Palavra / 2004

Fevereiro 2004

Como Evangelizar?

A primeira tarefa da Igreja é evangelizar. Isto vale para todos os cristãos; de maneira especial para os agentes de pastoral de nossas comunidades. Aí, surge a pergunta: Como evangelizar???

São Francisco de Assis, num dia de mercado na cidade, saiu do convento e encontrou Frei Junípero que era muito simples e brincalhão e o convidou a pregar junto com ele. Junípero respondeu: Francisco, eu não tenho muito estudo e nem sei falar às pessoas. Mas, devido a insistência de Francisco, obedeceu. E lá se foram os dois: giraram pela cidade, rezando em silêncio por todos os que estavam trabalhando. Sorriam às crianças, sobretudo às mais pobres. Trocaram umas palavras com os idosos. Acariciaram os doentes. Ajudaram uma mulher a transportar o cântaro de água e a uma outra a arrumar a banca onde vendia hortaliças. Depois de ter atravessado o mercado e a cidade, Francisco disse: Frei Junípero, está na hora de regressar ao convento. E a nossa pregação?... Francisco sorriu e respondeu: "Já a fizemos, já a fizemos!".
A grande mensagem que transmitimos como evangelizadores é aquela adquirida com a Fé e vivida na Caridade.
É sempre bom perguntar-se: Nesta situação, qual seria a mensagem que Jesus daria? De que modo Ele falaria e se comportaria?

Em nosso trabalho de Evangelização alguns cuidados são indispensáveis

Falar claro: a voz deve chegar a todos os ouvintes. As palavras precisam ser bem articuladas e claras.

Falar simples: de maneira que todos compreendam. Não é para buscar palavras complicadas nem sofisti-cadas. Isto não significa falar errado ou usar comparações de baixo quilate.

Falar com carinho: passar sentimentos de amor para aqueles que escutam. As pessoas não querem discursos acadêmicos ou racionais; querem vida e sinceridade.

Falar com objetividade: escolher um assunto só e desenvolvê-lo bem, sem misturar as coisas.

Falar com emoção: isto é, com coração, colocando vida e ânimo, evitando, porém, os exageros... Uma mensa-gem pode ser linda, mas se for transmitida sem alma, perde toda sua beleza.

Falar com fé: caso contrário, falamos de Deus, mas não damos Deus. Devemos sempre prestar atenção para não projetarmos a nós mesmos. Deus e seu reino devem constituir o eixo central de nossa pregação e vida.

Falar com humildade: respeitando e valorizando a história de cada um, nunca colocando-nos superiores aos outros. O agente de pastoral sempre se coloca em atitude de serviço amoroso e não de julgamento prepotente.

Falar depois de rezar: a mensagem que anunciamos e a vida que trazemos não são "nossas", são de Deus. Portanto, é inútil e vão nosso trabalho, se não estivermos plenamente unidos ao Senhor por meio de uma espiri-tualidade profunda e encarnada. Antes de "falar de Deus", precisamos "falar com Deus". Todo esforço deve ser realizado para que a Boa Nova do Evangelho chegue ao coração das pessoas, não só aos ouvidos. Movidos pela fé, vamos ser capazes de compreender, amar e anunciar melhor.

Para que isto se torne possível, é urgente fazer nossa a advertência de São Gregório Nazianzeno (santo de IV século): "Temos de começar por nos purificar, antes de purificarmos os outros; temos de ser instruídos para po-dermos instruir, temos de nos tornar luz para alumiar; de nos aproximar de Deus para podermos aproximar Dele os outros: ser santos para santificar".
Desejo que Nosso Senhor conceda a todos nós vivermos intensamente a Quaresma, participando das celebrações e dos encontros promovidos pelos círculos bíblicos sobre o tema da Campanha da Fraternidade.
Igualmente exorto para que continuemos rezando pela Assembléia Diocesana e que possamos realizar bem as eleições comunitárias, paroquiais, regionais e diocesana.

Um abraço com as bênçãos divinas.

Dom Luciano Bergamim, CRL
Bispo Diocesano



Março 2004

ASSUMIR OU NÃO ASSUMIR?

Era uma vez uma indús-tria de calçados aqui no Brasil que desenvolveu um projeto de exportação de sapatos para a Índia. Em seguida mandou dois de seus consultores para faze-rem as primeiras observações sobre o potencial daquele mercado.
Após alguns dias de pesquisa, um dos consultores enviou o seguinte fax para a direção da indústria: "Senhores, cancelem o projeto de exportação de sapatos para a Índia. Aqui ninguém usa sapatos.
Alguns dias depois, sem saber do primeiro fax, o segundo consultor mandou o seu: Senhores, tripli-quem o projeto de exportação de sapatos para a Índia, pois aqui ninguém usa sapatos ainda.
A mesma situação era um tremendo obstáculo para um dos consultores e uma fantástica oportunidade para outro.


Esta simpática história nos faz pensar a respeito de como encaramos a maior tarefa que a Igreja recebeu de Jesus, a EVANGELIZAÇÃO. Os últimos Papas foram enfáticos ao proclamar que a vocação fundamental dos seguidores de Cristo é a evange-lização, e que devemos assumi-la com novo ardor e entusiasmo, com linguagem e métodos adaptados aos tempos atuais. As Diretrizes Gerais da CNBB e nossa Assembléia Diocesana insistem na mesma tecla.
Existem vários tipos de evangelizadores.

