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Fevereiro 2004
Como
Evangelizar?
A
primeira tarefa da Igreja é evangelizar. Isto vale para todos os
cristãos; de maneira especial para os agentes de pastoral de nossas
comunidades. Aí, surge a pergunta: Como evangelizar???
São
Francisco de Assis, num dia de mercado na cidade, saiu do convento e encontrou
Frei Junípero que era muito simples e brincalhão e o convidou
a pregar junto com ele. Junípero respondeu: Francisco, eu não
tenho muito estudo e nem sei falar às pessoas. Mas, devido a insistência
de Francisco, obedeceu. E lá se foram os dois: giraram pela cidade,
rezando em silêncio por todos os que estavam trabalhando. Sorriam
às crianças, sobretudo às mais pobres. Trocaram umas
palavras com os idosos. Acariciaram os doentes. Ajudaram uma mulher a
transportar o cântaro de água e a uma outra a arrumar a banca
onde vendia hortaliças. Depois de ter atravessado o mercado e a
cidade, Francisco disse: Frei Junípero, está na hora de
regressar ao convento. E a nossa pregação?... Francisco
sorriu e respondeu: "Já a fizemos, já a fizemos!".
A grande mensagem que transmitimos como evangelizadores é aquela
adquirida com a Fé e vivida na Caridade.
É sempre bom perguntar-se: Nesta situação, qual seria
a mensagem que Jesus daria? De que modo Ele falaria e se comportaria?
Em
nosso trabalho de Evangelização alguns cuidados são
indispensáveis
Falar
claro: a voz deve chegar a todos os ouvintes. As palavras precisam ser
bem articuladas e claras.
Falar
simples: de maneira que todos compreendam. Não é para buscar
palavras complicadas nem sofisti-cadas. Isto não significa falar
errado ou usar comparações de baixo quilate.
Falar
com carinho: passar sentimentos de amor para aqueles que escutam. As pessoas
não querem discursos acadêmicos ou racionais; querem vida
e sinceridade.
Falar
com objetividade: escolher um assunto só e desenvolvê-lo
bem, sem misturar as coisas.
Falar
com emoção: isto é, com coração, colocando
vida e ânimo, evitando, porém, os exageros... Uma mensa-gem
pode ser linda, mas se for transmitida sem alma, perde toda sua beleza.
Falar
com fé: caso contrário, falamos de Deus, mas não
damos Deus. Devemos sempre prestar atenção para não
projetarmos a nós mesmos. Deus e seu reino devem constituir o eixo
central de nossa pregação e vida.
Falar
com humildade: respeitando e valorizando a história de cada um,
nunca colocando-nos superiores aos outros. O agente de pastoral sempre
se coloca em atitude de serviço amoroso e não de julgamento
prepotente.
Falar
depois de rezar: a mensagem que anunciamos e a vida que trazemos não
são "nossas", são de Deus. Portanto, é
inútil e vão nosso trabalho, se não estivermos plenamente
unidos ao Senhor por meio de uma espiri-tualidade profunda e encarnada.
Antes de "falar de Deus", precisamos "falar com Deus".
Todo esforço deve ser realizado para que a Boa Nova do Evangelho
chegue ao coração das pessoas, não só aos
ouvidos. Movidos pela fé, vamos ser capazes de compreender, amar
e anunciar melhor.
Para
que isto se torne possível, é urgente fazer nossa a advertência
de São Gregório Nazianzeno (santo de IV século):
"Temos de começar por nos purificar, antes de purificarmos
os outros; temos de ser instruídos para po-dermos instruir, temos
de nos tornar luz para alumiar; de nos aproximar de Deus para podermos
aproximar Dele os outros: ser santos para santificar".
Desejo que Nosso Senhor conceda a todos nós vivermos intensamente
a Quaresma, participando das celebrações e dos encontros
promovidos pelos círculos bíblicos sobre o tema da Campanha
da Fraternidade.
Igualmente exorto para que continuemos rezando pela Assembléia
Diocesana e que possamos realizar bem as eleições comunitárias,
paroquiais, regionais e diocesana.
Um
abraço com as bênçãos divinas.
Dom
Luciano Bergamim, CRL
Bispo Diocesano
Março 2004
ASSUMIR
OU NÃO ASSUMIR?
Era
uma vez uma indús-tria de calçados aqui no Brasil que desenvolveu
um projeto de exportação de sapatos para a Índia.
Em seguida mandou dois de seus consultores para faze-rem as primeiras
observações sobre o potencial daquele mercado.
Após alguns dias de pesquisa, um dos consultores enviou o seguinte
fax para a direção da indústria: "Senhores,
cancelem o projeto de exportação de sapatos para a Índia.
Aqui ninguém usa sapatos.
Alguns dias depois, sem saber do primeiro fax, o segundo consultor mandou
o seu: Senhores, tripli-quem o projeto de exportação de
sapatos para a Índia, pois aqui ninguém usa sapatos ainda.
A mesma situação era um tremendo obstáculo para um
dos consultores e uma fantástica oportunidade para outro.
Esta simpática história nos faz pensar a respeito de como
encaramos a maior tarefa que a Igreja recebeu de Jesus, a EVANGELIZAÇÃO.
Os últimos Papas foram enfáticos ao proclamar que a vocação
fundamental dos seguidores de Cristo é a evange-lização,
e que devemos assumi-la com novo ardor e entusiasmo, com linguagem e métodos
adaptados aos tempos atuais. As Diretrizes Gerais da CNBB e nossa Assembléia
Diocesana insistem na mesma tecla.
Existem vários tipos de evangelizadores.
