Cartas do Gen

Carta do Mês de Outubro/ 2005

“Jesus subiu à montanha e chamou os que ele quis; e foram a ele. Ele constituiu então doze, para que ficassem com ele e para que os enviasse a anunciar a Boa Nova, com o poder de expulsar os demônios” (Mc 3, 13-15).
Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional e do OMCC

Queridos irmãos e irmãs:

Minhas cartas para o mês de outubro – mês das missões – sempre têm tratado deste tema. Esta não será diferente. Na deste mês, com um breve comentário do trecho evangélico acima, venho propor aos meus pacientes leitores e leitoras, alguns pontos que reputo importantes para reflexão sobre o tema das missões. Ou, melhor, da missão; do chamado e da resposta; do envio e do compromisso.

1. Jesus sobe à montanha – antes de cada decisão importante, Jesus “sobe à montanha”, isto é, dedica-se à oração isolando-se no próprio silêncio interior e exterior para estar a sós com seu Pai. A atitude que Jesus iria tomar daí a pouco seria vital para o seu projeto de salvação. Tratava-se de escolher aqueles seguidores seus que, até o fim dos tempos e por toda a terra, o sucederiam no anúncio do Reino de Deus. Seriam os que “iriam adiante dele” para anunciar uma Boa Noticia. Pergunta: quando você se acha à frente de qualquer decisão a tomar - ainda que seja por breves instantes - você se recolhe em oração ao Pai suplicando as luzes do Espírito Santo? Você tem consciência de ser nominalmente chamado para ser um mensageiro da Boa Nova do Evangelho?

2. Jesus “chamou os que Ele quis e foram a Ele”. Todos os batizados, somos chamados, sem exceção, para irmos a Jesus. Para buscar a sua Face. Para encontrá-lo. Para seguí-lo. Cada um de nós é chamado pelo próprio nome. Chama-se a esse chamado, vocação. Fico encantado toda vez que lembro das sábias palavras de um querido amigo meu: pai, mãe, irmãos e parentes você não escolhe. Amigos, sim, você escolhe. Ora, Jesus escolheu a mim, a você para “ir a Ele” como amigos. Para fazermos a experiência dEle. Alguns têm que “subir à montanha” para encontrá-lo. Outros têm que buscá-lo e encontrá-lo na dor, no sofrimento, nos desafios diários de sua jornada e nas provações. Outros, ainda, poderão encontrá-lo na planície, isto é, na normalidade e tranqüilidade da vida diária. A todos Jesus faz ouvir a sua voz através do batismo e em inúmeras outras oportunidades. É preciso estar atentos à sua voz. Não só. Mas, além de ouvi-lo, “ir a Ele”, para seguirmos o “Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Como os Doze, somos convidados a tomar a decisão que, com a graça de Deus, deveria ser irrevogável. Ir a Jesus significa romper laços. Quebrar resistências: as próprias, internas, e as externas. Pergunta: o que está impedindo você de atender ao chamado de Jesus? Quais são as resistências que você opõe? Ou será que você como que teria trocado de nome, isto é, estaria ouvindo outros chamados, outras vozes que não as de Jesus ou outras pessoas que o chamam?

3. “Constituiu os Doze para que ficassem com Ele”, isto é, para descobrir a sua pessoa, para, encantados e surpresos, contemplá-la, saboreando-lhe a intimidade e, ficando com Ele, aprender com Ele, abraçá-Lo com carinho e, portanto, sentar a seus pés, como discípulos, ouvindo o Mestre, olhos e ouvidos atentos e o coração aberto. “Ficar” não no sentido que esse verbo costuma ter hoje, isto é, no de usar, abusar, usufruir enquanto agrada e depois atirar fora como um bagaço. Ficando com Jesus, sendo seus discípulos, então estaremos preparados para ser enviados. “Ficar” com Jesus = conhecer mais profundamente a Jesus; ouvi-Lo sussurrar sua palavra de amor aos nossos ouvidos; deixar-se embeber por sua palavra; estar atentos e pendentes dos seus lábios e do seu coração... ser discípulos, aprendizes do único Mestre!

4. “Para que os enviasse a anunciar a Boa Nova” – Jesus não nos prende num único lugar, somente junto a si. Ele nos envia. Ele nos manda “sair”. Sair em missão. É a palavra de ordem, hoje, em toda a Igreja. A Igreja é essencialmente missionária. Se não fosse missionária não seria Igreja, afirmou o Papa Paulo VI. E é missionária para “anunciar a Boa Nova”, para fazer exatamente como Jesus o fez: gritar ao mundo, por palavras, por e pelo testemunho de vida que o nosso Deus “fez maravilhas” (Lc 1,49): enviou o seu Filho, Jesus, para encarnar-se entre nós, para viver como nós, para morrer por nós e por nós ressuscitar, anunciando, assim, o Reino de misericórdia, de perdão, de amor, de solidariedade e fraternidade. Por paradoxal possa parecer, o nosso mundo contemporâneo está clamando por esse anúncio. Você, meu irmão e minha irmã, o que realmente está fazendo para que isso aconteça? Você está “saindo em missão” ou está de braços cruzados, diante da televisão, ocupado com “coisas menores enquanto o mundo está pegando fogo” como disse Santa Teresa de Ávila? Que atitude concreta você pode assumir nesse mês da Missão?

5. “Com o poder de expulsar os demônios” – que demônios? Atualmente fala-se muito em exorcismos, exorcistas, expulsão de demônios... O mundo não está endemoninhado porque Deus o fez para digna habitação de seus filhos. O homem – nós, portanto - é que fizemos dele um antro de demônios, isto é, o demônio da violência, da injustiça, da exclusão, da marginalização, etc... Vamos expulsá-los, a esses demônios? De que forma? “Saindo em missão” e confirmando o anúncio pelo testemunho de uma vida autêntica, fiel a Jesus e fiel à sua Palavra. Meu irmão, minha irmã: saiamos em missão! Como a seus discípulos, Jesus escolhe cada um de nós; chama-nos pelo nome; acolhe-nos junto dEle e nos envia! Ofereçamos a Ele o nosso sim generoso. Para isso, não é preciso abandonar sua casa ou sua família ou sua profissão. Ai mesmo, nas variadas circunstâncias de sua vida, vá a Jesus. Ele o espera!

Meu abraço fraterno.

Pe. José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional
e Mundial do Movimento
de Cursilhos de Cristandade


E-mail: beraldomilenio@uol.com.br


 

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