O evangelizador cansado: vive continuamente se queixando das tarefas difíceis que lhe cabem. Anda eternamente amargurado, de cara comprida, recla-mando da pesada cruz que carrega sobre seus ombros. Pensa que, ele sim, sozinho, está salvando a Igreja. Na verdade, este tipo de evangelizador perdeu o en-tusiasmo e a motivação no apostolado. Só sabe recla-mar. Perdeu a alegria de viver e de ser missionário.

O evangelizador descansado: apregoa e fala: Já cumpri meu trabalho e missão. Afinal, não mereço descanso, aplauso e merecimentos? Agora deixo aos outros fazer e continuar a minha obra. Na verdade, é o cristão acomodado, omisso e preguiçoso. Ele se julga salvo, em paz com Deus e digno de louvor, porque realizou algumas obras e um pouco de apostolado no passado. Hoje já não quer mais nada com a vida apostólica e missionária.
E não falta quem, neste tipo de evangelizador, é somente capaz de dar palpite, sugestão e conselhos. Mas, na hora, de colocar em prática, cadê ele? Está longe, sempre com desculpas esfarrapadas.

O evangelizador cansativo: perdeu o ardor apos-tólico, o impulso da fé, a alegria da esperança, o oti-mismo do Evangelho, o entusiasmo pela Igreja e pela transformação do mundo. É um cristão que além de estar sempre se queixando e vivendo de mau humor e saudosismo, cansa os outros. Não aceita as novi-dades, porque diz "sempre foi assim". Tem resposta para tudo, mas já não atua mais. Seu coração é árido e vazio, pois não acredita mais na força transformadora do Espírito Santo. Eternamente desanimado, procura desestimular os que ainda lutam, fazem, constroem e perseveram. Para qualquer atividade proposta pelos outros, só sabe dizer reclamando: "Não vai dar certo!". Mais do que ajudar, está atrapalhado. Pior que, às vezes, além de não auxiliar, impede aos outros de trabalharem e de se doarem. É uma pessoa difícil da gente suportar e com a qual conviver.

O evangelizador incansável: aposta todos seus dotes, forças, talentos, coração, tempo e vida na proclamação da mensagem libertadora do Evangelho. Está sempre pronto para ajudar. É um trabalhador incansável, dinâmico, generoso, presente onde for necessário, encontrando tempo para atender os que delem precisam. Não se acha um super-herói; sente-se simplesmente uma pessoa feliz por ter a possibilidade de auxiliar na construção do Reino de Deus. Trabalha muito; mas nunca sozinho nem isolado. Sabe pedir e oferecer ajuda. Junto com ele dá gosto trabalhar. No meio das dificuldades e contrariedades procura sorrir e animar a todos. É otimista, esperançoso e alegre: um verdadeiro presente de Deus para a comunidade.

Que o Senhor nos livre de sermos evangelizadores cansados, descansados ou cansativos. Nossa Diocese precisa de muitos bons evangelizadores incansáveis. Vamos todos arregaçar as mangas?
Jesus Cristo, a Igreja e o Povo de Deus aguardam de nós uma resposta positiva, corajosa e entusiasta!
Um abraço fraterno com as bênçãos de Deus!

Dom Luciano Bergamim, CRL
Bispo Diocesano


 

Abril 2004

ATITUDES HUMANAS DO AGENTE
DE PASTORAL

Atitudes são compor-tamentos e procedimen-tos que adotamos em nosso relacionamento com as pessoas.
Se queremos evangelizar como Jesus fazia, precisamos fomentar certas atitudes e evitar outras. Temos a obrigação de errar quanto menos, a fim de que a obra do Senhor não fique prejudicada, mas, sim, possa desenvolver-se da melhor forma.

Atitudes boas (a serem incentivadas):
Segredo e discrição: que evangeliza ou está a frente de um grupo de pastoral, recebe sempre confidências por parte das pessoas. Essas "aberturas de coração" devem parar no túmulo com a gente, por respeito e consideração a quem confia em nós.

Conselho: quando alguém nos pede uma palavra ami-ga, o melhor que se pode fazer é dar-lhe essa palavra. É importante passar a experiência que fizemos ou que conhecemos de outros, porém sempre deixando a pessoas escolher o que deve fazer.

Amizade: é a dimensão fundamental para quem evan-geliza. Saber ser amigo e ter amigos. Isto implica em abertura e sintonia de coração, assim como a capa-cidade de não se fechar em si mesmo, nem ter ciúme dos outros.

Diálogo: é a comunicação fraterna entre duas ou mais pessoas, que permite passar aos outros o que somos e também deles receber algo. Pelo diálogo, compreendo e me faço compreender.

Entusiasmo: é a alegria de poder trabalhar a favor do Reino de Deus. O povo vibra com aquele que vibra diante dele. Líder vibrante é assembléia vibrante; evangelizador vibrante é evangelização que se espalha com ardor.

Humanidade: é a capacidade de compreender a pessoa inteira, com suas qualidades e defeitos, seu lado esterno e seu interior, sem nos escandalizarmos das fraquezas alheias. Quando nos tornamos profundamente humanos, somos cristãos de verdade.

Atitudes não boas (a serem evitadas):
Suposição: é imaginar, conjeturar e supor coisas, sem ter certeza das mesmas. É como andar em areia movediça: quanto mais se mexe, mais se afunda. O que fazer? Procurar falar diretamente com a pessoas interessada, para que tudo fique logo esclarecido.

Julgamento: nossa tendência humana é de pensar que nós somos perfeitos e que os outros estão errados. Por isso julgamos com extrema facilidade, sem ter co-nhecimento suficiente. Podemos avaliar fatos externos, porém não conseguimos medir o íntimo de cada pessoa. Por isso é sábio deixar somente a Deus o direito de jul-gar. Afinal Jesus foi explícito: "Não julgueis, para não serdes julgados".