O
evangelizador cansado: vive continuamente se queixando das tarefas difíceis
que lhe cabem. Anda eternamente amargurado, de cara comprida, recla-mando
da pesada cruz que carrega sobre seus ombros. Pensa que, ele sim, sozinho,
está salvando a Igreja. Na verdade, este tipo de evangelizador
perdeu o en-tusiasmo e a motivação no apostolado. Só
sabe recla-mar. Perdeu a alegria de viver e de ser missionário.
O
evangelizador descansado: apregoa e fala: Já cumpri meu trabalho
e missão. Afinal, não mereço descanso, aplauso e
merecimentos? Agora deixo aos outros fazer e continuar a minha obra. Na
verdade, é o cristão acomodado, omisso e preguiçoso.
Ele se julga salvo, em paz com Deus e digno de louvor, porque realizou
algumas obras e um pouco de apostolado no passado. Hoje já não
quer mais nada com a vida apostólica e missionária.
E não falta quem, neste tipo de evangelizador, é somente
capaz de dar palpite, sugestão e conselhos. Mas, na hora, de colocar
em prática, cadê ele? Está longe, sempre com desculpas
esfarrapadas.
O
evangelizador cansativo: perdeu o ardor apos-tólico, o impulso
da fé, a alegria da esperança, o oti-mismo do Evangelho,
o entusiasmo pela Igreja e pela transformação do mundo.
É um cristão que além de estar sempre se queixando
e vivendo de mau humor e saudosismo, cansa os outros. Não aceita
as novi-dades, porque diz "sempre foi assim". Tem resposta para
tudo, mas já não atua mais. Seu coração é
árido e vazio, pois não acredita mais na força transformadora
do Espírito Santo. Eternamente desanimado, procura desestimular
os que ainda lutam, fazem, constroem e perseveram. Para qualquer atividade
proposta pelos outros, só sabe dizer reclamando: "Não
vai dar certo!". Mais do que ajudar, está atrapalhado. Pior
que, às vezes, além de não auxiliar, impede aos outros
de trabalharem e de se doarem. É uma pessoa difícil da gente
suportar e com a qual conviver.
O
evangelizador incansável: aposta todos seus dotes, forças,
talentos, coração, tempo e vida na proclamação
da mensagem libertadora do Evangelho. Está sempre pronto para ajudar.
É um trabalhador incansável, dinâmico, generoso, presente
onde for necessário, encontrando tempo para atender os que delem
precisam. Não se acha um super-herói; sente-se simplesmente
uma pessoa feliz por ter a possibilidade de auxiliar na construção
do Reino de Deus. Trabalha muito; mas nunca sozinho nem isolado. Sabe
pedir e oferecer ajuda. Junto com ele dá gosto trabalhar. No meio
das dificuldades e contrariedades procura sorrir e animar a todos. É
otimista, esperançoso e alegre: um verdadeiro presente de Deus
para a comunidade.
Que
o Senhor nos livre de sermos evangelizadores cansados, descansados ou
cansativos. Nossa Diocese precisa de muitos bons evangelizadores incansáveis.
Vamos todos arregaçar as mangas?
Jesus Cristo, a Igreja e o Povo de Deus aguardam de nós uma resposta
positiva, corajosa e entusiasta!
Um abraço fraterno com as bênçãos de Deus!
Dom
Luciano Bergamim, CRL
Bispo Diocesano
Abril
2004
ATITUDES
HUMANAS DO AGENTE
DE PASTORAL
Atitudes
são compor-tamentos e procedimen-tos que adotamos em nosso relacionamento
com as pessoas.
Se queremos evangelizar como Jesus fazia, precisamos fomentar certas atitudes
e evitar outras. Temos a obrigação de errar quanto menos,
a fim de que a obra do Senhor não fique prejudicada, mas, sim,
possa desenvolver-se da melhor forma.
Atitudes
boas (a serem incentivadas):
Segredo e discrição: que evangeliza ou está a frente
de um grupo de pastoral, recebe sempre confidências por parte das
pessoas. Essas "aberturas de coração" devem parar
no túmulo com a gente, por respeito e consideração
a quem confia em nós.
Conselho:
quando alguém nos pede uma palavra ami-ga, o melhor que se pode
fazer é dar-lhe essa palavra. É importante passar a experiência
que fizemos ou que conhecemos de outros, porém sempre deixando
a pessoas escolher o que deve fazer.
Amizade:
é a dimensão fundamental para quem evan-geliza. Saber ser
amigo e ter amigos. Isto implica em abertura e sintonia de coração,
assim como a capa-cidade de não se fechar em si mesmo, nem ter
ciúme dos outros.
Diálogo:
é a comunicação fraterna entre duas ou mais pessoas,
que permite passar aos outros o que somos e também deles receber
algo. Pelo diálogo, compreendo e me faço compreender.
Entusiasmo:
é a alegria de poder trabalhar a favor do Reino de Deus. O povo
vibra com aquele que vibra diante dele. Líder vibrante é
assembléia vibrante; evangelizador vibrante é evangelização
que se espalha com ardor.
Humanidade:
é a capacidade de compreender a pessoa inteira, com suas qualidades
e defeitos, seu lado esterno e seu interior, sem nos escandalizarmos das
fraquezas alheias. Quando nos tornamos profundamente humanos, somos cristãos
de verdade.
Atitudes
não boas (a serem evitadas):
Suposição: é imaginar, conjeturar e supor coisas,
sem ter certeza das mesmas. É como andar em areia movediça:
quanto mais se mexe, mais se afunda. O que fazer? Procurar falar diretamente
com a pessoas interessada, para que tudo fique logo esclarecido.
Julgamento:
nossa tendência humana é de pensar que nós somos perfeitos
e que os outros estão errados. Por isso julgamos com extrema facilidade,
sem ter co-nhecimento suficiente. Podemos avaliar fatos externos, porém
não conseguimos medir o íntimo de cada pessoa. Por isso
é sábio deixar somente a Deus o direito de jul-gar. Afinal
Jesus foi explícito: "Não julgueis, para não
serdes julgados".
