como fiéis irmãos e servidores.
FRANCISCO ALBERTO COUTINHO
Presidente PE. JOSÉ GILBERTO BERALDO
Assessor Eclesiástico
ANTONIO CARLOS SALOMÃO
Vice-Presidente
Carta
Mensal
OMCC n° 030 - Abril / 2005
"Jogai fora o velho fermento, para que sejais um nova
massa, já que sois ázimos, sem fermento. De
fato nosso Cordeiro pascal, Cristo, foi imolado. Assim, celebremos
a festa, não com o velho fermento da maldade ou da
iniqüidade , mas com os pães ázimos da
sinceridade e da verdade" (1 Cor 5, 7-8)
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico do OMCC
Queridos irmãos e irmãs, cursilhistas de todo
o mundo:
É
tempo da Páscoa do Senhor. É tempo de ressurreição.
É tempo de vida nova. É tempo do novo fermento.
Para nós, do Movimento de Cursilhos de Cristandade,
é também tempo de preparação da
´festa´ que será o nosso já próximo
VI Encontro Mundial.
Desde
a publicação oficial e canônica do Estatuto
do OMCC, na Festa de Pentecostes do ano de 2004, estamos pondo
em prática o projeto de comentar e refletir, em nossas
Cartas Mensais, os principais Artigos do mesmo.
Pretendendo
levar a termo esse projeto, nos propomos nesta Carta, comentar
o Artigo 22 que trata dos Encontros Mundiais do MCC. Adquire
relevo este assunto, pois já estamos quase às
vésperas do VI Encontro Mundial que deverá acontecer
no final do mês de outubro do corrente ano, em São
Paulo, Brasil.
O referido
Artigo determina que os Encontros Mundiais tenham os seguintes
objetivos:
a) promover a reflexão sobre o Cursilho no campo mundial;
b) ajudar a alcançar a unidade sobre temas fundamentais
do MCC;
c) encaminhar o Movimento para uma presença mais incisiva
e vital na situação do mundo contemporâneo;
d) permitir uma troca de experiências;
e) estudar a difusão da mensagem cristã no mundo;
f) aprovar as eventuais mudanças no livro "Idéias
Fundamentais do Movimento de Cursilhos de Cristandade"
(IFMCC);
g) aprovar as propostas de modificações no presente
Estatuto.
Como é
fácil perceber, esses objetivos são vitais para
o MCC: para sua sobrevivência como Movimento de Igreja;
para sua adequação à mensagem da Igreja
Católica no mundo inteiro; para que os responsáveis
do MCC no mundo inteiro possam atualizar-se e adaptar-se através
de uma sadia troca de experiências abrindo-se assim
para as janelas do mundo, e tendo uma visão mais abrangente
e globalizada da missão da Igreja no mundo contemporâneo.
Se esse
Artigo é de extrema relevância para o Movimento,
pode perceber-se o alcance que deverá ter este próximo
VI Encontro Mundial. Na Reunião Ordinária do
OMCC em Barranquilla, Colômbia, escolheram-se, com muito
acerto e senso de oportunidade, os temas para o VI EM. Todos
eles dizem respeito aos próprios objetivos dos Encontros
Mundiais. Sobretudo porque, agora, o OMCC já tem seu
Estatuto aprovado pela Santa Sé e, portanto, todas
as conclusões que vierem a ser aprovadas por um Encontro
Mundial tornam-se obrigatórias para todos os Grupos
Internacionais, Secretariados Nacionais e Diocesanos, sob
pena de ruptura da comunhão. E todos estamos muito
conscientes de que, ao acontecer tal ruptura, o MCC acabará
por tornar-se um como que escândalo para o Povo de Deus
e um péssimo testemunho para o mundo. Daí o
lema do Encontro tirado do Evangelho de João: "Que
todos sejam um... para que o mundo creia".