Interrogação e curiosidade: disposições de quem quer saber tantos detalhes da vida e do comportamento dos outros, mas não para ajudar e sim para espalhar e atrapalhar. Há gente que sofre dessa morbosidade: "Me conta, vá".

Fofoca: é o comportamento de quem comenta com os outros as falhas de alguém. Pior ainda quando se trata de calúnia: difamando com acusações falsas a pessoa do irmão. Lembram a história do cachorro, do gato e do rato? Todo ser humano, pior que seja, tem o direito à fama e à honra. Santo é quem sabe "refrear" sua língua!

SEMANA SANTA E PÁSCOA

Estamos celebrando o centro de nossa fé e do ano litúrgico: o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.
Faço apelo para que todos nós participemos com assiduidade e devoção das celebrações litúrgicas. Esse tempo não é simplesmente para um feriadão social. É tempo de vivenciar o infinito amor de Jesus que nos convoca a trilhar seu mesmo caminho: dar a vida para nossos irmãos.

CAMINHADA DA ASSEMBLÉIA DIOCESANA

De extrema importância será reunião do dia 17 de abril, quando, em clima de prece, serão eleitos pelos delegados, o Vigário Geral, o Pró-Vigário Geral, o Coorde-nador e Vice-Coordenador de Pastoral. Assumirão, tam-bém, os novos membros do Conselho Presbiteral. Acom-panhemos esses fatos diocesanos com profunda oração.

Um abraço fraterno com as benções divinas, desejando a todos uma Páscoa santa e feliz.

Dom Luciano Bergamim, CRL
Bispo Diocesano


 

Maio 2004

QUALIDADES CRISTÃS
DO(A) AGENTE PASTORAL

"Durante a guerra, um soldado disse ao seu superior: Meu amigo ainda não regressou do campo de batalha. Solicito permissão para ir buscá-lo. O oficial respondeu: Permissão negada. Não quero que você arrisque a sua vida por um homem que provavelmente está morto. Apesar da proibição, o soldado saiu e, logo depois, regressou mortalmente ferido, mas transportando o cadáver de seu amigo. O oficial ficou furioso: Eu lhe disse que ele já estava morto! Agora, por causa de sua indisciplina, eu perdi dois homens! Diga-me: valeu a pena ir até lá para trazer um cadáver?. E o soldado, moribundo, respondeu: Claro que sim, senhor! Quando encontrei meu amigo, ele estava ainda vivo e pôde me dizer:
Eu tinha certeza que você viria! Você é um verdadeiro amigo!"
No mês passado refletimos sobre as qualidades humanas do evangelizador. Neste mês olharemos as qualidades cristãs propostas pelo Evangelho.
FÉ: inspirado pela Palavra de Deus, o agente pastoral sente-se unido e iluminado pelo Senhor, no qual pode depositar totalmente a própria confiança e segurança. O Senhor é minha luz e salvação. De quem terei medo?.

ORAÇÃO: é o meio que nos permite estar e viver em intimidade com o Senhor, descobrindo sua vontade a nosso respeito. Como falar de Deus, se antes não falamos com Deus? Evangelizador que não ora muito, pessoal e comunitariamente, está fadado ao fracasso.

CARIDADE: é o mandamento próprio de Jesus e a característica daqueles que o seguem: Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Amor para todos, sobretudo para os mais sofridos e menos amados. Sem a caridade, a ação evangelizadora é estéril e morta. Hoje há tanta violência porque muita gente não se sente amada. O amor é o melhor remédio contra a violência e o meio mais eficaz da ação pastoral. Senhor, que eu procure mais amar do que ser amado.

HUMILDADE: ajuda-nos a não sermos soberbos nem orgulhosos, sabendo louvar e agradecer a Deus pelos dotes recebidos, valorizando as qualidades e capacidades que os outros possuem. Tira a tentação de querermos nos colocar acima dos demais, assim como de pensar que nós temos sempre a razão e a melhor solução.

PERSEVERANÇA: a obra de Deus não acontece de um momento para o outro, de forma milagrosa ou extraordinária. Deus age respeitando a nossa caminhada que é lenta e progressiva. Por isso, é mister não desanimar nunca, mas perseverar com constância e determinação. As dificuldades fazem parte da caminhada.

MISERICÓRDIA: é ter o coração voltado para as miséria e limitações humanas. Quem evangeliza não é chamado a julgar e condenar, a jogar pedra em ninguém; mas, sim, a compreender e auxiliar, com a atitude do Bom Samaritano.

UNIDADE: o agente pastoral nunca busca trabalhar sozinho, mas sempre de acordo com a Igreja: Papa, diocese, Bispo, Regional, Paróquia, Comunidade. Uma vez decididas as coisas, é indispensável partir para a ação. Quem desune, criando separações e panelinhas, com ciúmes e fofocas, não é de Deus.

ZELO: a Deus e ao seu povo devemos oferecer o melhor de nós mesmos, com generosidade, dedicação e entrega total.
Conforme afirmava um Santo: No mínimo, dar o máximo.

MISSÃO: é Jesus que nos envia: Ide pelo mundo inteiro. Anunciai que o Reino de Deus chegou. Promovei a paz! Vós todos sois irmãos!. Lembremo-nos do tema de nossa Assembléia Diocesana: Igreja na Baixada: Comunhão e Missão.