Interrogação
e curiosidade: disposições de quem quer saber tantos detalhes
da vida e do comportamento dos outros, mas não para ajudar e sim
para espalhar e atrapalhar. Há gente que sofre dessa morbosidade:
"Me conta, vá".
Fofoca:
é o comportamento de quem comenta com os outros as falhas de alguém.
Pior ainda quando se trata de calúnia: difamando com acusações
falsas a pessoa do irmão. Lembram a história do cachorro,
do gato e do rato? Todo ser humano, pior que seja, tem o direito à
fama e à honra. Santo é quem sabe "refrear" sua
língua!
SEMANA
SANTA E PÁSCOA
Estamos
celebrando o centro de nossa fé e do ano litúrgico: o mistério
da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.
Faço apelo para que todos nós participemos com assiduidade
e devoção das celebrações litúrgicas.
Esse tempo não é simplesmente para um feriadão social.
É tempo de vivenciar o infinito amor de Jesus que nos convoca a
trilhar seu mesmo caminho: dar a vida para nossos irmãos.
CAMINHADA
DA ASSEMBLÉIA DIOCESANA
De
extrema importância será reunião do dia 17 de abril,
quando, em clima de prece, serão eleitos pelos delegados, o Vigário
Geral, o Pró-Vigário Geral, o Coorde-nador e Vice-Coordenador
de Pastoral. Assumirão, tam-bém, os novos membros do Conselho
Presbiteral. Acom-panhemos esses fatos diocesanos com profunda oração.
Um
abraço fraterno com as benções divinas, desejando
a todos uma Páscoa santa e feliz.
Dom
Luciano Bergamim, CRL
Bispo Diocesano
Maio
2004
QUALIDADES
CRISTÃS
DO(A) AGENTE PASTORAL
"Durante
a guerra, um soldado disse ao seu superior: Meu amigo ainda não
regressou do campo de batalha. Solicito permissão para ir buscá-lo.
O oficial respondeu: Permissão negada. Não quero que você
arrisque a sua vida por um homem que provavelmente está morto.
Apesar da proibição, o soldado saiu e, logo depois, regressou
mortalmente ferido, mas transportando o cadáver de seu amigo. O
oficial ficou furioso: Eu lhe disse que ele já estava morto! Agora,
por causa de sua indisciplina, eu perdi dois homens! Diga-me: valeu a
pena ir até lá para trazer um cadáver?. E o soldado,
moribundo, respondeu: Claro que sim, senhor! Quando encontrei meu amigo,
ele estava ainda vivo e pôde me dizer:
Eu tinha certeza que você viria! Você é um verdadeiro
amigo!"
No mês passado refletimos sobre as qualidades humanas do evangelizador.
Neste mês olharemos as qualidades cristãs propostas pelo
Evangelho.
FÉ: inspirado pela Palavra de Deus, o agente pastoral sente-se
unido e iluminado pelo Senhor, no qual pode depositar totalmente a própria
confiança e segurança. O Senhor é minha luz e salvação.
De quem terei medo?.
ORAÇÃO:
é o meio que nos permite estar e viver em intimidade com o Senhor,
descobrindo sua vontade a nosso respeito. Como falar de Deus, se antes
não falamos com Deus? Evangelizador que não ora muito, pessoal
e comunitariamente, está fadado ao fracasso.
CARIDADE:
é o mandamento próprio de Jesus e a característica
daqueles que o seguem: Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei.
Amor para todos, sobretudo para os mais sofridos e menos amados. Sem a
caridade, a ação evangelizadora é estéril
e morta. Hoje há tanta violência porque muita gente não
se sente amada. O amor é o melhor remédio contra a violência
e o meio mais eficaz da ação pastoral. Senhor, que eu procure
mais amar do que ser amado.
HUMILDADE:
ajuda-nos a não sermos soberbos nem orgulhosos, sabendo louvar
e agradecer a Deus pelos dotes recebidos, valorizando as qualidades e
capacidades que os outros possuem. Tira a tentação de querermos
nos colocar acima dos demais, assim como de pensar que nós temos
sempre a razão e a melhor solução.
PERSEVERANÇA:
a obra de Deus não acontece de um momento para o outro, de forma
milagrosa ou extraordinária. Deus age respeitando a nossa caminhada
que é lenta e progressiva. Por isso, é mister não
desanimar nunca, mas perseverar com constância e determinação.
As dificuldades fazem parte da caminhada.
MISERICÓRDIA:
é ter o coração voltado para as miséria e
limitações humanas. Quem evangeliza não é
chamado a julgar e condenar, a jogar pedra em ninguém; mas, sim,
a compreender e auxiliar, com a atitude do Bom Samaritano.
UNIDADE:
o agente pastoral nunca busca trabalhar sozinho, mas sempre de acordo
com a Igreja: Papa, diocese, Bispo, Regional, Paróquia, Comunidade.
Uma vez decididas as coisas, é indispensável partir para
a ação. Quem desune, criando separações e
panelinhas, com ciúmes e fofocas, não é de Deus.
ZELO:
a Deus e ao seu povo devemos oferecer o melhor de nós mesmos, com
generosidade, dedicação e entrega total.
Conforme afirmava um Santo: No mínimo, dar o máximo.
MISSÃO:
é Jesus que nos envia: Ide pelo mundo inteiro. Anunciai que o Reino
de Deus chegou. Promovei a paz! Vós todos sois irmãos!.
Lembremo-nos do tema de nossa Assembléia Diocesana: Igreja na Baixada:
Comunhão e Missão.
