Cartas do Gen

Carta Mensal OMCC
n° 031 - Maio / 2005


"Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e as forças da morte não poderão vencê-la" (Mt 16, 17-18).
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico do OMCC

Caríssimos irmãos e irmãs cursilhistas de todo o mundo:

O Comitê Executivo do OMCC deseja a todos a continuidade das alegrias da Ressurreição do Senhor e a alegre expectativa de uma nova efusão do seu Espírito Santo, nesta festa de Pentecostes que estamos para celebrar!

Chega-lhes com atraso esta carta mensal de maio de 2005 pela simples razão de termos querido fazer-lhes um relato das ultimas atividades deste Comitê Executivo do OMCC e também para tentar relacionar com o nosso querido MCC dois recentes e importantes acontecimentos eclesiais: a morte do nosso inesquecível João Paulo II e a eleição do Papa Bento XVI.

1. VII Encontro Nacional de Responsáveis do MCC da Espanha, realizado de 31 de março a 3 de abril de 2005. Cerca de 210 responsáveis estiveram representando todas as dioceses onde está presente o MCC na Espanha. Entre eles, mais de 70 sacerdotes e três bispos. Temas fundamentais para o MCC foram desenvolvidos e refletidos cuidadosamente: a) "A chamada pessoal ao MCC"; b) "A comunhão como forma de vida no MCC"; c) "MCC: presença comprometida no mundo" e d)"A metodologia evangelizadora do MCC". Nosso Assessor Eclesiástico do OMCC, Pe. José G. Beraldo, desenvolveu o segundo tema: "A comunhão como forma de vida no MCC".

2. V Ultreya Nacional do MCC da Itália. Especialmente convidados pelo presidente do Secretariado Nacional do MCC de lá, nosso querido irmão Nando Rosato, estiveram em Roma, nos dias 23 e 24 de abril, o Coordenador do Comitê Executivo do Organismo mundial, Francisco Alberto Coutinho e o Assessor Eclesiástico, Pe. José Gilberto Beraldo.

Em Roma, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros encontraram-se, vindos de todos os quadrantes do país, cerca de 4.000 cursilhistas vibrantes e entusiasmados como costumam ser nossos irmãos italianos, agitando alegremente seus lenços DECOLORES. Pela manhã, uma substanciosa mensagem e alguns testemunhos pessoais. Foi neste momento que Francisco e Pe. Beraldo dirigiram-se à atenta assembléia, apresentando-lhes a saudação e o estímulo do Comitê Executivo do OMCC. À tarde, a celebração da Eucaristia foi presidida pelo Cardeal Camillo Ruini, Vigário de Roma, que encerrou essa colorida festa do MCC da Itália.

Cabem aqui, com toda justiça, nossos agradecimentos fraternos ao Secretariado Nacional do MCC da Itália que, além do honroso convite, arcou com todas as nossas despesas, antes, durante e depois da Ultréia. Mal sabíamos, então, que o Senhor nos reservava uma tão santa surpresa e alegria...

3. Início do ministério petrino do novo Papa, Bento XVI: surpresa e alegria por podermos participar pessoalmente, do início do "ministério petrino" do Papa recém-eleito Bento XVI. Gratidão, mais uma vez, ao caríssimo Nando que providenciou os bilhetes para que Francisco pudesse ocupar lugar no setor reservado aos Movimentos eclesiais e para que Pe. Beraldo pudesse, juntamente com centenas de sacerdotes, bispos e cardeais, concelebrar com o sucessor de São Pedro, o primeiro papa da Igreja, pedra destinada a confirmar os irmãos na fé.

Como era inevitável, todo mundo se perguntou, ao tomar conhecimento da eleição do novo Papa, o que será da Igreja daqui para frente? Que antecedentes tem esse Papa para desempenhar tão alto ministério? Qual o seu "poder" na Cúria romana? De que "corrente teológica" ele participa? Daí a fazer comparações, é um passo. Daí a querer que este seja igual ao outro, também. Não sem razão o próprio Bento XVI insistiu que é sucessor de São Pedro, o primeiro papa instituído pelo próprio Cristo, e não somente "sucessor" de João Paulo II. Claro que não por desprestígio deste mas, muito mais, para acentuar a sucessão direta dos apóstolos.

Por isso, entre tantas interpretações e "profecias", é imperativo para nós, católicos, vermos tudo com os olhos da fé. Então ficaremos tranqüilos e cheios de esperança, confiados na palavra do próprio Bento XVI, na sua primeira saudação ao mundo após a eleição: "A Igreja é sempre jovem"! Jovem no seu ardor por Cristo, jovem na sua missão evangelizadora do terceiro milênio, e, fundamentalmente, sempre jovem na fé!

Síntese desses acontecimentos: uma única esperança! Por que uma única esperança? Porque toda esperança cristã nasce e vive das promessas de Jesus: "Tu es Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e as forças do Inferno não poderão vencê-la" (Mt 16,18); "Eis que eu estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos" (Mt 28,20). Que mais queremos para alimentar a esperança de que a Igreja-Povo de Deus (nós mesmos, batizados) e um movimento eclesial (nós, MCC) poderão desenvolver a fraternidade, a unidade, a partilha, o amor e a esperança num mundo dividido pelas exclusões, pelo ódio e pela violência? Por isso, olhando para o novo Pedro redivivo em nosso meio, Bento XVI, e para o MCC, às vésperas de mais um Encontro Mundial, torna-se urgente renovarmos esta única esperança, olhando o mundo com um olhar "apocalíptico", que, mais uma vez, é o olhar da esperança: "Vi então um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém (não seria, talvez, uma nova Igreja a partir de Bento XVI?) descendo do céu, de junto de Deus, vestida como noiva enfeitada para o seu esposo" (Ap 21, 1-2).