Dom Luciano Bergamim

 



Junho 2004

VIDA E MINISTÉRIOS DOS PRESBÍTEROS

No final do mês de abril, em Itaici (SP), realizou-se a 42ª Assembléia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foram dias de intensa comunhão eclesial, dedicados à oração,
ao estudo e à fraternidade, reunindo mais de 400 pessoas entre bispos, padres, diáconos, consagrados, leigos e leigas.
Diversos foram os temas estudados: Vida e ministério dos Presbíteros, o Projeto Nacional de Evangelização, o Diretório da Pastoral Familiar, o Diretório para a Catequese, a Comissão para Amazônia, a Análise de Conjuntura Social e Religiosa, etc...
Também foram proporcionadas muitas Comunicações importantes e de interesse geral: umas que preocupam, referindo-se a situações de miséria, de violência, de injustiça, de falta de compromisso; outras, graças a Deus, felizes e abençoadas, expressando a vida de fé, esperança e amor de tantas comunidades, onde o bem faz desabrochar maravilhas.
A escolha do tema central: "Vida e ministério dos Presbíteros" revela a grande preocupação da Igreja no Brasil com a qualidade de vida e o serviço pastoral de seus padres.
O assunto fora debatido anteriormente nas Dioceses, nos Regionais e no
10º Encontro Nacional de Presbíteros.
Os Bispos debruçaram-se longamente, ouvindo e comentando, em verdadeiro clima espiritual, conscientes que essa reflexão levará certamente a uma comunhão mais intensa entre os padres e poderá repercutir beneficamente em toda a vida da Igreja.
Surgiram, então, dois documentos bonitos e preciosos: o 1º uma carta aos queridos presbíteros e o
2º uma síntese das reflexões.
Há um consenso que os padres no Brasil são esforçados e trabalham muito. As comunidades esperam bastante deles, por isso sabem cobrar e nem sempre compreendem sua situação. Algumas não perdoam limites e fragilidades de seus sacerdotes, não reconhecendo que eles permanecem seres humanos. Por sua vez, o mundo globalizado passou a exigir do padre especialização e competência em questões religiosas, sociais e culturais.
Por isso é cada vez mais necessária uma sólida formação nos seminários, que deve continuar depois da ordenação, constituindo-se em "formação permanente". Recentemente, o Papa repetiu: " A Igreja tem necessidade de ministros de Cristo bem formados e santos". A formação deve levar em conta as diferentes dimensões: humana, intelectual, espiritual, pastoral e fraterna.
A exigente missão do padre está pedindo dele muita fé, competência, entusiasmo, alegria e grande santidade para enfrentar os desafios que a sociedade contemporânea apresenta.
Jesus Cristo, o "servo" e o "bom pastor", é o grande referencial para o ministério do presbítero.

Oremos pelos nossos padres: para que sejam felizes, identificando-se cada vez mais com o coração de Cristo, no serviço amoroso ao povo de Deus.
E que Santo Antônio, padroeiro da nossa Diocese,
interceda por todos os que moram nessa nossa Baixada.
Um abraço fraterno, com as benções divinas.
Dom Luciano Bergamin, CRL


Julho 2004

PROJETO NACIONAL DE EVANGELIZAÇÃO

Durante a 42ª Assembléia Geral da CNBB, o Bispo Dom Angélico Sândalo Bernardino contou que um dia no metrô de São Paulo um senhor sentou-se ao lado dele. Falou que tinha 38 anos, e lhe ofereceu o jornal "A Folha da Igreja Universal do Reino de Deus". Aí o Bispo lhe disse: "Mas esta Igreja é recente. O que você era antes?". E o homem respondeu: "Católico, mas não muito praticante. Agora, há dois anos, nesta nova Igreja, me encontrei com Jesus. Ele transformou a minha vida e a vida de minha família. Por isso, como posso, trabalho pelo Senhor". E Dom Angélico concluía: "O encontro criou em mim um impacto: ficou em nossa querida Igreja católica 36 anos e não se encontrou com Jesus; na "Universal" se torna evangelizador no metrô".
Conforme os dados oferecidos pelo Censo do ano 2000, o Estado do Rio de Janeiro tem, em porcentagem, no Brasil o menor número de católicos, e o maior número de evangélicos e daqueles que se professam sem religião.
Pois bem, perante fatos como estes que fazem pensar bastante, e perante a ordem de Jesus "Ide e evangelizai até os últimos confins da Terra", a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lançou, no ano passado, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil e, agora as concretiza, elaborando este projeto dinâmico e missionário "Queremos ver Jesus: caminho, verdade e vida".
Este plano, assumido por todas as Dioceses do País, quer, no vigor do Espírito Santo, despertar entusiasmo, paixão por Jesus e pelo Reino do Pai.
Conforme a palavra do Papa, o novo milênio exige, por parte da Igreja, uma evangelização nova no ardor, nos métodos e nas expressões.
Todos os seres humanos possuem o anseio não somente de "ver" Jesus, mas também de "conhecer, seguir, amar e anunciar" o Enviado do Pai, fonte de vida em abundância para a humanidade. Esse encontro com o Senhor deve ser "pessoal". Não se trata somente de uma simples informação a mais; mas sim de uma verdadeira experiência íntima e mobilizadora, capaz de transformar a vida e dar um novo sentido à própria existência. E qual é o "espaço" propício para esse encontro vital e o lugar onde as pessoas experimentam o amor de Jesus em ação? A comunidade nas suas diversas dimensões: Família, Igreja, Sociedade.
Desta experiência de fé nasce a consciência da profunda identidade que caracteriza os filhos e filhas de Deus, na alegria de serem discípulos e discípulas de Jesus na comunidade e no testemunho do Reino do Pai. Isto levará ao processo da conversão contínua: "Que devemos fazer?", assim como à vivência dos três serviços básico da vida da Igreja: a Palavra, a Liturgia e a Caridade. Também iluminará as pistas de ação no âmbito das quatro exigências fundamentais da evangelização: serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão.
Este maravilhoso projeto ajuda entender quem é Jesus, quem é o cristão e qual a missão deste. Não é absolutamente fruto de um espiritualismo intimista e alienado: ao contrário, leva a quem descobre o Jesus do Evangelho, na própria existência, à prática, com urgência, do amor fraterno. Pretende tornar todos os cristãos verdadeiros missionários e missionárias, arrancando de um catolicismo acomodado e acanhado para um catolicismo de busca e encontro dos que estão afastados, abandonados nos diferentes ambientes. Assim agia Jesus, o Bom Pastor. Deste modo será possível alcançar as três grandes metas da Evangelização: promoção da dignidade da pessoa, renovação da comunidade e participação na construção de uma sociedade justa e fraterna.
Para tanto precisamos de um "novo banho de Pentecostes": iluminados pelo Espírito Santo e animados pelo novo ardor missionário, poderemos realizar esse grande mutirão evangelizador a que a Assembléia Diocesana nos convoca com seriedade e empenho: "Igreja na Baixada: comunhão e missão".
Um grande abraço fraterno com as bênçãos divinas.

