Palavra / 2003

Fevereiro/2003

Reiniciando as Atividades
As histórias sempre nos proporcionam grandes lições. Desejo compartilhar convosco a dos lenhadores.
Um jovem, habilidoso e rápido no corte de lenha, procurou o melhor cortador de lenha da região, pois desejava tornar-se seu discípulo e aper-feiçoar conhecimento e capacidade.
O mestre concordou e foi lhe ensinando. Não se passou muito tempo e o discípulo julgou que já era muito melhor que o mestre. Por isso, o desafiou para uma competição em público. O mestre aceitou. Tudo preparado, teve início a competição.
O discípulo trabalhava no corte de lenha sem parar, e, de vez em quando, olhava para conferir como estava o trabalho do mestre. E via que, muitas vezes, este se encontrava sentado. Daí o jovem continuava cortando e pensava: "Já ganhei! Também, coitado do mestre, realmente está velho!"
Ao término da competição, o júri foi medir os resultados. O mestre havia cortado mais lenha que o discípulo. Ai o jovem ficou indignado e disse ao vencedor: "Não consigo entender. Não parei de cortar lenha o dia inteiro e o fiz com toda energia e garra. E cada vez que olhava para o senhor, via que estava descansando!"
O mestre respondeu: "Não, meu jovem, eu não descansava... Eu estava amolando o meu machado, para que cortasse melhor. Você, tão empolgado em cortar mais lenha, esquecia este pequeno grande detalhe".
O nosso machado é a nossa prática. Precisamos continuar afiá-la e aguçá-la, se não ela perderá o corte, isto é, não terá capacidade de exercer com competência sua tarefa e missão.
É por isso que, neste mês de fevereiro, ao reiniciarmos nossas atividades pastorais na Diocese, nas paróquias e nas comunidades queremos "amolar nosso machado".
De que jeito?
Graças a Deus, em nossa Igreja Particular existe um esforço enorme de evangelização e de ação pastoral. São milhares de pessoas, nas diferentes frentes de oração, reflexão e ação, trabalhando para que o Reino do Senhor se desenvolva e o Povo de Deus seja mais amado e melhor servido. A cada agente quero agradecer de coração e louvar profundamente por tanto zelo e dedicação.
Mas, às vezes, nos acontece como aquele jovem lenhador: trabalhamos, trabalhamos, trabalhamos, porém os resultados são reduzidos, pois falta "amolar o machado", isto é, nos falta "articular melhor e planejar em conjunto". A ação evangelizadora e social não pode ser uma iniciativa baseada somente na boa vontade e no esforço individual.
Planejar é aprender a envolver todas as pessoas que participam das atividades; é ter clareza de aonde queremos chegar e como chegar; e somar os recursos humanos e materiais; é buscar atingir todas as dimensões, evitando de alcançar umas e omitir outras.
Por isso, acontecerão vários encontros de estudo e reflexão. Chamamos tais encontros de "Fóruns".
a) Fórum de Comunicação, no dia 08, às 09:00h, no CEPAL
b) Fórum de Formação, no dia 11, às 15:00h, no CEPAL
c) Fórum das Pastorais Sociais, no dia 15, às 09:00h, no CENFOR.
d) Fórum dos Estatutos e Regimentos, no dia 22, às 09:00h, no CEPAL.
Para que todos estes Fóruns?
Vários são os objetivos: trabalhar em sintonia; não perder de vista as finalidades e os objetivos; aproveitar melhor os recursos humanos e materiais a nossa disposição; evitar esforços inúteis e repetidos; entender com maior clareza o próprio trabalho; garantir a continuidade da caminhada, priorizando e distinguindo o essencial do secundário.
Portanto, contamos com a presença de quantos queiram ajudar nossa Diocese a realizar sua missão. O auxílio de todos e de cada um em particular é de extrema importância. Quando o trabalho é bem planejado e articulado, produz frutos, evita a rotina e o cansaço, faz crescer nos participantes o interesse, favorece a contínua criatividade e proporciona a unidade num ambiente de alegre fraternidade.
Evidentemente, não pode faltar a espiritualidade que é a base e a alma de toda atividade pastoral. "Se o Senhor não construir a casa, em vão labutam os construtores".
Portanto, rezemos pelo êxito desse esforço.
Dom Luciano Bergamin, CRL