FRANCISCO ALBERTO COUTINHO
Presidente PE. JOSÉ GILBERTO BERALDO
Assessor Eclesiástico
ANTONIO CARLOS SALOMÃO
Vice-Presidente

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Carta do Mês de Abril/ 2005

"Só tu, noite feliz, soubeste a hora em que o Cristo da morte ressurgia; e é por isso que de ti foi escrito: A noite será luz para o meu dia!" (Canto da proclamação da Páscoa - Vigília)
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico do OMCC

Queridos irmãos e queridas irmãs, internautas ou não:

"Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos". Aleluia! (Sl 118).

Tendo seu início no Domingo da Páscoa que acabamos de celebrar, o Tempo Pascal irá até a festa de Pentecostes que, neste ano, acontecerá no domingo, 15 de maio. Estamos, portanto, num tempo riquíssimo de gozo, de alegria e de esperanças. Não deixemos que ele passe como se nada houvera acontecido; não nos permitamos cair na rotina tanto nas celebrações da liturgia, como na celebração diária da vida. Nunca nos esqueçamos de que, a cada dia, estamos ressuscitando de novo com Jesus.

Você está lembrado da noite bendita de luz e de alegria que foi a noite da Vigília Pascal? Para mim é sempre uma grande emoção participar dessa noite na qual, solenemente, se introduz na comunidade o círio pascal, a brilhante luz de Cristo. É nessa noite que, como toda a assembléia presente, eu reassumo os compromissos batismais que, um dia - agora já tão distante! - meus padrinhos e meus pais assumiram por mim. É nessa noite que, respondendo às perguntas do celebrante relativas à rejeição do pecado e aos princípios da minha fé, eu repito, com voz forte - consciente da minha dignidade de filho de Deus e de minha responsabilidade - "Renuncio" e "Creio", renovando, assim as promessas do meu batismo.

Mas... E agora? pergunto; depois de muitos ou de poucos anos - não importa - tendo sido batizado e tendo recebido outros sacramentos - no meu caso, até a ordenação sacerdotal; conhecendo bem as realidades do mundo e vivendo implicado e "complicado" com elas; vivendo e convivendo com minha família, com meus parentes, amigos e colegas de trabalho e com a comunidade do Povo de Deus, como o estamos vivendo? Bem, agora torna-se necessário não fazer somente mais um gesto ritual de uma louvável lembrança de tão significativos acontecimentos na minha vida de relação com Deus. Sei que Ele está me pedindo mais. Está me pedindo um seguimento, um compromisso que acabo de renovar na Vigília da Páscoa. Lembro-me, então, da palavra dEle: "Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus" (Lc 9, 63).

Essas promessas batismais não podem ser encaradas como uma camisa de força, um frio leque de obrigações e, muito menos, uma extensa lista de ameaças aos pecadores, a pior das quais é o fogo eterno! Elas são, isto sim, outras oportunidades que Deus nos dá para declararmos tanto a renúncia como os propósitos que fazemos, e também para reforçar a nossa fé:

1. Renunciamos ao pecado (des-amor):
o para "viver na liberdade dos filhos de Deus": não como escravos do pecado (ódio, violência, orgulho, inimizade, etc.) mas livres como Deus nos quer: "É para a liberdade que Cristo nos libertou..." (Gl 5,1);
o para "viver como irmãos": não como inimigos uns dos outros, ou como estranhos, ou como "donos" ou patrões do próximo: "...pois um só é o vosso Mestre e todos vós sois irmãos..." (Mt 23,8);
o para "seguir Jesus Cristo": pela "porta estreita" que nem sempre quer dizer dor ou sofrimento, mas sim renúncia, generosidade, solidariedade, abraçando a cruz de cada dia na alegria do serviço e da entrega aos desígnios de Deus: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me" (Mt 16, 24).
o ao demônio, autor e princípio do pecado: "ninguém pode servir a dois senhores" (Lc 16,13). "Demônio" é o "outro senhor", isto é, tudo aquilo que nos separa de Deus...

2. Cremos no Senhor que nos criou e redimiu (amor) - "Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé" (Mc 9,24)
o cremos em Deus, Pai todo-poderoso: rodeados que somos e, até, envolvidos por toda sorte de falsos "deuses" - mercado, consumo, poder, ter, ideologias, etc.
o cremos em Jesus Cristo que nasceu da Virgem Maria, padeceu, foi sepultado e ressuscitou dos mortos. Cremos, portanto, não num Jesus que a "inventamos" conforme os nossos caprichos, nossas necessidades ou conveniências, ou num Jesus - como disse alguém - pelo qual eu quero ser servido e não ao qual eu sirvo.
o cremos no Espírito Santo, na santa Igreja católica, na comunhão dos santos, no perdão dos pecados, na ressurreição dos mortos e na vida eterna: ai está a síntese da nossa fé católica e apostólica.

Caro irmão, querida irmã: seja este tempo pascal um tempo no qual nos identifiquemos com Jesus Ressuscitado. Quer uma dica? Todas as manhãs, ao se levantar, renove as promessas do seu batismo. E, durante o dia, procure cumpri-las como alguém de palavra que honra a promessa feita ao Pai, no Filho, pelo seu Espírito de amor! Com certeza, Cristo ressuscitado resplandecerá em você, no seu rosto, nas suas atitudes e nas suas relações. Ele estará em você e com você para que você possa ser na família, no trabalho, no mundo, na cultura contemporânea aquela lâmpada acesa para iluminar a todos: "Ninguém acende uma lâmpada para escondê-la debaixo de uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ela é posta no candelabro, a fim de que os que entram vejam a claridade" (Lc 8, 16). Desejo-lhes um santo tempo pascal, de ressurreição, de vida e de esperança "num novo céu e numa nova terra" (cf Ap 21,1) preparando-se, desde agora, para receber o Espírito Santo, em Pentecostes.