Dom Luciano Bergamin
Bispo Diocesano


 

Agosto 2004

IGREJA NA BAIXADA:
COMUNHÃO E MISSÃO

Amigos e amigas, quero nesta mensa-gem compartilhar convosco algumas considerações:
1.a: Nossa Assem-bléia Diocesana está se desenvolvendo no ritmo previsto. Chegamos à fase de recolhermos os dados oferecidos pelas comunidades, no estudo das Diretrizes e da realidade. É o "ver" da Diocese. Sobre isso, iluminados pela Palavra de Deus e pelo sopro do Espírito Santo, passaremos ao "julgar", para depois construirmos o "agir". A fim de que esse propósito alcance seus objetivos, precisamos da oração e da colaboração de todos.
2.a: O Papa João Paulo II lançou o Ano da Euca-ristia que culminará em novembro de 2005, quando em Roma acontecerá a XI Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema: "A Eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão da Igreja". Somos todos convidados a rezar, mas também a refletir e até oferecer nossas contribuições sobre este assunto tão importante e vital para cada cristão e para a Igreja no seu todo. Recordo um testemunho lindo do saudo-so Dom Helder Câmara: "O Senhor me deu a graça de poder celebrar a Eucaristia todos os dias, e de nunca fazê-lo por rotina ou sem devoção".
3.a: O mês de agosto se caracteriza por ser o Mês das Vocações. Todas elas são valiosas e necessáriaspara a vida e a prática da Igreja. Rezemos e trabalhe-mos, portanto, para que as comunidades nossas e do mundo inteiro, possam contar com mais leigos e leigas engajados na família, na Igreja e na Sociedade; mais consagrados e consagradas que nos recordem a pri-mazia de Deus; e mais padres e diáconos a serviço total do Reino. Com particular carinho, peço que participemos da Festa do nosso Seminário Paulo VI. É uma maneira concreta de dizer quanto amamos a Diocese.
4.a: No dia 07 de setembro, como de costume, a Diocese irá em Romaria à Aparecida. É uma tradição maravilhosa pela qual visitamos a Casa especial da Mãe, Padroeira do Brasil, no dia em que o País comemora sua Independência e proclama, pela ação do "Grito dos Excluídos" a vontade de construirmos um Brasil melhor para todos.
Neste ano queremos dar à Romaria uma tonalidade especial, dentro da caminhada da Assembléia. Por isso vamos chamá-la: "Romaria da Assembléia Diocesana". Por isso teremos um momento bem nosso: de manhã cedo, a Via Sacra, vivenciando os sofrimentos do Senhor e de seu povo, na busca de uma realidade mais serena. Vamos, então, incentivar a presença maciça das comunidades!
5.a: Como no Brasil inteiro, nossos Municípios estão vivendo a Campanha em preparação às Eleições Municipais.
É um tempo privilegiado para a vivência da cidadania e da prática cristã. Nossa Diocese elaborou e distribuiu subsídios para auxiliar a reflexão e a escolha. A Igreja não se identifica com nenhum Partido ou Corrente política. Porém recomenda e insiste para dar a preferência a pessoas que conhecemos diretamente e estimamos por sua retidão moral, honestidade, empenho social, seriedade, competência profissional, amor à família, princípios evangélicos e respeito pela nossa Igreja.
Faço um apelo a todos os candidatos, de qualquer Partido, para que a Campanha Eleitoral seja verdadeiramente uma ação de alto nível. Não é através de ofensas, calúnias, baixaria, agressões e violência que iremos construir Municípios mais felizes, e sim por meio de Programas de Governo inteligentes, sérios e concretos, capazes de responder às verdadeiras necessidades da população. Que a Campanha Eleitoral seja exercício de nossa cidadania madura e correta, e não ocasião para vingança e ódio entre concorrentes de partidos diversos.
Como no Esporte, assim na Política precisamos aprender a competir, mas sempre como irmãos e nunca como inimigos.Vivemos um tempo decisivo que exige de nós entendimento, sabedoria, humildade e fortaleza. Necessitamos orar mais, com confiança e perseverança, a fim de que o Espírito do Senhor nos conceda esses seus dons. Como afirma a Sagrada Escritura: "Feliz o povo cujo Deus é o Senhor!"
Um abraço fraterno, com as bênçãos divinas.