Março/2003

Pastoral da Acolhida
Muitas dioceses, paróquias e comunidades pelo Brasil afora, escolheram para o ano de 2003 como prioridade a Pastoral da Acolhida. Acredito que seria bom que todos nós, cristãos da Diocese de Nova Iguaçu, procurássemos valorizar mais esta pastoral que é como a base e o ambiente natural no qual as demais podem desenvolver-se.
Conhecem a história dos pregos?
Havia um garoto que tinha um temperamento muito ruim, com a maior facilidade perdia a paciência, tratava mal e espantava a todos.
O pai havia tentado todas as maneiras para corrigi-lo, mas sem resultados. Finalmente, deu-lhe um saquinho cheio de pregos e lhe disse: "Toda a vez que perder a paciência e tratar mal a alguém, você deverá cravar um prego atrás da cerca". No primeiro dia, o jovem enfiou 37 pregos. Em algumas semanas, conforme ele conseguia controlar-se, o número de pregos foi se reduzindo gradativa-mente. Chegou o dia em que o garoto não perdeu a paciência nenhuma vez. Feliz, contou isto ao pai que lhe sugeriu que agora retirasse um prego por dia que ele conseguisse controlar seu temperamento. O esforço continuou. Um dia o filho se aproximou do pai e, feliz, lhe sussurrou: "Pai, já retirei todos os pregos da cerca!"
Então o pai segurou sua mão e levou-o até a cerca e disse: "Você foi muito bom, meu filho, mas olhe os buracos na cerca. Ela jamais será a mesma. Quando você não acolhe bem as pessoas e diz coisas com raiva, estas coisas deixam cicatrizes, exatamente como estas. É como você enfiar a faca em uma pessoa e retirá-la. Mesmo que você peça desculpas, o buraco estará lá, do mesmo jeito. Um ferimento verbal é tão ruim quanto um físico".
Jesus Cristo, o Bom Pastor e o Bom Samaritano, nos ensina a acolher e tratar as pessoas. É só ler com atenção os Evangelhos. Como o Senhor sabia atender, escutar e sintonizar com todos. Mais ainda, procurava a quem estava distante, abandonado e sofrido, para lhe oferecer a mão salvadora e animadora.
A Pastoral da Acolhida torna-se em nossos dias um testemunho forte do amor e uma postura missionária, quando há tantos nossos irmãos e irmãs que precisam se encontrar com alguém que os ouça, atenda lhes reacenda a esperança e lhes mostre o rosto terno e amigo de Nosso Senhor.
As nossas comunidades devem ser o lugar privilegiado da acolhida, onde todos, sobretudo os que são menos amados e valorizados, possam sentir-se bem e tenham a certeza de serem tratados com dignidade e apreço. Precisamos transformar nossas estruturas em "casas de acolhida".
Eu fico feliz quando alguém me fala: "Dom Luciano, fui tão bem tratado naquele comunidade... Dá gosto voltar para lá." Ao contrário, fico chateado e triste quando alguém comenta: "Fui tratado mal... ninguém dá atenção". Ou, pior, quando afirma-se: "Parece que na Igreja existe diferenças; enquanto umas pessoas são carregadas na palma da mão, outras nem vistas são".
Se Deus quiser, na próxima edição do jornal, escreverei algumas dicas e sugestões para a vivência da Pastoral da Acolhida.
Finalizando, transcrevo uma mensagem sobre o "SORRISO". Acredito que pode auxiliar a todos nós evangeliza-dores, padres, diáconos, seminaristas, consagrados(as) e leigos(os):
- Não custa nada e rende muito; enriquece quem o recebe, sem empobrecer quem o dá.
- Dura somente um instante, mas seus efeitos perduram para sempre.
- Ninguém é tão rico que dele não precise; ninguém é tão pobre que o possa dar.
- Leva a felicidade a todos e a toda parte; é símbolo da amizade, da boa vontade; é alento para os desanimados.
- Não se compra nem se empresta; nenhuma moeda do mundo pode pagar seu valor.
- Não há ninguém que precise tanto de um sorriso, como aquele que não sabe mais sorrir.
Um abraço fraterno com bênçãos divinas.
Dom Luciano Bergamin


Abril/2003

Ainda Sobre a Acolhida
Continuando a reflexão iniciada na edição de março, quero oferecer algumas considerações sobre a importância da Pastoral da Acolhida, deixando para o mês de maio umas pistas concretas. Antes, porém, um episódio verídico que nos ilumina.
Certo dia, um senhor idoso foi visitar um padre. Queria que este o ajudasse a resolver algumas dúvidas de fé. Durante toda a vida, ele fora ateu, pois ele não conseguia acreditar que Jesus tivesse realmente ressuscitado da morte.
Quando entrou na casa do sacerdote, este estava atendendo outra pessoa. Mas logo que avistou o velhinho de pé no corredor, correu para ele sorridente e ofereceu-lhe uma cadeira para sentar.
Quando terminou e se despediu da pessoa, o sacerdote convidou o idoso a entrar. Este lhe expôs a questão, e o padre lhe respondeu demoradamente. Ao término do longo colóquio, o idoso falou que se convertera, queria conhecer melhor os Evangelhos, receber os Sacramentos e aprender a rezar.
O padre ficou contente, mas, ao mesmo tempo, surpreendido com uma mudança tão rápida e lhe perguntou:
- Depois desta nossa longa conversa, diga-me, por favor, qual foi o argumento que o convenceu de que Cristo ressuscitou e continua vivo no meio de nós?
O senhor idoso respondeu:
- Mais do que seus argumentos, foi o seu gesto de me oferecer uma cadeira para eu sentar.
Toda nossa Pastoral pressupõe uma rede de relações entre as pessoas. Por isso, é importante lembrar que:
1. Todas as pessoas gostam de ser tratadas bem, com cortesia, simpatia, alegria e amizade.
2. O que importa não é somente a primeira impressão, mas também a segunda, a terceira, a quarta, ...
3. Um "bom dia", "boa tarde", "boa noite", "você está bem?", "precisa de ajuda?" ditos com alegria e com a satisfação de servir, valem mais do que tantos planos de pastoral sem alma e coração.
4. Nada substitui um contato humano e caloroso.
5. Todos querem se sentir únicos, importantes, esperados, ouvidos e atendidos.
6. O tempo em que estamos na frente das pessoas é o nosso horário nobre.
7. Quanto mais agilizamos o atendimento às pessoas, mais criamos sua satisfação, alegria e engajamento.
8. A pessoa pode não estar com razão, mas ela está sempre em primeiro lugar.
9. As pessoas bem acolhidas retornam à comunidade e fazem uma linda propaganda da mesma.
10. Porém o princípio contrário também vale...
São coisas que nós devemos fazer e pensar... Há algo em nossa prática pastoral que precisa ser melhorado? Procuramos sempre priorizar as "pessoas" sobre "as atividades e as coisas"!!!
São Francisco de Sales afirmava que se conquistam mais moscas com uma gota de mel do que com um barril de vinagre! Com um gesto de nervosismo e de arrogância podemos estragar anos de esforço e zelo!
Um pensamento sobre o tempo litúrgico que vivemos: QUARESMA, SEMANA SANTA e PÁSCOA. São o centro do nosso Ano Litúrgico. Faço votos que todos nós consigamos realmente vivenciar estes dias com intensidade de amor, participando com assiduidade e fervor das celebrações nas comunidades.
É o Cristo que nos ensina a respeitar e valorizar a 3a idade.
É o Cristo que sofre e dá sua vida na cruz para ser fiel até o fim ao plano de amor infinito de Deus Pai.
É o Cristo que nos ensina a amar, servindo e dando a vida para o próximo, sobretudo para os necessitados.
É o Cristo que vence a morte e ressuscita para ser a garantia de que sempre o bem prevalece e que caminhamos para a vida.
Então, irmãos e irmãs queridos, TENHAM TODOS UMA SANTA E RENOVADORA PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO! Que a Diocese caminhe firme seguindo os passos de Jesus.
Com as bênçãos divinas.
Dom Luciano Bergamin, CRL