Meu abraço fraterno, com as bênçãos e o carinho do Pai!

Pe.José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional MCC

E-mail: beraldomilenio@uol.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Carta do Mês de Julho/ 2005

"Felizes os misericordiosos porque alcançarão misericórdia" (Mt 5,7)
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional e do OMCC

Queridos irmãos e irmãs:

Ao refletir sobre o assunto desta carta mensal, veio-me à mente e ao coração a inspiração de tratar do tema "misericórdia". Com efeito, trata-se de um passo absolutamente importante, para não se dizer essencial, na caminhada do cristão rumo à pátria definitiva. É a quinta das bem-aventuranças propostas por Jesus. E as bem-aventuranças assim como Pai Nosso, são os fundamentos da vida cristã.

Desde o início do meu ministério sacerdotal cultivei, com especial cuidado, a reflexão sobre o tema da misericórdia. E quanto mais vivo o meu ministério, mais motivado e convencido me encontro não só para falar da misericórdia do Pai manifestada por Jesus, mas, sobretudo, para torná-la efetiva no meu íntimo, nas minhas atitudes e na minha missão de serviço: ser pai antes que juiz. E, torná-la efetiva significa, especialmente, levá-la à prática, nas ações concretas na vida diária. Entre outros inúmeros pontos, deixo dois para nossa reflexão.

1. Alimentar uma consciência sempre mais viva da misericórdia do Pai: nem sempre nos damos conta de quão imensa é a misericórdia de Deus para conosco. Certa tradição católica acabou por dar mais importância ao pecado do que ao perdão, à misericórdia, à graça divina e à acolhida pelos braços do Pai. Pergunto, por exemplo: não é verdade que, em muitas oportunidades, ao comentar-se a parábola do filho pródigo, se gasta mais tempo em descrever a humilhante situação de pecado em que se afundou: "foi pedir trabalho a um homem... que o mandou... cuidar dos porcos" (cf Lc 15,15) e da sordidez de suas atitudes, quem sabe até impensadas, do que no encantamento dos braços abertos do Pai misericordioso: "Vou voltar para meu Pai..."(Lc 15,18) ? Disse alguém que, enquanto o pecado escorre por entre os dedos das mãos de Deus, sua misericórdia e seu perdão permanecem para sempre apesar dos descaminhos e das ingratidões de seus filhos e filhas. Sem sombra de dúvida, mais importante do que os passos dados em direção ao pecado e à morte, é a alegria da volta ao coração do Pai, pois temos a certeza do seu acolhimento e da sua misericórdia. Nestes anos todos de experiência de confessionário, dou-me conta de que muitos católicos vivem mais preocupados com os terrores do fogo do inferno do que ocupados em experimentar a ternura do abraço do Pai e da futura contemplação de sua Face! Porque não assumimos, de uma vez por todas, que o sacramento de perdão é mais de reconciliação do que de penitência? E seu comportamento, meu irmão, minha irmã, como tem sido diante de tudo isso? Você se acha mais vingativo do que misericordioso? Você anda mais impressionado ou desesperado com o "Afastai-vos de mim, malditos!" do que esperançado com o "Vinde, benditos de meu Pai! (cf Mt, 25)?

2."Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso" (Lc 6,36): talvez tantas leis, normas e mandamentos acabaram por endurecer o coração da própria Igreja. Fruto, quem sabe, da dureza e da insensibilidade do coração de muitos cristãos católicos. O legalismo, ou seja, a obsessão pela lei, cria obstáculos intransponíveis para a misericórdia. Não sou contra as leis e normas. Mas sou absolutamente contrário a que se esqueça o espírito da lei. Que no caso do evangelho e da mente de Jesus, é o do perdão e da misericórdia. Uma cultura como a nossa que privilegia o individualismo e a subjetividade que, ao mesmo tempo que tem seus aspectos positivos, corre o risco de tornar-se, ela mesma, uma cultura do ódio e da exclusão. As pessoas não usam de misericórdia na relação de umas com as outras; os povos não se perdoam e as nações se destroem umas às outras. Sobre o perdão e a misericórdia, prevalecem o ódio, a vingança e a violência. Somos sempre inclinados a condenar sem compaixão. Mas estamos sempre esperando que os outros não nos condenem!. Parece que anda meio ou quase de todo esquecida a afirmação categórica de Jesus: "Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas os doentes. Ide, pois, aprender o que significa: 'Eu quero a misericórdia e não sacrifícios'. De fato, não é a justos que vim chamar, mas a pecadores" (Mt 9, 10-13). Pois bem, meu irmão, minha irmã: não perca nenhuma oportunidade de vivenciar a misericórdia. Você tem certeza de que Deus o acolhe com ternura e compaixão porque você é seu filho e sua filha. Portanto, não deixe de acolher, perdoar e usar de misericórdia porque o outro é seu irmão, imagem e semelhança do Pai rico em misericórdia! "Felizes os misericordiosos porque alcançarão misericórdia" (Mt 5,7). Desejo-lhes um feliz mês de julho - descanso para muitos, trabalho para a maioria - e que a todos Deus abençoe e proteja! Do irmão e servidor no amor de Jesus

Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional
e Mundial do Movimento
de Cursilhos de Cristandade


E-mail: beraldomilenio@uol.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carta do Mês de Junho/ 2005

"Jesus respondeu: não cabe a vós saber os tempos ou momentos que o Pai determinou com a sua autoridade. Mas recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra" (At 1,7-8).
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional e do OMCC

Queridos irmãos e irmãs:

Chegamos no mês de junho que para nós, brasileiros, logo sugere as comemorações das assim chamadas "festas populares", ou seja, as festas de Santo Antônio, de São João Batista e de São Pedro e São Paulo. Por acreditar ser muito oportuno, proponho aos meus caros leitores que façamos uma reflexão sobre a importância do "testemunho" em nossa vida de seguidores dos caminhos de Jesus. Mas, o que teriam a ver essas festas populares com o testemunho?

Muito simples e bem compreensível a resposta: todos esses santos, uns de uma forma, outros de outra, testemunharam Jesus com a palavra e / ou com seu próprio sangue. Mas - você estará se perguntando - o que é "ser testemunha" de Jesus e porque é preciso "receber a força do Espírito Santo" para dar testemunho? Mostro alguns pontos importantes:

1. Testemunho: é uma palavra que vem da língua grega onde, originalmente, tem o significado de "martírio" (martirión), isto é, de doação da própria vida com sofrimento e derramamento de sangue. Conservando a mesma densidade desse sentido original do termo, "ser testemunho" nos dias de hoje, é anunciar publicamente Jesus Cristo, o seu evangelho e Reino de Deus. "Publicamente", quer dizer diante de todos, de sua família, de sua comunidade, do ambiente em que você vive e junto às pessoas que você freqüenta. Ora, para anunciar os valores do Evangelho - hoje como ontem - sentimos a necessidade absoluta da força do Espírito Santo, da ação da graça de Deus. Sem essa força torna-se impossível anunciar, por exemplo, o perdão numa sociedade que não perdoa nada nem ninguém; anunciar a fraternidade numa sociedade profundamente individualista onde se afirma até visualmente nos adesivos dos carros que "Deus criou a vida. Para que cada um cuide da sua" ou então, "Cada um por si e Deus por todos"; anunciar a solidariedade numa sociedade marcada por profundos e cada vez mais excludentes distanciamentos sócio-econômicos-culturais; anunciar o amor numa sociedade que alimenta o ódio e a vingança e por eles é alimentada; anunciar a partilha numa sociedade concentradora e radicalmente consumista e egoísta. Por conta destes desafios e dessas barreiras quase insuperáveis é que nós, os que queremos ser discípulos de Jesus, temos que, de certa forma, derramar o nosso sangue para remar contra a corrente. É nestes momentos e oportunidades que a gente percebe que, para ser "testemunhas até os confins da terra" como nos envia Jesus, é necessária aquela força do Espírito Santo ("...pois sem mim nada podeis fazer" (Jo 15,5), com uma dose infinita de coragem, de determinação e força de vontade ("Jesus, porém, respondeu-lhe: 'Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus'" (Lc 9,62).

2. Formas de ser testemunha e de dar testemunho

a) pela nossa palavra: Santo Antonio deu testemunho de Jesus pela palavra, anunciando o Reino de Deus aos seus contemporâneos e - quem diria - até aos peixes! Quando falamos de Jesus e do Evangelho aos que nos rodeiam; quando dizemos abertamente que somos seguidores de Jesus e queremos "viver como Ele viveu, amar como Ele amou.."; quando afirmamos diante de todos que não concordamos com injustiças, com ódios, com discriminação de pessoas; quando fazemos catequese, etc. estamos dando testemunho de Jesus pela palavra;

b) pelo nosso modo de viver: São João Batista, São Pedro e São Paulo, além da palavra, deram testemunho de Jesus derramando seu sangue pelo martírio. É por isso que a cor usada na liturgia no dia desses Apóstolos, é a vermelha. Ambos esses testemunhos são "testemunhos de vida". Nós não necessitamos derramar o sangue para dar testemunho de Jesus. Quando, silenciosamente, procedemos de maneira correta, de acordo com a nossa consciência, com os valores das bem-aventuranças anunciadas por Jesus, assim como quando vivemos em nossa vida o Pai Nosso, estamos dando "testemunho de vida". O Papa Paulo VI, instruindo o povo de Deus sobre o que é a evangelização, diz que nosso modo de viver, como cristãos, "manifestando nossa capacidade de compreensão e de acolhimento, a comunhão de vida e de destino com os demais, a solidariedade nos esforços de todos para tudo aquilo que é nobre e bom deveria,"por força deste testemunho sem palavras...fazer aflorar no coração daqueles que os vêem viver, perguntas indeclináveis: Por que é que eles são assim? Por que é que eles vivem daquela maneira? O que é - ou quem é - que os inspira? Por que eles estão conosco?" É esse, portanto, o verdadeiro testemunho de vida para o qual todos somos enviados por Jesus. Diz ainda o mesmo Papa: "O mundo de hoje acredita mais nas testemunhas do que nos mestres, e se acredita nos mestres é porque eles são testemunhas".

Portanto, meu irmão e minha irmã, procure fazer de sua vida um testemunho, seguindo o mandamento de Jesus aos seus apóstolos no início da Igreja.