Dom
Luciano Bergamim
Junho 2004
VIDA
E MINISTÉRIOS DOS PRESBÍTEROS
No
final do mês de abril, em Itaici (SP), realizou-se a 42ª Assembléia
da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foram dias
de intensa comunhão eclesial, dedicados à oração,
ao estudo e à fraternidade, reunindo mais de 400 pessoas entre
bispos, padres, diáconos, consagrados, leigos e leigas.
Diversos foram os temas estudados: Vida e ministério dos Presbíteros,
o Projeto Nacional de Evangelização, o Diretório
da Pastoral Familiar, o Diretório para a Catequese, a Comissão
para Amazônia, a Análise de Conjuntura Social e Religiosa,
etc...
Também foram proporcionadas muitas Comunicações importantes
e de interesse geral: umas que preocupam, referindo-se a situações
de miséria, de violência, de injustiça, de falta de
compromisso; outras, graças a Deus, felizes e abençoadas,
expressando a vida de fé, esperança e amor de tantas comunidades,
onde o bem faz desabrochar maravilhas.
A escolha do tema central: "Vida e ministério dos Presbíteros"
revela a grande preocupação da Igreja no Brasil com a qualidade
de vida e o serviço pastoral de seus padres.
O assunto fora debatido anteriormente nas Dioceses, nos Regionais e no
10º Encontro Nacional de Presbíteros.
Os Bispos debruçaram-se longamente, ouvindo e comentando, em verdadeiro
clima espiritual, conscientes que essa reflexão levará certamente
a uma comunhão mais intensa entre os padres e poderá repercutir
beneficamente em toda a vida da Igreja.
Surgiram, então, dois documentos bonitos e preciosos: o 1º
uma carta aos queridos presbíteros e o
2º uma síntese das reflexões.
Há um consenso que os padres no Brasil são esforçados
e trabalham muito. As comunidades esperam bastante deles, por isso sabem
cobrar e nem sempre compreendem sua situação. Algumas não
perdoam limites e fragilidades de seus sacerdotes, não reconhecendo
que eles permanecem seres humanos. Por sua vez, o mundo globalizado passou
a exigir do padre especialização e competência em
questões religiosas, sociais e culturais.
Por isso é cada vez mais necessária uma sólida formação
nos seminários, que deve continuar depois da ordenação,
constituindo-se em "formação permanente". Recentemente,
o Papa repetiu: " A Igreja tem necessidade de ministros de Cristo
bem formados e santos". A formação deve levar em conta
as diferentes dimensões: humana, intelectual, espiritual, pastoral
e fraterna.
A exigente missão do padre está pedindo dele muita fé,
competência, entusiasmo, alegria e grande santidade para enfrentar
os desafios que a sociedade contemporânea apresenta.
Jesus Cristo, o "servo" e o "bom pastor", é
o grande referencial para o ministério do presbítero.
Oremos
pelos nossos padres: para que sejam felizes, identificando-se cada vez
mais com o coração de Cristo, no serviço amoroso
ao povo de Deus.
E que Santo Antônio, padroeiro da nossa Diocese,
interceda por todos os que moram nessa nossa Baixada.
Um abraço fraterno, com as benções divinas.
Dom Luciano Bergamin, CRL
Julho
2004
PROJETO
NACIONAL DE EVANGELIZAÇÃO
Durante
a 42ª Assembléia Geral da CNBB, o Bispo Dom Angélico
Sândalo Bernardino contou que um dia no metrô de São
Paulo um senhor sentou-se ao lado dele. Falou que tinha 38 anos, e lhe
ofereceu o jornal "A Folha da Igreja Universal do Reino de Deus".
Aí o Bispo lhe disse: "Mas esta Igreja é recente. O
que você era antes?". E o homem respondeu: "Católico,
mas não muito praticante. Agora, há dois anos, nesta nova
Igreja, me encontrei com Jesus. Ele transformou a minha vida e a vida
de minha família. Por isso, como posso, trabalho pelo Senhor".
E Dom Angélico concluía: "O encontro criou em mim um
impacto: ficou em nossa querida Igreja católica 36 anos e não
se encontrou com Jesus; na "Universal" se torna evangelizador
no metrô".
Conforme os dados oferecidos pelo Censo do ano 2000, o Estado do Rio de
Janeiro tem, em porcentagem, no Brasil o menor número de católicos,
e o maior número de evangélicos e daqueles que se professam
sem religião.
Pois bem, perante fatos como estes que fazem pensar bastante, e perante
a ordem de Jesus "Ide e evangelizai até os últimos
confins da Terra", a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
lançou, no ano passado, as Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora no Brasil e, agora as concretiza, elaborando este projeto
dinâmico e missionário "Queremos ver Jesus: caminho,
verdade e vida".
Este plano, assumido por todas as Dioceses do País, quer, no vigor
do Espírito Santo, despertar entusiasmo, paixão por Jesus
e pelo Reino do Pai.
Conforme a palavra do Papa, o novo milênio exige, por parte da Igreja,
uma evangelização nova no ardor, nos métodos e nas
expressões.
Todos os seres humanos possuem o anseio não somente de "ver"
Jesus, mas também de "conhecer, seguir, amar e anunciar"
o Enviado do Pai, fonte de vida em abundância para a humanidade.
Esse encontro com o Senhor deve ser "pessoal". Não se
trata somente de uma simples informação a mais; mas sim
de uma verdadeira experiência íntima e mobilizadora, capaz
de transformar a vida e dar um novo sentido à própria existência.
E qual é o "espaço" propício para esse
encontro vital e o lugar onde as pessoas experimentam o amor de Jesus
em ação? A comunidade nas suas diversas dimensões:
Família, Igreja, Sociedade.
Desta experiência de fé nasce a consciência da profunda
identidade que caracteriza os filhos e filhas de Deus, na alegria de serem
discípulos e discípulas de Jesus na comunidade e no testemunho
do Reino do Pai. Isto levará ao processo da conversão contínua:
"Que devemos fazer?", assim como à vivência dos
três serviços básico da vida da Igreja: a Palavra,
a Liturgia e a Caridade. Também iluminará as pistas de ação
no âmbito das quatro exigências fundamentais da evangelização:
serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão.