Maio/2003

Algumas pistas para a Pastoral
da Acolhida
1. Empenhar-nos todos nós - bispos, padres, diáconos, consagrados(as), seminaristas, secretárias paroquiais, funcionários da Diocese, ministros(as), agentes de pastorais - para termos sempre uma postura acolhedora, evitando o nervosismo, a impaciência, a discriminação e a arrogância... Nosso povo anda já tão sofrido e pisoteado, que não devemos impor mais pe-sos e humilhações. Sorriso, serenidade e paciência resolvem melhor do que tantos sermões.
2. Acolher carinhosamente as pessoas nas nossas igrejas e ambientes comunitários e dar as boas vindas. É bom, de vez em quando, que quem preside ou coordena, esteja na porta acolhendo o pessoal ou se despedindo dele no fim dos encontros.
3. Visitar as novas famílias que chegam as comunidades, assim como visitar as famílias nos momentos especiais de alegria e tristeza: alegrar-se com que ri e chorar com quem sofre.
4. Melhorar a comunicação interna na Igreja, com avisos e boletins que cheguem nas mãos de todas as famílias (não somente daquelas que participam). Nosso jornal diocesano "Caminhando" deve ser um elo que mantém viva e unida a Diocese. Seria importante que as Equipes de Acolhida ou de Comunicação das comunidades o entregassem em mãos às pessoas, e que nos avisos ou até nas homilias fosse motivada a sua leitura. Sempre vale o princípio: A propaganda é a alma do negócio!
5. Revalorizar o sacramento da reconciliação por parte do sacerdote, mas também a experiência do aconselhamento feito por parte de leigos. Que tal, haver alguém, além do padre, que se disponha,
nas comunidades, a escutar a quem precisa "desabafar e pedir um conselho". Nossa pastoral deve atender às massas, mas também às pessoas individualmente. Há tanta necessidade da
"Pastoral da Escuta".
6. Ter nossos templos abertos durante o dia e não somente no horário da missa ou culto. É um desafio grande, porém urgente. Exige que montemos uma estrutura com a colaboração vigilante de leigos(as). Porém, que vantagem e lucro pastoral! Faço uma comparação: se fossemos donos de padaria, de farmácia, de shopping,... abriríamos somente poucas vezes por semana e durante algumas horas? Sem ficar com ciúmes dos nossos irmãos crentes, mas muitos deles tem seus templos abertos constantemente e sempre com alguém que convida os que passarem a entrarem. Nossa Igreja deve ter as portas abertas: as das construções e, os corações!
7. Cuidar para que nossas igrejas e ambientes comunitários sejam locais acolhe-dores: sem luxo e sem vaidade (nem Deus nem nós precisamos disto!); porém com decoro e bom gosto. O olho também quer a sua parte: um toque de elegância não custa muito e alegra os corações.
8. Acolher bem e valorizar as pessoas novas que querem ajudar e colaborar. Dar chances para elas, também se no co-meço, é evidente, patinam um pouco. Afinal, ninguém nasceu sabendo tudo. Freqüentemente, reclamamos que nossas pastorais poucos ajudam e que são sempre as mesmas pessoas a carregar os fardos... E no entanto, quando alguém aparece para reforçar as filas, às vezes, quanta dificuldade encontra! Abramos as portas ao novo! Por outro lado, as pessoas que entram, tenham a delicadeza e o bom senso para valorizarem tudo aquilo que foi anteriormente semeado e construído. Afinal, Salvador só existe um: Jesus Cristo!
E agora algumas rápidas considerações sobre o Mês de Maio.
Ele inicia com o Dia dos Trabalhadores. Parabéns a eles e a elas. E que possa aumentar o número de empregos. Estamos com o programa FOME ZERO, mas sonhamos também com outro EMPREGOS 1000!
Maio mês das Mães. Obrigado a todas as mães, geradoras e educadoras da vida! Coragem e paciência!
Maio mês de Maria e da reza do Terço nas famílias.
Façamos uma grande corrente, com o terço nas mãos, por mais empregos, pela paz, pelas famílias e pelo Ano Vocacional.
E a História do mês? Convido para que cada um a escreva, não com a caneta, mas com a prática da vida. Certamente, não faltam as motivações. Ela sairá maravilhosa!
Com as bênçãos divinas.
Dom Luciano Bergamin
Bispo Diocesano