Concluo lembrando-lhe que, ao festejar os santos do mês de junho, as "festas populares", você não esqueça: por trás delas e no seu conteúdo, está o testemunho da palavra e do sangue. Diante daquela fogueira que arde, crepitando em suas chamas, você pode pedir a força do "martirión", isto é do testemunho de vida. Nas tradicionais cantigas populares, procure encontrar a verdadeira "palavra" que anuncia o Reino de Deus e os valores de Jesus!

Boas festas, divirtam-se comemorando-as com alegria cristã. Um forte e carinhoso abraço.

Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional
e Mundial do Movimento
de Cursilhos de Cristandade


E-mail: beraldomilenio@uol.com.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carta do Mês de Maio/ 2005

"Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas não sois capazes de compreender agora. Quando ele vier, o Espírito da Verdade, vos conduzirá na verdade plena. Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo quanto tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir" (Jo 16, 12-13).
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico do OMCC

Queridos irmãos e queridas irmãs:

Permaneçam com todos vocês a luz e a vida a nós comunicadas pela gloriosa Ressurreição de Jesus Cristo!

Ao terminar a carta do mês passado eu desejava a todos "um santo tempo pascal, de ressurreição, de vida e de esperança "num novo céu e numa nova terra" (cf Ap 21,1) preparando-nos, desde agora, para receber o Espírito Santo, em Pentecostes". Pois neste mês de maio, precisamente no domingo, dia 15, vamos celebrar a grande festa da descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e que é a atualização daquele dia que marcou o "início da Igreja", como ensina João Paulo II. Com esta celebração poderemos, de novo, reacender a chama do amor de Deus em nós mesmos e naqueles que nos cercam na medida que para ela nos tivermos preparado.

E, para nós, católicos, não faltaram no mês de abril oportunidades preciosas de percebermos e vivenciarmos uma nova ação do Espírito Santo. Do mesmo Espírito de Deus que, atuando continuamente na história, renova a Igreja, conservando-a "sempre jovem", na feliz expressão do nosso novo Pastor, o Papa Bento XVI logo na inauguração do seu "ministério petrino" (do sucessor de São Pedro, o primeiro Papa) . "Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nossos pais...nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho..." (Hb 1,1-2). Palavra do Filho que é a mesma do seu Espírito: "Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo quanto tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir..." De que maneira e em que acontecimentos o Espírito Santo falou-nos através dos últimos acontecimentos? Falou-nos o Senhor:

1. nos derradeiros sofrimentos e na morte do nosso inesquecível João Paulo II. Durante toda a sua vida de sacerdote, de bispo e de Papa, nós ouvimos seus ensinamentos e suas orientações pastorais. Entretanto, foi nos seus últimos momentos de vida que vimos o nosso Papa crucificado por amor ao seu rebanho. Quem não ficou profundamente impressionado ao vê-lo, em sua última aparição na janela de sua residência, como que desejando abraçar e abençoar o mundo todo, num gesto como se fora o do próprio Cristo crucificado? E, ainda assim, com tanta serenidade e paz estampadas no seu rosto dolorido pelo sofrimento? "O bom pastor dá a vida por suas ovelhas..." (Jo 10, 11). Através do seu sofrimento e da sua agonia escancarados diante do mundo, com certeza Deus quis falar-nos da nossa própria responsabilidade e da parte que nos cabe na purificação do mundo, da disponibilidade de entrega total de nossas vidas aos irmãos, da nossa doação sem reservas a serviço da humanidade ainda que isto nos custe sofrimentos e provações;

2. pela eleição e início do ministério do nosso novo Pastor, o Papa Bento XVI. Deixando de lado as previsões, as suposições, as "profecias" (nos dia do Conclave que elegeu Bento XVI tive a impressão de que o Espírito Santo havia-se mudado para a redação dos jornais e estacionado nas emissoras de TV!), temos que nos perguntar o que Deus está falando à sua Igreja, ao seu povo, a cada um de nós, católicos. No seu primeiro pronunciamento, na praça de São Pedro, Bento XVI afirmou que não apresentaria nenhum programa de governo, pois o seu programa seria o de fazer a vontade de Deus. E disse mais, acentuando bem as palavras, que a "Igreja é sempre jovem". Sem dúvida, Deus está a dizer-nos que devemos nos renovar a cada dia, atualizar continuamente a graça divina que habita em nós, enchermo-nos de entusiasmo, de alegria e de esperança para sermos suas testemunhas diante de um mundo que muda com tanta velocidade. Sermos testemunhas, assim como o foram nos inícios, os apóstolos.

Concluo, caríssimos, propondo-lhes três pontos para sua reflexão:

1. nestas celebrações de Pentecostes - antes, durante e sempre - estar atentos à voz do Espírito Santo que nos fala pela Palavra, pelos acontecimentos, pelos "sinais dos tempos"; "Tenho ainda muitas coisas a vos dizer...";
2. em todos os momentos da vida, sobretudo nos mais difíceis e que exigem um maior discernimento, abrir o coração e a mente para a vinda do Espírito Santo: "Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor";
3. encharcados pelos dons do Espírito Santo, começando pelas "pequenas verdades" diárias, correr em busca da "Verdade plena" que é Jesus, "Caminho, Verdade e Vida" (Jo 14,6), pois é o mesmo Espírito que no-lo revela.

Que Nossa Senhora, cujo mês estamos lembrando, presente com os apóstolos no Cenáculo quando da efusão do Espírito Santo, e tendo ela mesma recebido sobre sua cabeça aquelas línguas de fogo descido do céu, ajude-nos a assumir nossas responsabilidades de seguidores de Jesus.

A todos os meus queridos leitores e leitoras, desejo que o fogo do Espírito penetre em seus corações e em suas vidas, tornando-os sempre mais apaixonados por Jesus e por sua Palavra.