Antes
de tecer comentários sobre o VI Encontro Mundial, nas
próximas cartas mensais, deixemos claras as disposições
necessárias aos que quiserem ter uma participação
frutífera nesse Encontro:
1. Deverão
estar imbuídos do espírito de:
a) fraternidade/amor/caridade (ágape);
b) solidariedade integral;
c) serviço fraterno;
d) perdão total;
e) aceitação e acolhida do outro tal como ele
é;
2. Deverão
estar ansiosos:
a) pelo diálogo franco que enriquece;
b) pela vivência comunitária e participativa
que alarga horizontes.
3. Deverão
abrir o coração e a mente a fim de:
a) partilhar com os demais as próprias experiências;
b) abrir-se às experiências dos demais;
c) ter atitudes construtivas e comportamentos que edificam.
4. Deverão,
enfim, vir ao Encontro Mundial para:
a) dialogar de modo produtivo e inculturado;
b) dar e receber ´fermento, sal e luz´;
c) dirimir dúvidas, buscar consenso;
d) respeitar o outro e suas idéias;
e) considerar o valor das orientações das Igrejas
dos diferentes países;
f) defender a verdade que une ao invés das posições
pessoais que separam;
g) tomar decisões adequadas e oportunas ao Movimento.
Pedindo
ao Senhor que nos abençoe a todos enquanto nos preparamos
para esse grande acontecimento, despedimo-nos como fiéis
irmãos e servidores.
FRANCISCO ALBERTO COUTINHO
Presidente PE. JOSÉ GILBERTO BERALDO
Assessor Eclesiástico
ANTONIO CARLOS SALOMÃO
Vice-Presidente
Carta
Mensal OMCC n° 031
Maio
/ 2005
"Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque
não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu
Pai que está no céu. Por isso eu te digo: tu
és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja,
e as forças da morte não poderão vencê-la"
(Mt 16, 17-18).
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico do OMCC
Caríssimos irmãos e irmãs cursilhistas
de todo o mundo:
O Comitê
Executivo do OMCC deseja a todos a continuidade das alegrias
da Ressurreição do Senhor e a alegre expectativa
de uma nova efusão do seu Espírito Santo, nesta
festa de Pentecostes que estamos para celebrar!
Chega-lhes
com atraso esta carta mensal de maio de 2005 pela simples
razão de termos querido fazer-lhes um relato das ultimas
atividades deste Comitê Executivo do OMCC e também
para tentar relacionar com o nosso querido MCC dois recentes
e importantes acontecimentos eclesiais: a morte do nosso inesquecível
João Paulo II e a eleição do Papa Bento
XVI.
1. VII
Encontro Nacional de Responsáveis do MCC da Espanha,
realizado de 31 de março a 3 de abril de 2005. Cerca
de 210 responsáveis estiveram representando todas as
dioceses onde está presente o MCC na Espanha. Entre
eles, mais de 70 sacerdotes e três bispos. Temas fundamentais
para o MCC foram desenvolvidos e refletidos cuidadosamente:
a) "A chamada pessoal ao MCC"; b) "A comunhão
como forma de vida no MCC"; c) "MCC: presença
comprometida no mundo" e d)"A metodologia evangelizadora
do MCC". Nosso Assessor Eclesiástico do OMCC,
Pe. José G. Beraldo, desenvolveu o segundo tema: "A
comunhão como forma de vida no MCC".
2. V Ultreya
Nacional do MCC da Itália. Especialmente convidados
pelo presidente do Secretariado Nacional do MCC de lá,
nosso querido irmão Nando Rosato, estiveram em Roma,
nos dias 23 e 24 de abril, o Coordenador do Comitê Executivo
do Organismo mundial, Francisco Alberto Coutinho e o Assessor
Eclesiástico, Pe. José Gilberto Beraldo.
Em Roma,
na Basílica de São Paulo Fora dos Muros encontraram-se,
vindos de todos os quadrantes do país, cerca de 4.000
cursilhistas vibrantes e entusiasmados como costumam ser nossos
irmãos italianos, agitando alegremente seus lenços
DECOLORES. Pela manhã, uma substanciosa mensagem e
alguns testemunhos pessoais. Foi neste momento que Francisco
e Pe. Beraldo dirigiram-se à atenta assembléia,
apresentando-lhes a saudação e o estímulo
do Comitê Executivo do OMCC. À tarde, a celebração
da Eucaristia foi presidida pelo Cardeal Camillo Ruini, Vigário
de Roma, que encerrou essa colorida festa do MCC da Itália.