Junho/2003

41ª Assembléia Geral da CNBB
Do dia 30 de abril ao dia 09 de maio, em Itaici (SP), aconteceu a 41a Assembléia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). É um acontecimento eclesial que se repete todos os anos: um verdadeiro Pentecostes. Mais de 300 bispos católicos, vindo de 270 dioceses, com a ajuda de aproximadamente 120 assessores, se reuniram, dedicando-se à oração, à convivência fraterna e aos trabalhos voltados para a missão pastoral no país.
Foi uma assembléia de intensa vida cristã, realizada em espírito de fé e de prece, na busca da vontade divina, para responder aos desafios do mundo atual. Todos os dias havia a celebração da Santa Missa e a reza da Liturgia das Horas. Tivemos um dia inteiro de retiro, pregado por Dom Eduardo Koaik sobre o "Ministério da Misericórdia". Também estivemos em peregrinação na igreja de Guadalupe, em Campinas, a fim de comemorarmos o Ano do Rosário.
Houve muita fraternidade e simplicidade, no meio da seriedade dos assuntos tratados. Sem dúvida um gesto bonito de solidariedade eclesial foi repartir fraternalmente as despesas de viagem e as diárias da hospedagem.
A Assembléia teve muitas tarefas; as mais importantes foram duas:

1ª - Traçar as novas Diretrizes Gerais para a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. O Objetivo Geral ficou assim formulado: Evangelizar, proclamando a Boa Nova de Jesus Cristo, por meio do serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão, à luz da evangélica opção pelos pobres, promovendo a dignidade e a santidade da pessoa, renovando a comunidade, formando o povo de Deus, e participando da construção de uma sociedade justa e solidária, a caminho do Reino definitivo.
2ª - Eleger os Bispos da Presidência e das Comissões, que terão a responsabilidade de animar e conduzir os caminhos pastorais da Igreja Católica.
São 10 Comissões estáveis que procuram atender às exigências e aos desafios levantados no mundo atual. Cada comissão contará com mais bispos e assessores que serão escolhidos em breve.
Outros assuntos estudados foram: a conjuntura social e religiosa, a vida e o ministério dos presbíteros, o mutirão para superação da miséria e da fome; os direitos nacionais da Catequese, e da Pastoral Familiar; Teologia da Igreja Particular e dos Movimentos.
Também foi emitida uma Mensagem para o Dia do Trabalho. Nós, Bispos do Regional leste 1, estado do Rio de Janeiro, lançamos uma Mensagem a respeito da violência que fere nosso Estado.
Tivemos comunicações sobre a Liturgia, a 4ª Semana Social, a Pastoral Carcerária, etc.
Impressionante foi o apelo feito pelos Bispos da Amazônia, enfocando a necessidade de mais evangelizadores (padres, consagrados, leigos) naquela região.
Como se vê, a pauta foi extensa e, agora, grande é a nossa missão.
Precisamos estudar as novas Diretrizes Gerais a fim de darmos uma resposta evangelizadora à sociedade que nos interpela. Para tanto, contamos com a força divina. Porém, devemos colocar também todo nosso esforço e empenho.
Durante a Assembléia tive a oportunidade de conversar com Dom Werner: está bem e envia saudações a todos. Igualmente foi-me possível dialogar com Dom Luiz Pepeu que é Bispo da nossa Igreja irmã, Afogados da Ingazeira. Quem sabe, possamos renovar o nosso compromisso missionário com aquela Diocese.

O mês de Junho nos reserva vivências diocesanas muito significativas:
PENTECOSTES: a presença transformadora do Espírito Santo que anima, santifica e vivifica a Igreja e o universo.
CORPUS CHRISTI: o Senhor Jesus, que constantemente renova seu sacrifício de salvação, se oferece como alimento e permanece constantemente, comprometendo-se na construção de uma sociedade solidária.
SANTO ANTÔNIO: Padroeiro da Diocese. Que seu exemplo nos estimule a repartir o pão que sacia o corpo e o pão que sacia o espírito.
FESTAS JUNINAS: a alegria e a esperança sejam notas constantes de nossas comunidades.
Um abraço fraterno, com as bênçãos divinas.
Dom Luciano Bergamin, CRL