Abraça-os afetuosamente o irmão, companheiro e servidor,

Pe.José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional MCC

E-mail: beraldomilenio@uol.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carta Mensal OMCC n° 029 - Março / 2005

"Jesus então disse aos judeus que acreditaram nele: ´Se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres.´"(Jo 8, 31-32). "Quando ele vier, o Espírito da Verdade, vos conduzirá na verdade plena." (Jo 16,13)
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico do OMCC

Queridos irmãos e irmãs, cursilhistas de todo o mundo:

Estejam com todos vocês, a graça do Pai, o amor do Filho e a verdade do Espírito Santo!

Em nossa última carta, tratamos de elucidar alguns pontos fundamentais para melhorar a compreensão de alguns posicionamentos e de algumas providências tomadas por este Comitê Executivo. Esperamos, confiados no Senhor, que tenham sido corretamente entendidas as explicações ali fornecidas.

Nesta carta, julgamos oportuno continuar nossos comentários sobre o Estatuto do OMCC, sobretudo acerca de Artigos que alguns cursilhistas ou mesmo alguns Secretariados Nacionais demonstram dificuldade em aceitar, provavelmente por não terem compreendido ainda sua necessidade e importância. Pelo menos é o que concluímos a partir de alguns textos que chegaram ao nosso conhecimento.

Repetimos uma vez mais nossa disposição de respeitar sempre as diferentes posturas de indivíduos ou grupos que levem em conta a unidade na diversidade. Mas é nosso dever repetir uma vez mais, também, que este Comitê Executivo, que tem a responsabilidade canônica de cumprir e fazer cumprir o Estatuto, sempre baseará no mesmo Estatuto suas orientações, e só aceitará sugestões que não contrariem o mesmo Estatuto.

Temos observado que um ponto considerado ´polêmico´ por alguns indivíduos ou grupos - os quais têm manifestado sua inquietação a respeito - é o Art. 30, letra b) que trata de uma das atribuições mais importantes do OMCC "Preservar a identidade e a unidade do Movimento na sua essência, fiel ao seu carisma original, ao livro "Idéias Fundamentais do Movimento de Cursilhos de Cristandade" e às conclusões emanadas dos "Encontros Mundiais".

Embora entendamos que tal Artigo seja claro em si mesmo, vamos relembrar alguns pontos importantes para os quais pedimos a consideração dos Grupos Internacionais, dos Secretariados Nacionais e Diocesanos, e dos dirigentes do MCC em geral:

1. Durante o processo de reconhecimento do Estatuto pelo PCL, para ajudar na compreensão de alguns detalhes, publicamos e enviamos a todos os Grupos Internacionais e Secretariados Nacionais, um histórico em duas partes - sendo a primeira elaborada por nossa irmã Frances Ruppert, Presidente do Comitê Executivo anterior do OMCC, e a segunda preparada pelo Comitê Executivo atual - dando detalhes completos de todo o trabalho realizado desde o primeiro momento em que a necessidade de obter Reconhecimento Canônico por parte da Santa Sé foi reconhecida e aceita, até o momento em que o Decreto desse Reconhecimento Canônico foi outorgado.

2. É preciso acrescentar que, embora este Comitê Executivo, que sempre demonstrou abertura no sentido de dirimir dúvidas ou responder perguntas, não recebesse diretamente uma linha sequer demonstrando discordância acerca do modo como buscava cumprir suas funções, espalhavam-se pela Internet comentários não apenas negativos mas até ofensivos em relação a sua atuação durante os trabalhos desenvolvidos na conclusão do processo que levou ao Reconhecimento Canônico.

3. Por que teria tal Artigo gerado tanta polêmica? Infelizmente, desconhecemos as razões. Parece-nos lógico que qualquer corpo com funções de coordenação e de acompanhamento (seja de um movimento, seja de uma entidade, seja de uma associação, seja de uma organização), tem que ter necessariamente um REFERENCIAL. No caso dos movimentos eclesiais, esse referencial deve ser autenticado pela Igreja, uma vez que são os Pastores os responsáveis pelo discernimento dos carismas. É ali que um organismo de orientação vai buscar a segurança para suas funções e a garantia para a legítima orientação de seus movimentos.

4. Tal referencial nunca pode ser colocado em pessoas, por mais sábias e santas que sejam, pois as pessoas são transitórias e sujeitas a inúmeras circunstâncias pessoais, sociais, culturais - para só mencionar algumas. Não são os homens os donos dos carismas - estes são dons de Deus concedidos aos homens para ser colocados a serviço da comunidade. E quando tais dons são reconhecidos e autenticados pela Santa Mãe Igreja, embora continuem importantes as pessoas através das quais eles foram concedidos, mais importante do que elas é a comunhão eclesial. Comunhão essa que não pode ser apenas afetiva, mas deve ser efetiva para garantir o diálogo legítimo e manter-se acima de qualquer suspeita de protagonismos ou possíveis vaidades pessoais.

5. A garantia de uma coordenação autêntica e legitima, portanto, só está assegurada quando se baseia num Estatuto, ou numa regra aprovados pela autoridade competente. No caso de um Movimento eclesial como o MCC, tal regra necessita da aprovação do Pontifício Conselho de Leigos, órgão delegado pelo Papa para exercer tais funções em seu nome.