Dom Luciano Bergamin
Bispo Diocesano


 

Setembro 2004


A VIDA HUMANA,
EM PRIMEIRO LUGAR

Este Setembro é pródigo de eventos: Na Igreja enfatiza-se a Bíblia; no Brasil temos a Semana da Pátria e a Campanha Eleitoral; em nossa Diocese continuamos a caminhada da Assembléia com a Romaria à Aparecida, a preparação dos ministros e coordenadores, e o estudo da situação religiosa e social de nosso povo. Essas realidades têm um eixo comum: O VALOR DA VIDA HUMANA.
Fatos e reportagens angustiam. Alguns exemplos: "Vendo um rim, pois estou desempregado e preciso de dinheiro para comprar comida para meus filhos e remédios para minha esposa". "Sou de família pobre. Quero ter um futuro melhor. Por isso preciso estudar. Como meus familiares não podem me custear os estudos, ofereço meu corpo virgem a quem pagar melhor". "Entrego meu filho, porque não quero vê-lo morrer de fome ou ser jogado na miséria". Ainda, a triste realidade social em geral: miséria, desemprego, violência, creches ameaçadas de fechar, adolescentes e jovens sem futuro nas ruas, famílias que não sabem como sobreviver e educar seus filhos, saúde pública num estado deplorável, educação desvalorizada, infra-estrutura dos bairros precária, tendência ao egoísmo e à busca de interesses pessoais, tratamento desumano dos detentos, corrupção diabólica, guerra e drogas continuando a matar e insegurança generalizada.
O que está acontecendo? Como pode um ser humano, num gesto de desespero ou vergonha ou humilhação, chegar a tanta ousadia ou loucura de amor, até o ponto de "vender" a própria vida e honra? Com que direito pode-se tirar a vida do outro? Por que a vida, para tantos, parece não possuir valor algum? Por que há irmãos e irmãs nossos que não têm a oportunidade de uma existência mais digna? O que fazer para organizar uma sociedade mais justa e fraterna? .
As vezes, há cães, gatos e cavalos de "luxo" que são tratados como verdadeiros príncipes, enquanto há homens e mulheres, jovens e idosos, que são tratados como "resto" da humanidade. Nada contra os animais que, como criaturas de Deus, merecem atenção e cuidado, conforme ensinava São Francisco de Assis. Porém, não pode nem deve haver inversão de valores. É justo dar mais valor a um gato do que a uma pessoa humana, oferecer comida, roupa especial e até bijuterias para cachorro, enquanto há ainda tantos seres humanos que passam fome ou vivem num estado de miséria?
Rogo a Deus para que nós, como Igreja de Jesus na Baixada, vivamos a prática da Justiça e da Misericórdia, conforme nos ensina Jesus na parábola do Bom Samaritano.
Peço a Deus que os futuros mandatários dos nossos Municípios (Prefeitos e Vereadores) coloquem esses desafios como prioritários em sua atuação. Serão eleitos para que o povo de nossa Região, sobretudo os mais carentes, tenha melhores condições de vida.
Suplico a Deus para que todas as forças vivas da Sociedade saibam unir-se neste mutirão a favor da vida. Cada pessoa tem condições de contribuir.
Estou consciente de que nossas possibilidades econômicas são limitadas. Todavia se soubermos usá-las corretamente, com honestidade, justiça e caridade, poderemos dar um passo significativo na construção de uma Baixada mais feliz para todos.
A vida humana é preciosa demais para ser leiloada, vendida, humilhada, tirada. Ela é dom de Deus, pois a recebemos de graça; portanto só podemos doá-la gratuitamente.
Vida não se compra nem se vende nem se tira. Somente pode ser doada. "Prova de amor maior não há, que doar a própria vida pelo irmão".
Rezemos muito: que o Senhor nos ilumine e fortifique na proteção e defesa da vida humana.

Um abraço fraterno, com as bênçãos divinas.

Dom Luciano Bergamin
Bispo Diocesano


Outubro 2004

 

A Igreja: ou é Missionária ou não é igreja

Nossa Assembléia Diocesana está caminhando para o dia de seu encerramento (20 de novembro), quando teremos também o envio oficial dos Ministros (as) e Coordenadores (as). Porém o tema da mesma: Igreja na Baixada: Comunhão e Missão continuará norteando nossa prática evangelizadora e pastoral, através das prioridades que serão apontadas.
Isto, dentro do Projeto de Evangelização assumido pelo Brasil católico: Queremos ver Jesus: caminho, verdade e vida.
São duas dimensões extremamente importantes que nos animam a viver nossa profunda identidade cristã, no diálogo com as demais religiões, mas, também, com a firme convicção e o sério comprometimento provindos da ordem de Jesus: Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda criatura (Mc. 16,15).
A igreja ou é missionária ou não é Igreja. Por um lado, devemos trabalhar intensamente nas nossas comunidades e paróquias da Dioceses, que exigem tanta presença e ação criativa, no seu dia-a-dia. Por outro lado, precisamos caminhar e alargar fronteiras, testemunhando e difundindo a experiência do amor de Deus a quem está afastado ou não foi evangelizado. Assim, afirmam as Diretrizes Gerais: Nossas comunidades eclesiais, apesar de sobrecarregadas de tarefas muitas vezes contando com escassos recursos, devem dar de sua pobreza também para a Evangelização e as Missões em outras regiões e além fronteiras. Deve-nos inquietar constantemente o grito do apóstolo São Paulo: Ai de mim se não evangelizar.
Neste sentido, quero partilhar essa linda oração. Oxalá aqueça nosso coração e entusiasmo!