Julho/2003

Realmente, a estratégia é necessária!
Uma pessoa amiga, sabendo que eu gosto de anedotas, me enviou essa que passo a transcrever.
Um velho vivia sozinho. Queria cavar seu jardim, mas era para ele um trabalho muito pesado. Infelizmente, seu único filho, reclamando do seu problema: "Querido filho, estou triste porque, ao que parece, não vou poder plantar meu jardim este ano... Estou velho demais para capinar. Se você estivesse aqui, eu não teria esse problema, mas sei que você não pode me ajudar com o jardim, pois está na prisão. Com amor, papai".
O filho recebeu a carta. Pensou e respondeu imediatamente assim: "Papai, pelo amor de Deus, não escave o jardim! Foi lá que eu escondi os corpos".
As quatro horas da madrugada do dia seguinte, uma dúzia de policiais apareceram e escavaram o jardim inteiro, sem encontrar nenhum corpo.
Confuso, o velho escreveu novamente uma carta para o filho, contando o que acontecera.
Esta foi a resposta:
"Papai, agora pode plantar seu jardim. Isso é o máximo que pude fazer no momento!"
Nada como uma boa estratégia, para conseguir coisas que parecem impossíveis.
Sabemos que a grande tarefa da Igreja é evangelizar.
As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas em maio deste ano e que nortearão nosso trabalho pastoral até 2006, expõe o seguinte Objetivo Geral: "Evangelizar, proclamando a Boa Nova de Jesus Cristo, por meio do serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão, à luz da evangélica opção pelos pobres, promovendo a dignidade e a santidade da pessoa, renovando a comunidade, formando o povo de Deus e participando da construção de uma sociedade justa e solidária, a caminho do Reino definitivo'.
Mas, como evangelizar hoje nos centros e nas periferias das grandes cidades?
Qual a estratégia certa e eficaz?
Não é fácil nem simples dar uma resposta imediata e concreta. É necessário estudar, pensar e agir juntos, sob a luz do Espírito Santo, na fidelidade ao Senhor Jesus, a Igreja viva com seu Magistério e a humanidade atual.
Neste mês de julho, entre os dias 14 e 18, acontecerá no Centro de Formação para Líderes, CENFOR, a 5a Semana Interdiocesana de Formação, com o seguinte tema: "Os desafios que interpelam a Igreja no 40 anos da Lúmen Gentium (o documento do Concílio Vaticano II a respeito da Igreja)".
O que fazemos e esperamos em relação a evangelização?
Como pode se notar é uma ocasião excelente para uma reflexão séria que leve a uma prática melhor. Estarão presentes também irmãos e irmãs das Dioceses vizinhas.
Dentro do Curso, teremos duas atividades abertas a toda a população cristã:
1a: Na noite do dia 15 (3a feira), às 19:30h, na Catedral Diocesana, um painel, animado pelos Bispos, apresentando as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora na Igreja no Brasil.
2a: Na noite do dia 16 (4a feira), às 19:30h, no SESC, uma importante palestra: " A caminho da 2a Conferência Nacional de Segurança Alimentar Nutricional Sustentável".
Aproveito, então deste espaço para exortar vivamente: "Quem puder, participe". Vale a pena! Sem dúvida, será um investimento precioso, capaz de garantir um retorno seguro.
Outro acontecimento eclesial que se dará neste mês, terá sua sede em Belo Horizonte. É o 1o Congresso Missionário Nacional, em preparação ao 2o Congresso Americano. Reunirá representantes e delegados de todas as Dioceses do Brasil. Terá como tema central: "Igreja no Brasil: tua vida e missão". Sua finalidade é anunciar o evangelho da paz a partir da pobreza, da alteridade e do martírio no meio de nós. Sempre me impressionam as palavras fortes e proféticas do Papa: "Uma Igreja que não é missionária e não vive como missionária, nem Igreja é".
Que Deus toque nossos corações afim de que sejam fervorosos e ardorosos.
Com as bênçãos divinas.
Dom Luciano Bergamin, CRL
Bispo Diocesano


Agosto/2003

O Amor: alma de toda vocação

Uma família de tartarugas decidiu sair para um piquenique. As tartarugas, sendo naturalmente lentas, levaram sete anos a fim de se prepararem para o passeio. Finalmente a família de tartarugas saiu de casa para procurar um lugar apropriado. Durante o segundo ano de viagem encontraram o local ideal. Por aproximadamente seis meses limparam a área, desembalaram a cesta de piquenique e terminaram os arranjos. Então descobriram que tinham esquecido o sal. Todos concordaram que um piquenique sem sal seria um desastre. Após uma longa discussão, a tartaruga mais nova foi escolhida para voltar em casa e pegar o sal, pois era a mais rápida de todas. A pequena tartaruga lamentou, chorou e esperneou. Decidiu partir a uma condição: que ninguém comeria até que ela retornasse. A família consentiu e a pequena tartaruga saiu.
Passaram-se três anos e ela não tinha retornado. Cinco anos... seis anos... Então, no sétimo ano de sua ausência, a tartaruga mais velha não agüentava mais conter sua fome. Anunciou que ia comer e começou a desembalar um sanduíche.
Nesta hora exata, a pequena tartaruga saiu de uma árvore, onde tinha ficado escondida todo aquele tempo e gritou: "Viu! Eu sabia que vocês não iam me esperar. Agora que eu não vou mesmo buscar o sal!"
Este conto chinês, nos seus evidentes exageros, retrata bem a realidade.
Muitas vezes nós desperdiçamos o tempo, esperando que as pessoas vivam à altura de nossas expectativas. Ficamos tão preocupados com o que os outros estão fazendo ou deixando de fazer, dizendo ou deixando de dizer, que não cumprimos com aquilo que é nosso dever e tarefa. A inveja corta nossas asas de voar mais alto.
Uma pessoa que não constrói, em sua existência, uma história de amor, não vive; simplesmente passa neste mundo, mas sem deixar rastros significativos.
Nossa história acontece no dia-a-dia: fazer com amor e por amor todas as ações; ser amor nas mãos, no coração, nos pensamentos e nas emoções; cumprir com o que o poeta escreve: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena".
A frustração é não amar e fechar-se em si mesmo, no próprio individualismo e egoísmo, sem abrir-se com generosidade aos outros. Por que muitas pessoas vivem infelizes, insatisfeitas, tristes e recalcadas? Porque não transformam o seu dia-a-dia em um ato de amor. Fazem tudo simplesmente por fazer, por pura obrigação e fiscalizando os outros, em vez de oferecer o melhor de si mesmo a Deus e ao próximo.
Quantas vezes perdemos oportunidades de crescer, simplesmente "vendo a banda passar" ou criticando os outros, em vez de construir o que Deus espera da gente.
Nossa existência de amor precisa ser escrita nos corações com a tinta da dedicação e da ternura, com as letras da generosidade e do serviço, com o papel da acolhida e do trabalho.
Morre realizado quem tem gravado infinitas e singelas histórias de bondade nos caminhos da humanidade, a exemplo de Jesus do qual o povo afirmava: "Ele faz bem a todas as coisas".
É nesta dimensão da caridade que devemos entender a vocação cristã de batizados e todas as vocações específicas.
Sejamos leigos e leigas, pais e mães de família, padres ou irmãs, solteiros ou casados... sempre precisamos colocar como alicerce da nossa prática de vida o amor-doação. Deus é amor. Quem ama, vive; quem não ama é um cadáver ambulante.
Um autor desconhecido assim se expressou: "Somente a água que damos de beber ao próximo... poderá saciar nossa sede. Somente a roupa que doamos... poderá vestir nossa nudez. Somente o doente que visitamos... poderá nos curar. Somente o pão que oferecemos ao irmão necessitado... poderá nos satisfazer. Somente a palavra que suaviza... poderá nos consolar. Somente o prisioneiro que libertamos... poderá nos libertar!"
Peço a Deus que possamos vivenciar o mês vocacional com muita intensidade e garra.
Dentro do Ano e Mês Vocacional, contamos com a presença de todos na festa do nosso Seminário, a "Casa da Esperança", nos dias 16 e 17. Será um sinal "visível e concreto" de quanto amamos a Diocese.
Um abraço fraterno, com as bênçãos divinas.
Dom Luciano Bergamin, CRL
Bispo Diocesano