Esperando ter contribuído para aumentar a sempre desejada unidade, despedimo-nos como fiéis irmãos e servidores.
FRANCISCO ALBERTO COUTINHO
Presidente PE. JOSÉ GILBERTO BERALDO
Assessor Eclesiástico
ANTONIO CARLOS SALOMÃO
Vice-Presidente

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carta Mensal
OMCC n° 030 - Abril / 2005


"Jogai fora o velho fermento, para que sejais um nova massa, já que sois ázimos, sem fermento. De fato nosso Cordeiro pascal, Cristo, foi imolado. Assim, celebremos a festa, não com o velho fermento da maldade ou da iniqüidade , mas com os pães ázimos da sinceridade e da verdade" (1 Cor 5, 7-8)
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico do OMCC

Queridos irmãos e irmãs, cursilhistas de todo o mundo:

É tempo da Páscoa do Senhor. É tempo de ressurreição. É tempo de vida nova. É tempo do novo fermento. Para nós, do Movimento de Cursilhos de Cristandade, é também tempo de preparação da ´festa´ que será o nosso já próximo VI Encontro Mundial.

Desde a publicação oficial e canônica do Estatuto do OMCC, na Festa de Pentecostes do ano de 2004, estamos pondo em prática o projeto de comentar e refletir, em nossas Cartas Mensais, os principais Artigos do mesmo.

Pretendendo levar a termo esse projeto, nos propomos nesta Carta, comentar o Artigo 22 que trata dos Encontros Mundiais do MCC. Adquire relevo este assunto, pois já estamos quase às vésperas do VI Encontro Mundial que deverá acontecer no final do mês de outubro do corrente ano, em São Paulo, Brasil.

O referido Artigo determina que os Encontros Mundiais tenham os seguintes objetivos:
a) promover a reflexão sobre o Cursilho no campo mundial;
b) ajudar a alcançar a unidade sobre temas fundamentais do MCC;
c) encaminhar o Movimento para uma presença mais incisiva e vital na situação do mundo contemporâneo;
d) permitir uma troca de experiências;
e) estudar a difusão da mensagem cristã no mundo;
f) aprovar as eventuais mudanças no livro "Idéias Fundamentais do Movimento de Cursilhos de Cristandade" (IFMCC);
g) aprovar as propostas de modificações no presente Estatuto.

Como é fácil perceber, esses objetivos são vitais para o MCC: para sua sobrevivência como Movimento de Igreja; para sua adequação à mensagem da Igreja Católica no mundo inteiro; para que os responsáveis do MCC no mundo inteiro possam atualizar-se e adaptar-se através de uma sadia troca de experiências abrindo-se assim para as janelas do mundo, e tendo uma visão mais abrangente e globalizada da missão da Igreja no mundo contemporâneo.

Se esse Artigo é de extrema relevância para o Movimento, pode perceber-se o alcance que deverá ter este próximo VI Encontro Mundial. Na Reunião Ordinária do OMCC em Barranquilla, Colômbia, escolheram-se, com muito acerto e senso de oportunidade, os temas para o VI EM. Todos eles dizem respeito aos próprios objetivos dos Encontros Mundiais. Sobretudo porque, agora, o OMCC já tem seu Estatuto aprovado pela Santa Sé e, portanto, todas as conclusões que vierem a ser aprovadas por um Encontro Mundial tornam-se obrigatórias para todos os Grupos Internacionais, Secretariados Nacionais e Diocesanos, sob pena de ruptura da comunhão. E todos estamos muito conscientes de que, ao acontecer tal ruptura, o MCC acabará por tornar-se um como que escândalo para o Povo de Deus e um péssimo testemunho para o mundo. Daí o lema do Encontro tirado do Evangelho de João: "Que todos sejam um... para que o mundo creia".

Antes de tecer comentários sobre o VI Encontro Mundial, nas próximas cartas mensais, deixemos claras as disposições necessárias aos que quiserem ter uma participação frutífera nesse Encontro:

1. Deverão estar imbuídos do espírito de:
a) fraternidade/amor/caridade (ágape);
b) solidariedade integral;
c) serviço fraterno;
d) perdão total;
e) aceitação e acolhida do outro tal como ele é;

2. Deverão estar ansiosos:
a) pelo diálogo franco que enriquece;
b) pela vivência comunitária e participativa que alarga horizontes.

3. Deverão abrir o coração e a mente a fim de:
a) partilhar com os demais as próprias experiências;
b) abrir-se às experiências dos demais;
c) ter atitudes construtivas e comportamentos que edificam.

4. Deverão, enfim, vir ao Encontro Mundial para:
a) dialogar de modo produtivo e inculturado;
b) dar e receber ´fermento, sal e luz´;
c) dirimir dúvidas, buscar consenso;
d) respeitar o outro e suas idéias;
e) considerar o valor das orientações das Igrejas dos diferentes países;
f) defender a verdade que une ao invés das posições pessoais que separam;
g) tomar decisões adequadas e oportunas ao Movimento.

Pedindo ao Senhor que nos abençoe a todos enquanto nos preparamos para esse grande acontecimento, despedimo-nos como fiéis irmãos e servidores.
FRANCISCO ALBERTO COUTINHO
Presidente PE. JOSÉ GILBERTO BERALDO
Assessor Eclesiástico
ANTONIO CARLOS SALOMÃO
Vice-Presidente

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carta Mensal OMCC n° 031
Maio / 2005

"Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e as forças da morte não poderão vencê-la" (Mt 16, 17-18).
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico do OMCC

Caríssimos irmãos e irmãs cursilhistas de todo o mundo:

O Comitê Executivo do OMCC deseja a todos a continuidade das alegrias da Ressurreição do Senhor e a alegre expectativa de uma nova efusão do seu Espírito Santo, nesta festa de Pentecostes que estamos para celebrar!