Credo Missionário

Cremos que Deus nos escolheu desde o seio materno, nos chamou por sua graça e resolveu revelar em nós o seu Filho, para que O anunciássemos até os confins da terra.

Cremos ser missionários e missionárias por vocações, servos e servas de Jesus Cristo, escolhidos e escolhidas para anunciar o Evangelho de Deus.

Cremos que a Missão não vem de nós, ela é a resposta ao Plano do Pai que, em seu imenso amor quer a salvação da humanidade e por isso lhe deu seu Filho único, para que tudo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.

Cremos que Jesus Cristo nos considerou dignos de confiança, tomando-nos para o seu serviço missionário e profético em nossas comunidades que querem ver e encontrar Jesus, Caminho, Verdade e Vida.

Cremos que como batizados e batizadas, devemos comportarnos de maneira digna da vocação a que fomos chamados, levando aos irmãos e irmãs o anúncio da Ressurreição: Vimos o Senhor!

Cremos que é tarefa da Igreja inteira continuar a missão iniciada por Jesus. Foi Dele que no dia da Ascensão, recebeu o mandato: Ide, pois e ensinai a todas as nações.

Cremos que o Espírito Santo acompanha a Igreja em sua atividade missionária, pois o Cristo prometeu estar conosco todos os dias, até o fim do mundo.

Cremos na Igreja missionária, geradora de esperança, que caminha ao lado dos pobres e excluídos, e que anda nas estradas do mundo, sem ser do mundo.

Cremos que Maria, Estrela da Evangelização, a Senhora Aparecida, faz caminho com todos os missionários e missionárias, ensinando-lhes a aceitar com alegria o pedido feito nas bodas de Cana: Fazei tudo o que Ele vos disser. Amém.

Então, mãos à obra, pois a messe é grande e os operários são poucos. Por isso, precisamos contar com colaboração de todos: crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, homens e mulheres. Iniciando em nossa família e ampliando os horizontes, criando novos núcleos, aonde a presença da Igreja ainda não chegou, através de visitas fraternas, círculos bíblicos e outras iniciativas. Está na hora de um novo ardor missionário que nos façam criativos e fervorosos. Todos estamos convocados. Deus aguarda nossa resposta generosa.

Um abraço fraterno, com as bênçãos divinas.

Dom Luciano Bergamin
Bispo Diocesano

 


Novembro 2004


A
I G R E J A
D E J E S U S
C R I S T O

Durante a Assembléia Diocesana refletimos e cantamos: Igreja na Baixada: Comunhão e Missão. A realidade Igreja sempre me questiona, também perante tantas outras denominações que se atribuem ao mesmo nome. E me pergunto: O que é a Igreja que Jesus fundou? Quais são seus traços essenciais? Como deve agir ela hoje na Baixada para ser fiel ao seu Senhor? Quero compartilhar algumas considerações:
1º - A Igreja é obra da Santíssima Trindade. Sonhada, pelo Pai desde a eternidade, preparada durante a vida pública de Jesus e antecipada na Ceia Pascal, nasceu de seu lado aberto, quando Ele estava na cruz, entregando sua vida pelo mundo.

2º - Foi fecundada pelo Espírito Santo no dia de Pentecostes. Começou aí a sua missão. Os tímidos discípulos (as) tornaram-se missionários corajosos. Sem a ação forte do Espírito Santo não existe Igreja viva e atuante.

3º - Ela se alimenta da Palavra e dos Sacramentos do Mestre. Necessita escutar e conversar com Deus através da oração, a fim de descobrir e realizar a vontade divina. Mas, também, precisa celebrar os gestos salvíficos que o Senhor lhe entregou: Fazei isto em memória de mim. Reconhece que é chamada à santidade, embora sinta ainda em si a presença do pecado; por isso, precisa de contínua conversão e perdão.

4º - É consciente que sua missão é evangelizar, com o anúncio incansável da Palavra e o testemunho de vida. A Boa Nova deve chegar a cada pessoa, transformando os ambientes, imbuindo-os dos valores evangélicos. O espírito missionário jamais pode faltar.

5º - É servidora na caridade, com instituições assistenciais, promoção humana e inserção na sociedade, defendendo os direitos de cada ser humano. Faz própria a afirmação de Jesus, o Bom Samaritano: Eu vim para que todos tenham vida em abundância, e por isso, preocupa- se pelo bem integral de todas as pessoas, sem discriminações.

6º - Segue sempre o Mestre Divino: na pobreza de Belém, nas labutas de Nazaré, na luz da Transfiguração, no sofrimento da Cruz e na glória da Ressurreição. Por isso, conta com uma multidão de Santos e de Mártires, isto é, de pessoas que fizeram de Jesus e de seu projeto o centro da própria vida e O amaram tanto que souberam derramar seu sangue pela causa do Reino. A Cruz, assumida por amor e que leva à vida plena, nunca está ausente.

7º - Realiza a vivência da união descrita no Livro dos Atos dos Apóstolos perseverança no ensinamento, na comunhão fraterna, na Eucaristia e nas orações. Essa união precisa atingir os atos externos e também o íntimo da vida das pessoas e das instituições, levando-as à partilha e à solidariedade.

8º - Entende que deve ser acolhedora, recebendo santos e pecadores, sãos e doentes, pessoas sofridas que buscam o sentido da vida e a esperança, sem marginalizar ninguém.

9º - Não se fecha em si mesma, orgulhosa de seus triunfos e realizações, mas se compromete em colaborar com a humanidade, aberta ao diálogo com as demais religiões e às diversas culturas, na busca comum da paz verdadeira, alicerçada sobre a justiça, o bem comum e o perdão. Está convicta de que o Reino de Deus é maior do que Ela.