Setembro/2003

O CHEQUE ESCONDIDO E A BÍBLIA

Um rapaz ia muito mal. Então, o pai propôs um acordo: "Meu filho, se você se dedicar aos estudos e conseguir ser aprovado para a Faculdade de Medicina, eu lhe darei um carro de presente". Por causa do carro, o jovem mudou totalmente: tanto estudou que foi aprovado para o Curso de Medicina. Na festa de comemoração, o pai elogiou o filho e lhe ofereceu uma caixa de presente. Crendo que ali estavam as chaves do carro, o rapaz abriu emocionado o pacote. Mas, como ficou decepcionado ao ver que o presente era uma Bíblia! Nada disse; porém, a partir daquele dia, sentindo-se traído, saiu de casa, foi morar na Cidade universitária e raramente dava notícias à família. O pai ficou muito triste com isso, adoeceu e veio a falecer. Depois do enterro, a mãe chamou o filho e lhe entregou, novamente, aquela Bíblia que fora o presente do pai, e que tinha sida deixada de lado pelo filho. Quando este, ainda ressentido, a colocava numa estante, percebeu que havia um envelope dentro dela. Ao abri-lo, encontrou uma carta e um cheque. A carta dizia: "Meu querido filho, sei quanto você deseja ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque. No entanto, fiz questão de lhe dar um presente ainda melhor. A Bíblia Sagrada. Nela aprenderás a viver, sentindo-se amado por Deus e amando seu próximo."
Corroído de remorso, o rapaz caiu em um profundo pranto e pediu perdão.
A Bíblia Sagrada é o lindo presente que Deus nos oferece! Ela contém a Palavra do próprio Senhor e sua História de amor com a humanidade. O que nós cristãos devemos fazer com o livro Santo? Ler, meditar, contemplar, praticar e anunciar. Nele nossa fé cristã tem suas raízes.
As Novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora assim se expressam: "A escuta e acolhida da Palavra de Deus - desde que traduzidas coerentemente em atos - são fundamento da vida e da missão da Igreja" (20).
Tradicionalmente, o mês de Setembro é dedicado à Bíblia. Neste ano somos convidados a meditar as Cartas de São Pedro, tão ricas e atuais para a nossa época.
Sei que muitas Paróquias proporcionam Semanas de Estudo Bíblico. Parabenizo e incentivo vivamente. Gostaria que isto acontecesse em todas as paróquias!
Dói ao coração, não é? Quando ouve-se dizer: "Os católicos desconhecem e não valorizam a Bíblia!" Nós católicos queremos ser verdadeiramente "ouvintes assíduos.
Outra maneira concreta de estudo e de vivência da Palavra é através dos Círculos Bíblicos.
Depois do Concílio Vaticano II, no esforço da renovação da Pastoral e da Vida Paroquial, foram constituídos, no Brasil inteiro, muitos Círculos Bíblicos: pequenos grupos de fiéis, geralmente vizinhos da mesma rua, que se reuniam, pelo menos uma vez ao mês, em torno da Palavra de Deus, em um ambiente de fraternidade, na busca de construir o Reino de Deus.
Quantas pessoas através deles se reencontram com o Senhor e com a Igreja, amadurecem na fé, integrando-a com a vida e deram sua participação e colaboração às comunidades e a sociedade civil!
Na última festa de Santo Antônio, nosso Padroeiro, pedi como compromisso que na Diocese inteira os reavivássemos: onde já existem, que continuem com renovado ardor! Onde não acontecem, que sejam iniciados com muita garra!
A Equipe Diocesana dos Círculos Bíblicos foi reorganizada e está se empenhando bastante na elaboração dos temas bem ligados à nossa realidade. Quero manifestar aos membros da equipe diocesana e a todos os (as) animadores (as) dos grupos a gratidão sincera da diocese. Agora depende de nos assumir e realizar o sonho eclesial: que a Palavra de Deus realmente penetre e dirija a vida das comunidades, das paróquias e dos regionais.
Um grande abraço com as bênçãos divinas.
Dom Luciano Bergamin, CRL
Bispo Diocesano


 