Este maravilhoso projeto ajuda entender quem é Jesus, quem é
o cristão e qual a missão deste. Não é absolutamente
fruto de um espiritualismo intimista e alienado: ao contrário,
leva a quem descobre o Jesus do Evangelho, na própria existência,
à prática, com urgência, do amor fraterno. Pretende
tornar todos os cristãos verdadeiros missionários e missionárias,
arrancando de um catolicismo acomodado e acanhado para um catolicismo
de busca e encontro dos que estão afastados, abandonados nos diferentes
ambientes. Assim agia Jesus, o Bom Pastor. Deste modo será possível
alcançar as três grandes metas da Evangelização:
promoção da dignidade da pessoa, renovação
da comunidade e participação na construção
de uma sociedade justa e fraterna.
Para tanto precisamos de um "novo banho de Pentecostes": iluminados
pelo Espírito Santo e animados pelo novo ardor missionário,
poderemos realizar esse grande mutirão evangelizador a que a Assembléia
Diocesana nos convoca com seriedade e empenho: "Igreja na Baixada:
comunhão e missão".
Um grande abraço fraterno com as bênçãos divinas.
Dom
Luciano Bergamin
Bispo Diocesano
Agosto
2004
IGREJA
NA BAIXADA:
COMUNHÃO E MISSÃO
Amigos
e amigas, quero nesta mensa-gem compartilhar convosco algumas considerações:
1.a: Nossa Assem-bléia Diocesana está se desenvolvendo no
ritmo previsto. Chegamos à fase de recolhermos os dados oferecidos
pelas comunidades, no estudo das Diretrizes e da realidade. É o
"ver" da Diocese. Sobre isso, iluminados pela Palavra de Deus
e pelo sopro do Espírito Santo, passaremos ao "julgar",
para depois construirmos o "agir". A fim de que esse propósito
alcance seus objetivos, precisamos da oração e da colaboração
de todos.
2.a: O Papa João Paulo II lançou o Ano da Euca-ristia que
culminará em novembro de 2005, quando em Roma acontecerá
a XI Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos,
com o tema: "A Eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão
da Igreja". Somos todos convidados a rezar, mas também a refletir
e até oferecer nossas contribuições sobre este assunto
tão importante e vital para cada cristão e para a Igreja
no seu todo. Recordo um testemunho lindo do saudo-so Dom Helder Câmara:
"O Senhor me deu a graça de poder celebrar a Eucaristia todos
os dias, e de nunca fazê-lo por rotina ou sem devoção".
3.a: O mês de agosto se caracteriza por ser o Mês das Vocações.
Todas elas são valiosas e necessáriaspara a vida e a prática
da Igreja. Rezemos e trabalhe-mos, portanto, para que as comunidades nossas
e do mundo inteiro, possam contar com mais leigos e leigas engajados na
família, na Igreja e na Sociedade; mais consagrados e consagradas
que nos recordem a pri-mazia de Deus; e mais padres e diáconos
a serviço total do Reino. Com particular carinho, peço que
participemos da Festa do nosso Seminário Paulo VI. É uma
maneira concreta de dizer quanto amamos a Diocese.
4.a: No dia 07 de setembro, como de costume, a Diocese irá em Romaria
à Aparecida. É uma tradição maravilhosa pela
qual visitamos a Casa especial da Mãe, Padroeira do Brasil, no
dia em que o País comemora sua Independência e proclama,
pela ação do "Grito dos Excluídos" a vontade
de construirmos um Brasil melhor para todos.
Neste ano queremos dar à Romaria uma tonalidade especial, dentro
da caminhada da Assembléia. Por isso vamos chamá-la: "Romaria
da Assembléia Diocesana". Por isso teremos um momento bem
nosso: de manhã cedo, a Via Sacra, vivenciando os sofrimentos do
Senhor e de seu povo, na busca de uma realidade mais serena. Vamos, então,
incentivar a presença maciça das comunidades!
5.a: Como no Brasil inteiro, nossos Municípios estão vivendo
a Campanha em preparação às Eleições
Municipais.
É um tempo privilegiado para a vivência da cidadania e da
prática cristã. Nossa Diocese elaborou e distribuiu subsídios
para auxiliar a reflexão e a escolha. A Igreja não se identifica
com nenhum Partido ou Corrente política. Porém recomenda
e insiste para dar a preferência a pessoas que conhecemos diretamente
e estimamos por sua retidão moral, honestidade, empenho social,
seriedade, competência profissional, amor à família,
princípios evangélicos e respeito pela nossa Igreja.
Faço um apelo a todos os candidatos, de qualquer Partido, para
que a Campanha Eleitoral seja verdadeiramente uma ação de
alto nível. Não é através de ofensas, calúnias,
baixaria, agressões e violência que iremos construir Municípios
mais felizes, e sim por meio de Programas de Governo inteligentes, sérios
e concretos, capazes de responder às verdadeiras necessidades da
população. Que a Campanha Eleitoral seja exercício
de nossa cidadania madura e correta, e não ocasião para
vingança e ódio entre concorrentes de partidos diversos.
Como no Esporte, assim na Política precisamos aprender a competir,
mas sempre como irmãos e nunca como inimigos.Vivemos um tempo decisivo
que exige de nós entendimento, sabedoria, humildade e fortaleza.
Necessitamos orar mais, com confiança e perseverança, a
fim de que o Espírito do Senhor nos conceda esses seus dons. Como
afirma a Sagrada Escritura: "Feliz o povo cujo Deus é o Senhor!"
Um abraço fraterno, com as bênçãos divinas.