10º - Tem Maria Santíssima como mãe e, ao mesmo tempo, como irmã, pois a Virgem é a primeira discípula do Senhor.

11º - Conta com a ajuda preciosa de uma multidão de evangelizadores (as), servidores (as) que, a partir de seu Batismo e de sua Crisma, a amam filialmente e a desejam ver mais santa e profética.

12º - Acolhe diversas vocações (laical, consagrada, diaconal, presbiteral), todas elas importantes e necessárias, que têm seu fundamento comum: a inserção em Jesus Cristo.

13º - Sabe colocar-se a serviço da humanidade por meio de ministros (as), ordenados e não ordenados: animados pelo sopro vivificante do Espírito Santo e coordenados por irmãos escolhidos pelo Senhor, sob a presidência do Papa, sinal visível de Cristo, pastor Universal.
É esta a Igreja, Igreja de Jesus, que somos chamados a ser, amar e edificar. Irmãos e irmãs, venham nos ajudar!
Um abraço fraterno, com as bênçãos divinas.
Dom Luciano Bergamin
Bispo Diocesano



Dezembro 2004



MOTIVOS
DE ALEGRIA


Na manhã do 20 de novembro, encerramos a caminhada da Assembléia Diocesana que nos motivou, durante dois anos, através de reflexões nas comunidades, paróquias, regionais e Diocese. Avaliamos nossa prática evangelizadora e pastoral, a partir da vontade de sermos uma Igreja “Comunhão e Missão”, conforme a Palavra santa de Jesus: “Vós sois todos irmãos”. Constatamos, com gratidão, que muitos são os sinais do Reino presentes entre nós. Percebemos que em tantos pontos precisamos melhorar. Por isso, assumimos o compromisso de nos esforçar mais sobre algumas questões. Apresentamos a Deus o fruto da caminhada e o nosso empenho de evangelização e de caridade.
Na mesma celebração, cerca de 3500 leigos(as) receberam o mandato oficial como servidores do Povo de Deus, para os próximos três anos : Ministros da Comunhão, Palavra, Esperança, Batismo, Testemunhas Qualificadas do Matrimônio, Coordenadores e Vice-Coordenadores das comunidades. É grande a alegria de poder contar com tantas pessoas que, durante o ano de 2004, se prepararam, participando de encontros de formação, a fim de prestar um bom serviço nas comunidades e na sociedade. Sejam dadas graças a Deus por todas essas pessoas, casadas e solteiras, que, somando com os padres, diáconos, consagrados (as), agentes de pastoral, doam seu tempo e seus dotes a fim de que o Reino de Deus cresça em nossa Baixada.
O tempo de Natal está chegando, trazendo esperança, contentamento e paz, porque nos faz reviver o fundamento de nossa fé: Deus Pai tanto ama nossa humanidade, que, pelo poder do Espírito Santo, enviou seu Filho Jesus para nascer e morar sempre no meio de nós.
O tempo de Advento nos prepara a acolher o Senhor, hoje. Nisso colabora bastante a Novena de Natal em família. A modalidade segue a possibilidade das pessoas e dos ambientes, no centro e nas periferias. Foi preparado um texto adaptado à realidade de nossa Diocese. Todo nascimento humano é motivo de festa, para os pais, familiares, amigos e vizinhos. Natal é a festa da humanidade inteira que acolhe a criança Jesus, o maior presente. A Novena une as famílias em oração, para lembrar o verdadeiro significado da vinda de Jesus ao mundo e da nossa existência humana que sempre precisa de auxílio e compreensão. Neste sentido, ao final da Novena, há um gesto solidário e caridoso para com as pessoas pobres e carentes. Com efeito, não se celebra bem o Natal do Senhor se não for celebrado com os pobres e os sofredores. A Novena, finalmente, nos toma conscientes de que todos precisamos de reconciliação com Deus, com a Igreja e com todos os irmãos, sobretudo com os membros da família. A celebração do Sacramento da Reconciliação ou Confissão tanto contribui a vivermos bem o Natal. Damos graças pêlos mutirões de Confissões que estão acontecendo nas Paróquias.
Depois do período agitado da Propaganda Política e das Eleições Municipais, Prefeitos, Vice-Prefeitos e Vereadores (as) se preparam para assumirem seus mandatos de Governo, isto é, de Serviço.
Toda eleição é uma ocasião ímpar de democracia e cidadania; porém traz consigo também momentos de tensão e desgaste. Nas Olimpíadas tantos concorrem e poucos ganham a medalha.O mais importante é participar. Todos, na realidade, são vencedores, pois fazem crescer o esporte e a fraternidade. Assim, desejamos que se sintam quantos participaram do pleito eleitoral. Não há vencidos nem derrotados, já que a sociedade, no seu conjunto, tomou consciência que a autêntica Política é uma realidade importante e necessária na busca do bem comum. Pedimos ao Deus, do qual vem todo poder, que abençoe e ilumine quantos assumirão não a “honra”, mas o “serviço” de melhorar a Baixada que precisa de um carinho especial por parte das Autoridades Federais, Estaduais e Municipais. Nossa terra necessita de garra e empenho, mas com companheirismo, ternura e perdão.
Aproveito para desejar a todos um Natal santo e abençoado. Que em cada Município, paróquia, comunidade, família e coração, ressoe novamente o canto dos Anjos: “Glória a Deus e Paz ao Mundo”.

Um abraço fraterno, com as bênçãos divinas.
Dom Luciano Bergamin
Bispo Diocesano