Cartas do Gen

Carta MCC Brasil - Nov/05

"Nele (em Cristo) Deus nos escolheu, antes da fundação
do mundo, para sermos santos e íntegros diante dele, no amor" (Ef 1,4).

Queridos irmãos e irmãs

O mês de novembro para os católicos, já se inicia iluminado por dois focos essenciais para a vida cristã, ou seja, o foco do chamado à santidade e o da esperança. O primeiro vem lembrado na festa de Todos os Santos (no Brasil, caindo em dia de semana, transfere-se para o domingo seguinte, como é o caso deste ano), e o segundo logo no dia seguinte, com a comemoração de todos os Fiéis Defuntos. Detenhamo-nos numa breve reflexão sobre cada um deles.

1. Chamados à santidade - nas Cartas dos Apóstolos, especialmente nas de São Paulo, encontramos inúmeras referências ao tema da santidade. Creio que uma das mais significativas é precisamente a que encabeça esta nossa carta. Paulo insiste em que "Deus nos escolheu". Se dependesse de nós mesmos, devido às nossas naturais limitações, com certeza dificilmente haveríamos de sequer pensar em santidade. Foi Deus mesmo que nos escolheu e, portanto, nos chamou para sermos santos.

Mas - pergunta-me o leitor ou a leitora - afinal o que é a santidade? Uma das mais claras respostas que encontrei foi num documento memorável do saudoso Papa João Paulo II, intitulado "A vocação e missão do leigo na Igreja e no mundo" (no16): "A dignidade do fiel leigo revela-se em plenitude quando se considera a primeira e fundamental vocação que o Pai, em Jesus Cristo por meio do Espírito Santo, dirige a cada um deles: a vocação à santidade, isto é, à perfeição da caridade". Eis ai uma definição transparente como uma gota d'água. Santidade é a perfeição da caridade. Por uma razão muito simples: sendo Deus amor, cujo sinônimo é caridade, ser santo é ser perfeito na caridade, isto é, no amor. Jesus ensina que o amor a Deus é o primeiro mandamento e que o segundo é semelhante ao primeiro: amar ao próximo como a si mesmo.

Geralmente, quando se fala em santidade, logo se pensa em alguém que está nos altares das igrejas ou na devoção dos nossos corações e que jamais poderemos alcançar. Engano. Santo posso ser eu, pode ser você, podemos ser cada um de nós, com os nossos pés no - muitas vezes - doloroso chão da vida ou nos tortuosos caminhos do mundo. No mesmo documento, João Paulo II diz que "O santo é o testemunho mais esplêndido da dignidade conferida ao discípulo de Cristo". Agora, se você está mesmo interessado em saber como é que se faz para ser santo, indico-lhe três receitas fáceis e ao alcance de todos: 1) Mt 5,3-12; 2) Mt 6, 9-13 e 3) Carta de S.Paulo aos Romanos, 12, 5-16). Dei as pistas. Agora descubra você mesmo o caminho! E dê sua resposta ao chamado de Deus!

2. Testemunhando a esperança - confesso que são muito raros os momentos de toda a minha vida em que não me alimento com esta virtude. Até por necessidade de sobrevivência em circunstâncias tão desafiadores em que nos cabe viver. Pois a comemoração de todos os fiéis defuntos vem proporcionar-nos, mais uma vez, a oportunidade de renovar a esperança na ressurreição. Embora respeite a crença de cada um, não posso evitar ter pena dos que, em suas aspirações, põe a sua fé na reencarnação... Não descobriram a maravilhosa e esperançosa mensagem da ressurreição de Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais" (Jo 11, 25-26). Esta é a esperança fundamental que não nos vai decepcionar por ser promessa dAquele que por primeiro ressuscitou. Esta é a esperança que devemos nós, os cristãos de hoje, testemunhar e explicar, principalmente aos que não crêem: "Antes, declarai santo, em vossos corações, o Senhor Jesus Cristo e estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir" (1Pd 3,15).

Por isso mesmo, se o cristão é confortado pela esperança e pela certeza da ressurreição final, há que dar provas desta mesma esperança - como nos ensina São Pedro - num "novo céu e numa terra nova" (Ap 21,1), vivendo em santidade para a qual foi chamado pelo Senhor e lutando como um profeta para que esta nossa sociedade seja sempre mais justa, solidária e coerente com o projeto de Deus.
A todos os queridos leitores e leitoras, meu carinhoso abraço fraterno.



Pe.José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional
Movimento de Cursilhos

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