Dom
Luciano Bergamin
Bispo Diocesano
Setembro
2004
A VIDA HUMANA,
EM PRIMEIRO LUGAR
Este
Setembro é pródigo de eventos: Na Igreja enfatiza-se a Bíblia;
no Brasil temos a Semana da Pátria e a Campanha Eleitoral; em nossa
Diocese continuamos a caminhada da Assembléia com a Romaria à
Aparecida, a preparação dos ministros e coordenadores, e
o estudo da situação religiosa e social de nosso povo. Essas
realidades têm um eixo comum: O VALOR DA VIDA HUMANA.
Fatos e reportagens angustiam. Alguns exemplos: "Vendo um rim, pois
estou desempregado e preciso de dinheiro para comprar comida para meus
filhos e remédios para minha esposa". "Sou de família
pobre. Quero ter um futuro melhor. Por isso preciso estudar. Como meus
familiares não podem me custear os estudos, ofereço meu
corpo virgem a quem pagar melhor". "Entrego meu filho, porque
não quero vê-lo morrer de fome ou ser jogado na miséria".
Ainda, a triste realidade social em geral: miséria, desemprego,
violência, creches ameaçadas de fechar, adolescentes e jovens
sem futuro nas ruas, famílias que não sabem como sobreviver
e educar seus filhos, saúde pública num estado deplorável,
educação desvalorizada, infra-estrutura dos bairros precária,
tendência ao egoísmo e à busca de interesses pessoais,
tratamento desumano dos detentos, corrupção diabólica,
guerra e drogas continuando a matar e insegurança generalizada.
O que está acontecendo? Como pode um ser humano, num gesto de desespero
ou vergonha ou humilhação, chegar a tanta ousadia ou loucura
de amor, até o ponto de "vender" a própria vida
e honra? Com que direito pode-se tirar a vida do outro? Por que a vida,
para tantos, parece não possuir valor algum? Por que há
irmãos e irmãs nossos que não têm a oportunidade
de uma existência mais digna? O que fazer para organizar uma sociedade
mais justa e fraterna? .
As vezes, há cães, gatos e cavalos de "luxo" que
são tratados como verdadeiros príncipes, enquanto há
homens e mulheres, jovens e idosos, que são tratados como "resto"
da humanidade. Nada contra os animais que, como criaturas de Deus, merecem
atenção e cuidado, conforme ensinava São Francisco
de Assis. Porém, não pode nem deve haver inversão
de valores. É justo dar mais valor a um gato do que a uma pessoa
humana, oferecer comida, roupa especial e até bijuterias para cachorro,
enquanto há ainda tantos seres humanos que passam fome ou vivem
num estado de miséria?
Rogo a Deus para que nós, como Igreja de Jesus na Baixada, vivamos
a prática da Justiça e da Misericórdia, conforme
nos ensina Jesus na parábola do Bom Samaritano.
Peço a Deus que os futuros mandatários dos nossos Municípios
(Prefeitos e Vereadores) coloquem esses desafios como prioritários
em sua atuação. Serão eleitos para que o povo de
nossa Região, sobretudo os mais carentes, tenha melhores condições
de vida.
Suplico a Deus para que todas as forças vivas da Sociedade saibam
unir-se neste mutirão a favor da vida. Cada pessoa tem condições
de contribuir.
Estou consciente de que nossas possibilidades econômicas são
limitadas. Todavia se soubermos usá-las corretamente, com honestidade,
justiça e caridade, poderemos dar um passo significativo na construção
de uma Baixada mais feliz para todos.
A vida humana é preciosa demais para ser leiloada, vendida, humilhada,
tirada. Ela é dom de Deus, pois a recebemos de graça; portanto
só podemos doá-la gratuitamente.
Vida não se compra nem se vende nem se tira. Somente pode ser doada.
"Prova de amor maior não há, que doar a própria
vida pelo irmão".
Rezemos muito: que o Senhor nos ilumine e fortifique na proteção
e defesa da vida humana.
Um
abraço fraterno, com as bênçãos divinas.
Dom
Luciano Bergamin
Bispo Diocesano
A
Igreja: ou é Missionária ou não é igreja
Nossa Assembléia Diocesana está caminhando para o dia
de seu encerramento (20 de novembro), quando teremos também o
envio oficial dos Ministros (as) e Coordenadores (as). Porém
o tema da mesma: Igreja na Baixada: Comunhão e Missão
continuará norteando nossa prática evangelizadora e pastoral,
através das prioridades que serão apontadas.
Isto, dentro do Projeto de Evangelização assumido pelo
Brasil católico: Queremos ver Jesus: caminho, verdade e vida.
São duas dimensões extremamente importantes que nos animam
a viver nossa profunda identidade cristã, no diálogo com
as demais religiões, mas, também, com a firme convicção
e o sério comprometimento provindos da ordem de Jesus: Ide pelo
mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda criatura (Mc. 16,15).
A igreja ou é missionária ou não é Igreja.
Por um lado, devemos trabalhar intensamente nas nossas comunidades e
paróquias da Dioceses, que exigem tanta presença e ação
criativa, no seu dia-a-dia. Por outro lado, precisamos caminhar e alargar
fronteiras, testemunhando e difundindo a experiência do amor de
Deus a quem está afastado ou não foi evangelizado. Assim,
afirmam as Diretrizes Gerais: Nossas comunidades eclesiais, apesar de
sobrecarregadas de tarefas muitas vezes contando com escassos recursos,
devem dar de sua pobreza também para a Evangelização
e as Missões em outras regiões e além fronteiras.
Deve-nos inquietar constantemente o grito do apóstolo São
Paulo: Ai de mim se não evangelizar.
Neste sentido, quero partilhar essa linda oração. Oxalá
aqueça nosso coração e entusiasmo!
