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Cartas do Gen
Carta
Dezembro 2005
“Porque nasceu para nós
um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros
a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é:
Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos
futuros, Príncipe da paz” (Is 9, 5).
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional e do OMCC
Meus queridos leitores, irmãos e irmãs:
Como de costume, desejo propor-lhes
à reflexão alguns pontos que julgo significativos
para este mês.
1. Celebrar. Primeiramente, um lembrete:
é bom não perdermos de vista que, ao celebrar
nossas festas cristãs, não fazemos, simplesmente,
memória de algo que já passou há
séculos e, até, há milênios.
Nem sequer se trata de uma comemoração
“em homenagem a...”. Por que? Porque na
vida do cristão o mistério está
sempre presente. E está presente porque esse
mesmo mistério é uma centelha do amor
infinito de Deus ardendo continuamente na história
da humanidade. E ardendo mais do que na história.
Pois é o amor infinito de Deus inflamando o coração,
a vida dos filhos e filhas de Deus, ardendo em chamas
inextinguíveis já anunciadas por Jesus
aos seus seguidores: “Fogo eu vim lançar
sobre a terra, e como gostaria que já estivesse
aceso!” (Lc 12,49). Daí uma das razões
porque dizemos “celebrar” e não,
somente, relembrar ou comemorar. Celebrar é viver
com intensidade uma realidade presente e não
somente uma lembrança do passado.
2. Quem e o que celebramos neste mês?
Na verdade, estamos nos preparando para celebrar um
mistério carregado de ternura e de amor. O que
poderíamos lembrar sobre a encarnação
de um Deus na condição humana? Lembrar,
de fato, muito pouco. Relativamente pouco, devido à
distância no tempo e no espaço por mais
fieis sejam os relatos. Entretanto, estes, quando iluminados
pela fé, adquirem a intensidade e a força
de uma celebração. É assim com
o Natal de Jesus quando a gente se lembra não
tanto o “que” e, sim, celebra o Quem. Isto
é, a própria pessoa de Deus feito carne
em Jesus Cristo. Ainda que não sendo a celebração
mais importante dos cristãos – a mais importante
é a Páscoa – o Natal é aquele
foco que lança suas luzes sobre a fraternidade,
a humildade, a solidariedade, o perdão, a festa
da família , a festa do encontro e da alegria:
“Porque nasceu para nós um menino, foi-nos
dado um filho...”. É no Natal que se reforça
a fé, renasce a esperança, confirma-se
a caridade, o amor. É no Natal que um “menino”
revela-se o enviado do Pai celeste para anunciar a salvação
e a libertação. É no Natal que
se cumprem as promessas de Deus a seu povo. Na primeira
leitura do Primeiro Domingo do Advento, o profeta Isaias,
como que querendo falar a Deus e ao povo ao mesmo tempo,
exclama, louvando e advertindo: “Desceste, pois,
e as montanhas se derreteram diante de ti. Nunca se
ouviu dizer nem chegou aos ouvidos de ninguém,
jamais olhos viram que um Deus, exceto tu, tenha feito
tanto pelos que nele esperam. Vens ao encontro de quem
pratica a justiça com alegria, de quem, seguindo
teus caminhos, sempre te celebram” (Is 64, 2-4).
3. “Espírito de Natal”.
O que é isso? Geralmente, já na segunda
metade do ano começa o bombardeio do deus-mercado
em cima do “consumidor”. É assim
que a moderna cultura materialista e consumista nos
enxerga. E vai fundo, querendo atingir até as
raízes de nossa fé cristã. Com
efeito, o que o mercado chama de “espírito
de Natal” nada mais é do que transformar
as nossas convicções celebrativas da fé,
em sede insaciável de consumo. A meu ver, o tal
“espírito de natal” proclamado e
anunciado pelo deus-mercado-consumista por todos os
meios de comunicação de massa, nada mais
é do que um “vírus” que, subliminarmente,
vai infectando a nossa consciência cristã.
Efetivamente, sem que a gente se aperceba, parece ser
quase uma obrigação comprar, comprar...presentear,
presentear... Quem não dá um presente
no Natal é porque é um ingrato e quem
não recebe é porque não merece,
é esquecido! Para nós vale lembrar: “espírito
de Natal” não é comprar e vender;
não é trânsito caótico e
ruas intransitáveis; lojas abarrotadas; sacolas,
sacolinhas ou sacolões sacudidas por mãos
nervosas... não é dar presentes ou recebê-los.
O autêntico “espírito de Natal”
é celebrar um “menino” cujo nome
é “Conselheiro admirável, Deus forte,
Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz”!
4. A presença insubstituível
de Maria – ao nascer uma criança, quem
a gente vai cumprimentar e com quem a gente vai se alegar?
Não é com a mãe? Não foi
Maria que, durante nove meses, trouxe em seu ventre
Aquele que acolhemos e celebramos no Natal? Vamos acompanhá-la
e celebrar com ela? Então, sugiro que rezemos,
com freqüência, até o Natal, a oração
da missa da terça-feira da quarta semana do Advento:
“Senhor Deus, ao anúncio do anjo, a virgem
imaculada acolheu vosso Verbo inefável e, como
habitação da divindade, foi inundada pela
luz do Espírito Santo.Concedei que, a seu exemplo,
abracemos humildemente a vossa vontade”.
5. Votos de um santo Natal. Portanto,
queridos leitores e leitoras, ao desejar um “feliz
Natal”, à sua família, a seus amigos
e conhecidos ou a seus irmãos de fé, procure
ter consciência clara do que esse desejo significa:
que o “menino” renasça no coração
e na vida de cada um para que, com a participação
de todos, o mundo consiga, efetivamente, viver a paz,
a justiça, a solidariedade, o perdão que
Ele vem anunciar e testemunhar! Pois é isso mesmo
que Isaías profetiza logo no versículo
seguinte ao citado acima: “Para o crescimento
do seu domínio e para a paz não há
limites, sentado no trono, com o poder real de Davi,
com a prática do direito e da justiça,
a partir de agora e para sempre. O amor apaixonado do
Senhor dos exércitos pelo seu povo é que
há de fazer tudo isso” (Is 9,6).
São os meus votos neste Natal,
queridos leitores e leitoras, para você, sua família,
seus amigos e para todos!
Pe.
José Gilberto BERALDO
Assessor
Eclesiástico Nacional MCC
E-mail:
beraldomilenio@uol.com.br
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