Outubro/2003

JOVENS E MISSIONÁRIOS

Ao ler as Novas Diretrizes da Ação Evangelizadora, vendo com quanta insistência falam a respeito dos jovens, recordei-me de um fato verídico:
Um jovem estudante francês chamado FREDERICO OZANAM, passeando uma noite pelas ruas de Paris, entrou por acaso em uma igreja. Não era nem incrédulo e nem fervoroso. Eis que dentro da igreja ele viu um homem ajoelhado, rezando. O jovem pensou consigo: "Eis ali uma pessoa bem religiosa". Aproximando-se, ficou espantado ao perceber que era o professor Ampère, o cientista mais famoso da França, descobridor da eletricidade dinâmica. Fazendo-se coragem, exclamou "Professor, o senhor, tão célebre no mundo, ajoelhado numa igreja?". O cientista respondeu: "Meu filho, nunca eu sou tão importante como quando me ponho de joelhos perante o Senhor do universo!"
O rapaz retirou-se, sentou-se num banco e pensou: "Se um homem notável como este não se sente diminuído em expressar publicamente sua fé, por que deveria eu ter vergonha de manifestar, perante meus colegas de estudo, que sou católico e que sigo os mandamento de amor para com Deus e o próximo?".
A partir daquele momento, Frederico Ozanam tornou-se um verdadeiro missionário e apóstolo no meio dos amigos. Foi ele que, animado de compaixão pelos pobres de então, com um grupo de colegas universitários, fundou a Sociedade de São Vicente de Paulo, os queridos Vicentinos.
O documento programático da Igreja no Brasil em vários pontos se debruça sobre a realidade dos jovens: sua situação familiar-social-política-religiosa, sonhos, desafios, riscos, necessidades, presença na sociedade e na Igreja. Cito um texto bastante significativo: "cuidado particular merecem os jovens, considerando-se a situação que encontram na sociedade de hoje. Ela lhes apresenta uma oferta imensa de experiências potenciais e de conhecimentos, mas não lhes fornece recursos adequados para satisfazer suas aspirações. Além disso, muitas vezes os desvia para caminhos ilusórios de busca do prazer. Os jovens são um grande desafio para o futuro da Igreja, que deve torná-los protagonistas da evangelização e artífices da renovação social. Grande importância tem uma Pastoral da Juventude, amadurecida e assumida pela Igreja em seu conjunto". (198).
Diante destas palavras claras e precisas, nascem umas perguntas: Como anda nossa juventude? De que maneira podemos ajudá-la a se evangelizar? E de que forma ela pode ser evangelizadora e missionária, atuando na construção de uma Igreja mais viva santa e na realização de uma sociedade mais justa e fraterna?
A Igreja, no Brasil inteiro, exorta e anima os jovens a crescerem em três dimensões: espiritualidade, formação e ação. Pede-se que as Dioceses todas empenhem-se bastante na Pastoral Juvenil e que a Juventude seja uma prioridade na vida das paróquias e comunidades.
Igualmente faz-se apelo às Autoridades Governamentais para que promovam políticas públicas voltadas para a juventude.
A partir dessa preocupação foi nascendo o DIA NACIONAL DA JUVENTUDE (DNJ): uma data para que eles se coloquem realmente, no centro da sociedade e da Igreja, e expressem o que são, desejam e fazem.
Nossa Diocese quer caminhar, nisto também, em sintonia com Brasil inteiro. Por isso, no dia 26 de outubro, na paróquia Rosa dos Ventos, haverá a concentração da juventude da nossa Igreja Diocesana.
Não é só um convite, mas uma verdadeira intimação, para que todos os jovens se façam presentes, qualquer que seja o grupo a que pertençam. Basta ser jovem e ter sonhos de vida e de esperança! Com muita propriedade Pe. Zezinho afirma: "A Igreja será mais jovem, quando os jovens forem mais Igreja".
Nós, adultos, queremos dizer aos jovens o quanto são importantes e como confiamos na capacidade deles! Menciono a palavra do Papa João Paulo II, ele que sabe de maneira extraordinária sintonizar com o coração juvenil, empolgando para a dimensão missionária:
"Jovens, sejam artífices e realizadores da paz. Respondam à violência e ao ódio com o poder fascinante do amor. Nunca se deixem desanimar pelo mal. Vão com confiança ao encontro de Jesus e, como os novos santos. Não tenham medo de falar d'Ele. Sejam apóstolos dos seus coetâneos. Sejam generosos, respondendo como Maria e oferecendo a Deus o sim alegre das suas pessoas e vidas".
Um grande abraço, com as bênçãos de Deus; e até o dia 26!