Credo
Missionário
Cremos que Deus nos escolheu desde o seio materno, nos chamou por sua
graça e resolveu revelar em nós o seu Filho, para que
O anunciássemos até os confins da terra.
Cremos ser missionários e missionárias por vocações,
servos e servas de Jesus Cristo, escolhidos e escolhidas para anunciar
o Evangelho de Deus.
Cremos que a Missão não vem de nós, ela é
a resposta ao Plano do Pai que, em seu imenso amor quer a salvação
da humanidade e por isso lhe deu seu Filho único, para que tudo
o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
Cremos que Jesus Cristo nos considerou dignos de confiança, tomando-nos
para o seu serviço missionário e profético em nossas
comunidades que querem ver e encontrar Jesus, Caminho, Verdade e Vida.
Cremos que como batizados e batizadas, devemos comportarnos de maneira
digna da vocação a que fomos chamados, levando aos irmãos
e irmãs o anúncio da Ressurreição: Vimos
o Senhor!
Cremos que é tarefa da Igreja inteira continuar a missão
iniciada por Jesus. Foi Dele que no dia da Ascensão, recebeu
o mandato: Ide, pois e ensinai a todas as nações.
Cremos que o Espírito Santo acompanha a Igreja em sua atividade
missionária, pois o Cristo prometeu estar conosco todos os dias,
até o fim do mundo.
Cremos na Igreja missionária, geradora de esperança, que
caminha ao lado dos pobres e excluídos, e que anda nas estradas
do mundo, sem ser do mundo.
Cremos que Maria, Estrela da Evangelização, a Senhora
Aparecida, faz caminho com todos os missionários e missionárias,
ensinando-lhes a aceitar com alegria o pedido feito nas bodas de Cana:
Fazei tudo o que Ele vos disser. Amém.
Então, mãos à obra, pois a messe é grande
e os operários são poucos. Por isso, precisamos contar
com colaboração de todos: crianças, adolescentes,
jovens, adultos e idosos, homens e mulheres. Iniciando em nossa família
e ampliando os horizontes, criando novos núcleos, aonde a presença
da Igreja ainda não chegou, através de visitas fraternas,
círculos bíblicos e outras iniciativas. Está na
hora de um novo ardor missionário que nos façam criativos
e fervorosos. Todos estamos convocados. Deus aguarda nossa resposta
generosa.
Um abraço fraterno, com as bênçãos divinas.
Dom
Luciano Bergamin
Bispo Diocesano
Novembro
2004
A
I G R E J A
D E J E S U S
C R I S T O
Durante a Assembléia Diocesana refletimos e cantamos: Igreja
na Baixada: Comunhão e Missão. A realidade Igreja sempre
me questiona, também perante tantas outras denominações
que se atribuem ao mesmo nome. E me pergunto: O que é a Igreja
que Jesus fundou? Quais são seus traços essenciais? Como
deve agir ela hoje na Baixada para ser fiel ao seu Senhor? Quero compartilhar
algumas considerações:
1º - A Igreja é obra da Santíssima Trindade. Sonhada,
pelo Pai desde a eternidade, preparada durante a vida pública
de Jesus e antecipada na Ceia Pascal, nasceu de seu lado aberto, quando
Ele estava na cruz, entregando sua vida pelo mundo.
2º - Foi fecundada
pelo Espírito Santo no dia de Pentecostes. Começou aí
a sua missão. Os tímidos discípulos (as) tornaram-se
missionários corajosos. Sem a ação forte do Espírito
Santo não existe Igreja viva e atuante.
3º - Ela se
alimenta da Palavra e dos Sacramentos do Mestre. Necessita escutar e
conversar com Deus através da oração, a fim de
descobrir e realizar a vontade divina. Mas, também, precisa celebrar
os gestos salvíficos que o Senhor lhe entregou: Fazei isto em
memória de mim. Reconhece que é chamada à santidade,
embora sinta ainda em si a presença do pecado; por isso, precisa
de contínua conversão e perdão.
4º - É
consciente que sua missão é evangelizar, com o anúncio
incansável da Palavra e o testemunho de vida. A Boa Nova deve
chegar a cada pessoa, transformando os ambientes, imbuindo-os dos valores
evangélicos. O espírito missionário jamais pode
faltar.
5º - É
servidora na caridade, com instituições assistenciais,
promoção humana e inserção na sociedade,
defendendo os direitos de cada ser humano. Faz própria a afirmação
de Jesus, o Bom Samaritano: Eu vim para que todos tenham vida em abundância,
e por isso, preocupa- se pelo bem integral de todas as pessoas, sem
discriminações.
6º - Segue
sempre o Mestre Divino: na pobreza de Belém, nas labutas de Nazaré,
na luz da Transfiguração, no sofrimento da Cruz e na glória
da Ressurreição. Por isso, conta com uma multidão
de Santos e de Mártires, isto é, de pessoas que fizeram
de Jesus e de seu projeto o centro da própria vida e O amaram
tanto que souberam derramar seu sangue pela causa do Reino. A Cruz,
assumida por amor e que leva à vida plena, nunca está
ausente.
7º - Realiza
a vivência da união descrita no Livro dos Atos dos Apóstolos
perseverança no ensinamento, na comunhão fraterna, na
Eucaristia e nas orações. Essa união precisa atingir
os atos externos e também o íntimo da vida das pessoas
e das instituições, levando-as à partilha e à
solidariedade.
8º - Entende
que deve ser acolhedora, recebendo santos e pecadores, sãos e
doentes, pessoas sofridas que buscam o sentido da vida e a esperança,
sem marginalizar ninguém.
9º - Não
se fecha em si mesma, orgulhosa de seus triunfos e realizações,
mas se compromete em colaborar com a humanidade, aberta ao diálogo
com as demais religiões e às diversas culturas, na busca
comum da paz verdadeira, alicerçada sobre a justiça, o
bem comum e o perdão. Está convicta de que o Reino de
Deus é maior do que Ela.