Chega-lhes com atraso esta carta mensal de maio de 2005 pela simples razão de termos querido fazer-lhes um relato das ultimas atividades deste Comitê Executivo do OMCC e também para tentar relacionar com o nosso querido MCC dois recentes e importantes acontecimentos eclesiais: a morte do nosso inesquecível João Paulo II e a eleição do Papa Bento XVI.

1. VII Encontro Nacional de Responsáveis do MCC da Espanha, realizado de 31 de março a 3 de abril de 2005. Cerca de 210 responsáveis estiveram representando todas as dioceses onde está presente o MCC na Espanha. Entre eles, mais de 70 sacerdotes e três bispos. Temas fundamentais para o MCC foram desenvolvidos e refletidos cuidadosamente: a) "A chamada pessoal ao MCC"; b) "A comunhão como forma de vida no MCC"; c) "MCC: presença comprometida no mundo" e d)"A metodologia evangelizadora do MCC". Nosso Assessor Eclesiástico do OMCC, Pe. José G. Beraldo, desenvolveu o segundo tema: "A comunhão como forma de vida no MCC".

2. V Ultreya Nacional do MCC da Itália. Especialmente convidados pelo presidente do Secretariado Nacional do MCC de lá, nosso querido irmão Nando Rosato, estiveram em Roma, nos dias 23 e 24 de abril, o Coordenador do Comitê Executivo do Organismo mundial, Francisco Alberto Coutinho e o Assessor Eclesiástico, Pe. José Gilberto Beraldo.

Em Roma, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros encontraram-se, vindos de todos os quadrantes do país, cerca de 4.000 cursilhistas vibrantes e entusiasmados como costumam ser nossos irmãos italianos, agitando alegremente seus lenços DECOLORES. Pela manhã, uma substanciosa mensagem e alguns testemunhos pessoais. Foi neste momento que Francisco e Pe. Beraldo dirigiram-se à atenta assembléia, apresentando-lhes a saudação e o estímulo do Comitê Executivo do OMCC. À tarde, a celebração da Eucaristia foi presidida pelo Cardeal Camillo Ruini, Vigário de Roma, que encerrou essa colorida festa do MCC da Itália.

Cabem aqui, com toda justiça, nossos agradecimentos fraternos ao Secretariado Nacional do MCC da Itália que, além do honroso convite, arcou com todas as nossas despesas, antes, durante e depois da Ultréia. Mal sabíamos, então, que o Senhor nos reservava uma tão santa surpresa e alegria...

3. Início do ministério petrino do novo Papa, Bento XVI: surpresa e alegria por podermos participar pessoalmente, do início do "ministério petrino" do Papa recém-eleito Bento XVI. Gratidão, mais uma vez, ao caríssimo Nando que providenciou os bilhetes para que Francisco pudesse ocupar lugar no setor reservado aos Movimentos eclesiais e para que Pe. Beraldo pudesse, juntamente com centenas de sacerdotes, bispos e cardeais, concelebrar com o sucessor de São Pedro, o primeiro papa da Igreja, pedra destinada a confirmar os irmãos na fé.

Como era inevitável, todo mundo se perguntou, ao tomar conhecimento da eleição do novo Papa, o que será da Igreja daqui para frente? Que antecedentes tem esse Papa para desempenhar tão alto ministério? Qual o seu "poder" na Cúria romana? De que "corrente teológica" ele participa? Daí a fazer comparações, é um passo. Daí a querer que este seja igual ao outro, também. Não sem razão o próprio Bento XVI insistiu que é sucessor de São Pedro, o primeiro papa instituído pelo próprio Cristo, e não somente "sucessor" de João Paulo II. Claro que não por desprestígio deste mas, muito mais, para acentuar a sucessão direta dos apóstolos.

Por isso, entre tantas interpretações e "profecias", é imperativo para nós, católicos, vermos tudo com os olhos da fé. Então ficaremos tranqüilos e cheios de esperança, confiados na palavra do próprio Bento XVI, na sua primeira saudação ao mundo após a eleição: "A Igreja é sempre jovem"! Jovem no seu ardor por Cristo, jovem na sua missão evangelizadora do terceiro milênio, e, fundamentalmente, sempre jovem na fé!

Síntese desses acontecimentos: uma única esperança! Por que uma única esperança? Porque toda esperança cristã nasce e vive das promessas de Jesus: "Tu es Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e as forças do Inferno não poderão vencê-la" (Mt 16,18); "Eis que eu estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos" (Mt 28,20). Que mais queremos para alimentar a esperança de que a Igreja-Povo de Deus (nós mesmos, batizados) e um movimento eclesial (nós, MCC) poderão desenvolver a fraternidade, a unidade, a partilha, o amor e a esperança num mundo dividido pelas exclusões, pelo ódio e pela violência? Por isso, olhando para o novo Pedro redivivo em nosso meio, Bento XVI, e para o MCC, às vésperas de mais um Encontro Mundial, torna-se urgente renovarmos esta única esperança, olhando o mundo com um olhar "apocalíptico", que, mais uma vez, é o olhar da esperança: "Vi então um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém (não seria, talvez, uma nova Igreja a partir de Bento XVI?) descendo do céu, de junto de Deus, vestida como noiva enfeitada para o seu esposo" (Ap 21, 1-2).
FRANCISCO ALBERTO COUTINHO
Presidente PE. JOSÉ GILBERTO BERALDO
Assessor Eclesiástico
ANTONIO CARLOS SALOMÃO
Vice-Presidente


 

 

 

 

 

 

 

 

 


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