Dom Luciano Bergamin, CRL
Bispo Diocesano


Novembro/2003

PARA FRENTE, IGREJA DIOCESANA!
Um amigo, certa vez, me confidenciou: "Como é bonita a nossa Igreja, apesar das falhas e imperfeições da gente... Dá gosto ser cristão católico!".
Conforme o Concilio Vaticano II, podemos definir a Igreja como "O Povo de Deus reunido em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo".
A participação dos cristãos todos (bispo, padres, diáconos, consagrados(as), leigos e leigas) nas comunidades, nas pastorais, nos movimentos, nas associações e serviços, cria uma nova face da Igreja.
A partir de nosso batismo, sentimos a beleza e o compromisso de anunciar a fé e de praticá-la, ajudando, assim, na implantação do Reino, isto é, na construção de uma nova sociedade mais justa e fraterna, iluminada e fortificada pela Graça divina.
Em sua caminhada, a Igreja encontra-se no dever de uma dupla fidelidade: às suas origens e às fronteiras. O que são estas origens? O Evangelho e a vivência das primeiras comunidades. E as fronteiras? São os desafios da sociedade atual. Estamos diante de uma nova fase missionária, onde aumenta a consciência: "Nós somos Igreja". Ser católico não é considerado uma obrigação, mas um privilégio, uma graça especial.
Precisamos reverenciar e assimilar a magnífica atuação de nossa Diocese nos seus 43 anos de existência, à luz dos Documentos do Concilio Vaticano II, Sínodo e Assembléia de 2000. Quantas obras de fé, esperança e amor a Deus e ao próximo! Quantos exemplos bonitos e vivos de "pessoas heróicas famosas e anônimas"! Como "essa Igreja da Baixada sofrida e amada" viveu sua missão !
Porém, é nosso dever agora dar continuidade a essa obra que muitos construíram.
Iluminados pelas Novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil, queremos responder aos novos desafios que a Sociedade nos coloca, com a mesma generosidade e com renovado fervor.
Conforme cantamos: "Agora é tempo de Ser Igreja: caminhar juntos e participar". " Ser Igreja no novo milênio, ser Igreja fiel a Jesus, ser Igreja nos tempos de hoje, ser Igreja a caminho de luz".
Animados por esse espírito queremos, no dia 22 desse mês, com uma celebração ao nosso Deus, doador de todos os bens e graças, iniciar a nova Assembléia Diocesana que continuará no ano próximo.
Ela precisará da ajuda e colaboração de todos.
Eis, então, que convido aos irmãos e irmãs para participarem dessa celebração que pretende marcar a Festa de Cristo Rei, o Ano do Rosário, o Ano Vocacional, o Dia Nacional dos Leigos, a busca da Paz contra toda forma de violência, a abertura da Assembléia Diocesana e a nova estrutura da Diocese em 10 Regionais.
Foi montada uma equipe (constando de padres, diácono, irmã, leigos) que auxiliará na organização em diversas fases e etapas.
A caminhada nos lembra o Êxodo, na busca da Terra prometida. O Povo, aos poucos, ia se estruturando para ser fiel parceiro da Aliança com Deus. Nós também queremos ser Povo de Deus buscando construir, junto com o Senhor, seu Reino de Justiça, de Amor e de Paz.
Acolhamos o convite e a proposta que Jesus dirige a nossa Igreja Diocesana : "Avancem para águas mais profundas" (Lc. 5,4). Saibamos crescer, ousar, romper com toda forma de acomodação e rotina, criando um renovado ardor missionário que nos permita não somente "fazer mais", mas, sobretudo "fazer melhor".
Com as bênçãos divinas, pela intercessão da Virgem Maria e de Santo Antônio.
Um grande abraço, com as bênçãos de Deus;


Dom Luciano Bergamin, CRL
Bispo Diocesano


 

Dezembro/2003

A Arte de Coordenar
Com a bên-ção divina, no dia 22 de no-vembro, inicia-mos a Assembléia Diocesana que durará um ano inteiro. Viveremos, assim, um longo período de "graça". Será o tempo necessário para orga-nizar melhor nosso trabalho pastoral e evangelizador na Diocese com os seus Regionais, Paróquias e Comunidades.
Isso exigirá também a eleição das novas Coordenações Diocesanas, Regionais, Paroquiais e Comunitárias.
Coordenar é dispor as coisas de tal modo que tenham ordem. Em todas as atividades humanas faz-se neces-sária uma coordenação. Não dá para imaginar, por exemplo, um time de fu-tebol, um coral, uma escola, onde cada um faça o que bem entender!
Também na pastoral e na evange-lização é preciso haver coordenação, por meio de alguém que assuma essa função. Coordenar é uma verdadeira "arte": exige muita atenção, sensibi-lidade e cuidado. O(a) coordenador(a) deve levar o povo à comunhão e à participação. Fazer tudo sozinho, en-quanto os outros só ficam olhando e comentando não é o caminho.
Então, como deve comportar-se a pessoa que coordena uma ação pastoral na Igreja?
Ela precisa educar-se para isto, aprendendo a saber trabalhar junto com os outros, a distribuir os serviços, a ajudar cada um a assumir seu trabalho, a animar quem está desanimado, a pedir calma e paciência a quem pretende correr demais, a fazer todas as coisas caminharem bem unidas e estar atento para que todos os setores funcionem a contento.
Para que tudo isso seja possível, quem está na coordenação precisa ter fé, es-perança, amor e rezar muito. A vida cristã nasce da escuta da Palavra de Deus: o Senhor fala e nós ouvimos. O anúncio do Evangelho não é algo que se faz na base do "ferro e fogo". É vida em nossa vida. Não se pretende de quem coordena que seja perfeito, mas sim que busque a santidade, a comunhão com Deus e com os irmãos, e a humildade de continuamente aprender.
Quem está na coordenação deve saber bem o que se pretende com determinada ação evangelizadora; como será desen-volvida e qual o resultado que se espera.
E quando, nas comunidades, as coisas não funcionam bem, o que fazer?
Geralmente nós jogamos a culpa nos outros... Mas não é a prática certa. Melhor é cada qual olhar para si mesmo, fazer um exercício de conversão e se perguntar: "Será que a falha não é minha?"
Quem for convidado a coordenar uma comunidade ou uma pastoral ou um serviço, em favor do Povo de Deus, não fique assustado diante da responsa-bilidade, nem recuse o convite e a mis-são. Não é para se amedrontar! Não tenha medo! Ninguém nasce pronto... ninguém sabe tudo... Vamos nos fa-zendo aos poucos, com humildade e boa vontade. Aprendemos a coordenar, coordenando. Importante é realizar as coisas de forma evangélica e participada.
Espero, então que toda pessoa con-vidada para coordenar, aceite de boa vontade, sabendo que, assim, como Jesus, se põe a serviço amoroso dos outros. "Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão".
É tempo de Advento: preparemo-nos bem a festa de Natal, participando com assiduidade da Novena. Desta maneira, além de compreender melhor o mistério da vinda de Deus no meio de nós, poderemos fazer crescer a fraternidade entre nossas famílias, a solidariedade com as pessoas mais necessitadas e a construção de profunda felicidade e verdadeira paz em nossa Baixada.
A todos e a cada um em particular desejo um Natal Santo e um Próspero Ano Novo, com as bênçãos de Deus.


Dom Luciano Bergamin, CRL
Bispo Diocesano