10º - Tem Maria
Santíssima como mãe e, ao mesmo tempo, como irmã,
pois a Virgem é a primeira discípula do Senhor.
11º - Conta
com a ajuda preciosa de uma multidão de evangelizadores (as),
servidores (as) que, a partir de seu Batismo e de sua Crisma, a amam
filialmente e a desejam ver mais santa e profética.
12º - Acolhe
diversas vocações (laical, consagrada, diaconal, presbiteral),
todas elas importantes e necessárias, que têm seu fundamento
comum: a inserção em Jesus Cristo.
13º
- Sabe colocar-se a serviço da humanidade por meio de ministros
(as), ordenados e não ordenados: animados pelo sopro vivificante
do Espírito Santo e coordenados por irmãos escolhidos
pelo Senhor, sob a presidência do Papa, sinal visível de
Cristo, pastor Universal.
É esta a Igreja, Igreja de Jesus, que somos chamados a ser, amar
e edificar. Irmãos e irmãs, venham nos ajudar!
Um abraço fraterno, com as bênçãos divinas.
Dom Luciano Bergamin
Bispo Diocesano
Dezembro
2004
MOTIVOS
DE ALEGRIA
Na manhã do 20 de novembro, encerramos a caminhada da Assembléia
Diocesana que nos motivou, durante dois anos, através de reflexões
nas comunidades, paróquias, regionais e Diocese. Avaliamos nossa
prática evangelizadora e pastoral, a partir da vontade de sermos
uma Igreja “Comunhão e Missão”, conforme a Palavra santa
de Jesus: “Vós sois todos irmãos”. Constatamos, com gratidão,
que muitos são os sinais do Reino presentes entre nós.
Percebemos que em tantos pontos precisamos melhorar. Por isso, assumimos
o compromisso de nos esforçar mais sobre algumas questões.
Apresentamos a Deus o fruto da caminhada e o nosso empenho de evangelização
e de caridade.
Na mesma celebração, cerca de 3500 leigos(as) receberam
o mandato oficial como servidores do Povo de Deus, para os próximos
três anos : Ministros da Comunhão, Palavra, Esperança,
Batismo, Testemunhas Qualificadas do Matrimônio, Coordenadores
e Vice-Coordenadores das comunidades. É grande a alegria de poder
contar com tantas pessoas que, durante o ano de 2004, se prepararam,
participando de encontros de formação, a fim de prestar
um bom serviço nas comunidades e na sociedade. Sejam dadas graças
a Deus por todas essas pessoas, casadas e solteiras, que, somando com
os padres, diáconos, consagrados (as), agentes de pastoral, doam
seu tempo e seus dotes a fim de que o Reino de Deus cresça em
nossa Baixada.
O tempo de Natal está chegando, trazendo esperança, contentamento
e paz, porque nos faz reviver o fundamento de nossa fé: Deus
Pai tanto ama nossa humanidade, que, pelo poder do Espírito Santo,
enviou seu Filho Jesus para nascer e morar sempre no meio de nós.
O tempo de Advento nos prepara a acolher o Senhor, hoje. Nisso colabora
bastante a Novena de Natal em família. A modalidade segue a possibilidade
das pessoas e dos ambientes, no centro e nas periferias. Foi preparado
um texto adaptado à realidade de nossa Diocese. Todo nascimento
humano é motivo de festa, para os pais, familiares, amigos e
vizinhos. Natal é a festa da humanidade inteira que acolhe a
criança Jesus, o maior presente. A Novena une as famílias
em oração, para lembrar o verdadeiro significado da vinda
de Jesus ao mundo e da nossa existência humana que sempre precisa
de auxílio e compreensão. Neste sentido, ao final da Novena,
há um gesto solidário e caridoso para com as pessoas pobres
e carentes. Com efeito, não se celebra bem o Natal do Senhor
se não for celebrado com os pobres e os sofredores. A Novena,
finalmente, nos toma conscientes de que todos precisamos de reconciliação
com Deus, com a Igreja e com todos os irmãos, sobretudo com os
membros da família. A celebração do Sacramento
da Reconciliação ou Confissão tanto contribui a
vivermos bem o Natal. Damos graças pêlos mutirões
de Confissões que estão acontecendo nas Paróquias.
Depois do período agitado da Propaganda Política e das
Eleições Municipais, Prefeitos, Vice-Prefeitos e Vereadores
(as) se preparam para assumirem seus mandatos de Governo, isto é,
de Serviço.
Toda eleição é uma ocasião ímpar
de democracia e cidadania; porém traz consigo também momentos
de tensão e desgaste. Nas Olimpíadas tantos concorrem
e poucos ganham a medalha.O mais importante é participar. Todos,
na realidade, são vencedores, pois fazem crescer o esporte e
a fraternidade. Assim, desejamos que se sintam quantos participaram
do pleito eleitoral. Não há vencidos nem derrotados, já
que a sociedade, no seu conjunto, tomou consciência que a autêntica
Política é uma realidade importante e necessária
na busca do bem comum. Pedimos ao Deus, do qual vem todo poder, que
abençoe e ilumine quantos assumirão não a “honra”,
mas o “serviço” de melhorar a Baixada que precisa de um carinho
especial por parte das Autoridades Federais, Estaduais e Municipais.
Nossa terra necessita de garra e empenho, mas com companheirismo, ternura
e perdão.
Aproveito para desejar a todos um Natal santo e abençoado. Que
em cada Município, paróquia, comunidade, família
e coração, ressoe novamente o canto dos Anjos: “Glória
a Deus e Paz ao Mundo”.
Um
abraço fraterno, com as bênçãos divinas.
Dom Luciano Bergamin
Bispo Diocesano
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