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Março
2005
VISITA PASTORAL
O Código de Direito Canônico é o
livro que contém as leis e as normas que regulam a vida da Igreja
na sua missão. O cânon 396 estabelece que o Bispo, ou por
si mesmo, ou por outro Presbítero, visite a Diocese toda ao menos
cada cinco anos.
Na fidelidade a esta sábia e preciosa determinação,
com a graça de Deus, iniciaremos, depois da Páscoa, a visita
Pastoral em nossa Diocese, que durará um triênio. Neste ano
de 2005, serão visitadas as Paróquias de Nova Iguaçu.
No próximo ano, as Paróquias de Belford Roxo, Paracambi
e Japeri. Finalmente, em 2007, as Paróquias de Nilópolis,
Queimados e Mesquita.
Qual a finalidade dessa iniciativa? Evidentemente, não se trata
de uma visita de fiscalização, nem de um gesto burocrático.
O sentido é profundamente pastoral. Recorda aquilo que faziam os
primeiros apóstolos e que os escritos neotestamentários
nos transmitem. As comunidades, depois de serem fundadas, eram visitadas
pelos missionários, a fim de que a fé fosse reavivada e
a comunhão entre as Igrejas crescesse pelo testemunho recíproco
de caridade.
Por isso, a Visita Pastoral não é realizada
somente pelo Bispo. Com ele se farão presentes também outras
pessoas. O Chanceler ajudará na parte jurídica; a Comissão
Administrativa Diocesana auxiliará na parte de administração;
o Vigário Geral, o Pró-Vigário Geral e os Coordenadores
Diocesanos de Pastoral contribuirão na parte de caminhada pastoral;
e a Equipe da Pastoral Vocacional estimulará ao empenho cristão
e missionário de todos.
Fundamentalmente, a Visita Pastoral pretende colaborar para a implementação
das conclusões da Assembléia Diocesana, sobretudo dos dez
encaminhamentos, assim como da busca comum: “Queremos ver Jesus: caminho,
verdade e vida”.
Sendo uma visita, quer manter o caráter de encontro
fraterno e amigo com padres, diáconos, consagradas, seminaristas,
lideranças, agentes de pastoral, Conselhos comunitários
e paroquiais, Comissão Administrativa paroquial e o povo em geral.
Os dias à disposição para cada paróquia são
somente quatro; e neste curto período de tempo não dá
para realizar tudo aquilo que seria desejável. Por isso, a paróquia
mesma vai organizar a programação, atendendo as prioridades
mais urgentes, sem esquecer a dimensão missionária.
Peço a todos para que roguemos ao Senhor, a fim de que a Visita
Pastoral alcance seus objetivos, contribuindo para criar cada vez mais
“comunhão e missão”, de maneira que todos consigamos “ver
e anunciar Jesus”. Assim, poderemos também colaborar concretamente
para que o Reino de Deus aconteça em nossa Baixada.
PÁSCOA DE JESUS,
PÁSCOA DA HUMANIDADE.
É o centro da vida e da missão de Jesus; deve ser o centro
da vida e da missão de todos nós, cristãos.
Procuremos participar bem das celebrações da Quaresma, da
Semana Santa e da Ressurreição. O exemplo da infinita doação
de Jesus deve animar e inflamar nossos corações. Não
fiquemos insensíveis nem frios perante aos gestos divinos do Senhor.
Aquele Jesus que nos afirma: “Ninguém te ama como Eu”, é
o mesmo que nos envia: “Faça o mesmo que Eu fiz: ame e sirva os
irmãos! O amor é mais forte que o mal, o pecado e até
a própria morte!”
Desejo a todos uma Páscoa santa e abençoada.
Dom Luciano Bergamin
Bispo Diocesano
Fevereiro
2005
DESARMAR-SE
O tema da Campa-nha da Fraternidade desse ano “Solidariedade e Paz” e
o seu lema: “Felizes os que promovem a Paz”, sugerem e convidam ao desarmamento.
Há uma iniciativa do Governo Federal, apoiada pela nossa Diocese
e realizada nas paróquias, de recolher e destruir as armas que
cada um segura em sua casa.
Quando estamos em situação de calmaria e de controle emocional,
todos concordamos que não pegaría-mos numa arma para atirar
em alguém. Mas quando as emoções se tornam incontroláveis,
então é fácil perder a cabeça e fazer a imensa
e trágica bobagem de puxar o gatilho, ameaçando a vida dos
outros e a própria. Daí o clima de violência que assola
tristemente o mundo inteiro, inclusive nossa Baixada. Portanto, como seria
bom que ninguém tivesse a possibilidade de ter uma arma ao alcance
da mão.
Porém, além das armas físicas, existem outras armas
que são igualmente perigosas e ferem gravemente nossas famílias,
Igreja e sociedade. Delas também precisamos desarmar-nos.
A arma de achar de ter sempre razão, de ser dono da verdade. Com
quanta freqüência exigimos que os outros pensem como nós.
Desarmar-se é permitir que cada um tenha suas idéias e possa
expôlas com sinceridade, no respeito. Ser dono da razão é
procurar todos os meios, legítimos e ilegítimos, para justificar
a si mesmo e as próprias atitudes, às vezes até bem
erradas, qualificando-se como o melhor, o mais competente, o mais preparado,
o único “sabichão”, desqualificando os outros e as experiências
diversas. Para viver o clima de comunhão e missão, faz-se
necessário despir-se do autoritarismo. Claro que precisa criar
um plano de ação comum, mas ele será fruto da busca
e da colaboração de todos.
A arma da intolerância. Infelizmente, como é comum esta arma!
Ser intolerante é não admitir que outro seja diferente,
seja ele mesmo.
Cresce a intolerância entre as religiões: parece existir
uma disputa, quase fanática, para conquistar seguidores. Neste
caso se tem a impressão de que a religião não se
preocupa para encontrar o Deus vivo e realizar sua vontade, mas, ao contrário,
se interessa em alcançar ibope e lucro.
Cresce a intolerância entre os partidos políticos: a preocupação
maior não é com o bem do povo e com a continuação
de projetos sérios a longo prazo, mas, sim, com os interesses particulares
de grupos que estão no poder ou pretendem alcançá-lo.
A arma da auto-suficiência. Como é grande a tentação
de querermos ser Deus, de bastarmos a nós mesmos, de dispensarmos
Deus e as pessoas, porque sozinhos sabemos fazer tudo da melhor forma.
É grande o pecado original, fonte de todos os demais pecados que
ainda afetam nossa humanidade. Até em nossa pastoral pode estar
presente, quando organizamos as atividades do nosso jeito, quando resolvemos
que não precisamos de encontros, de reciclagens, de formação,
pensando que já sabemos tudo e que somos bastante maduros e capazes
para nos sujeitarmos a estas exigências.
A arma da fofoca e da mentira. Está constantemente engatada, pronta
a disparar e a fazer um estrago horrível, criando situações
desagradáveis e que tanto sofrimento provocam. Todos nós
necessitamos nos policiar com extremo cuidado. Bem afirma a Carta de Tiago:
santo é quem refreia e dirige bem sua língua, pois com ela
se pode construir, mas com ela se pode também destruir.
Dentro do espírito da Campanha da Fraternidade, todos nós
somos convidados a desarmar-nos de todas as armas que destroem vidas,
amizades e, acima de tudo, destroem a razão mais profunda de todos
os atos humanos: o amor!
Um
abraço fraterno, com as bênçãos do Senhor.
Dom Luciano Bergamin
Bispo Diocesano
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