Cabem
aqui, com toda justiça, nossos agradecimentos fraternos
ao Secretariado Nacional do MCC da Itália que, além
do honroso convite, arcou com todas as nossas despesas, antes,
durante e depois da Ultréia. Mal sabíamos, então,
que o Senhor nos reservava uma tão santa surpresa e
alegria...
3. Início
do ministério petrino do novo Papa, Bento XVI: surpresa
e alegria por podermos participar pessoalmente, do início
do "ministério petrino" do Papa recém-eleito
Bento XVI. Gratidão, mais uma vez, ao caríssimo
Nando que providenciou os bilhetes para que Francisco pudesse
ocupar lugar no setor reservado aos Movimentos eclesiais e
para que Pe. Beraldo pudesse, juntamente com centenas de sacerdotes,
bispos e cardeais, concelebrar com o sucessor de São
Pedro, o primeiro papa da Igreja, pedra destinada a confirmar
os irmãos na fé.
Como era
inevitável, todo mundo se perguntou, ao tomar conhecimento
da eleição do novo Papa, o que será da
Igreja daqui para frente? Que antecedentes tem esse Papa para
desempenhar tão alto ministério? Qual o seu
"poder" na Cúria romana? De que "corrente
teológica" ele participa? Daí a fazer comparações,
é um passo. Daí a querer que este seja igual
ao outro, também. Não sem razão o próprio
Bento XVI insistiu que é sucessor de São Pedro,
o primeiro papa instituído pelo próprio Cristo,
e não somente "sucessor" de João Paulo
II. Claro que não por desprestígio deste mas,
muito mais, para acentuar a sucessão direta dos apóstolos.
Por isso,
entre tantas interpretações e "profecias",
é imperativo para nós, católicos, vermos
tudo com os olhos da fé. Então ficaremos tranqüilos
e cheios de esperança, confiados na palavra do próprio
Bento XVI, na sua primeira saudação ao mundo
após a eleição: "A Igreja é
sempre jovem"! Jovem no seu ardor por Cristo, jovem na
sua missão evangelizadora do terceiro milênio,
e, fundamentalmente, sempre jovem na fé!
Síntese
desses acontecimentos: uma única esperança!
Por que uma única esperança? Porque toda esperança
cristã nasce e vive das promessas de Jesus: "Tu
es Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e
as forças do Inferno não poderão vencê-la"
(Mt 16,18); "Eis que eu estou convosco todos os dias,
até o fim dos tempos" (Mt 28,20). Que mais queremos
para alimentar a esperança de que a Igreja-Povo de
Deus (nós mesmos, batizados) e um movimento eclesial
(nós, MCC) poderão desenvolver a fraternidade,
a unidade, a partilha, o amor e a esperança num mundo
dividido pelas exclusões, pelo ódio e pela violência?
Por isso, olhando para o novo Pedro redivivo em nosso meio,
Bento XVI, e para o MCC, às vésperas de mais
um Encontro Mundial, torna-se urgente renovarmos esta única
esperança, olhando o mundo com um olhar "apocalíptico",
que, mais uma vez, é o olhar da esperança: "Vi
então um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro
céu e a primeira terra passaram, e o mar já
não existe. Vi também a cidade santa, a nova
Jerusalém (não seria, talvez, uma nova Igreja
a partir de Bento XVI?) descendo do céu, de junto de
Deus, vestida como noiva enfeitada para o seu esposo"
(Ap 21, 1-2).
FRANCISCO ALBERTO COUTINHO
Presidente PE. JOSÉ GILBERTO BERALDO
Assessor Eclesiástico
ANTONIO CARLOS SALOMÃO
Vice-Presidente
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