Cartas do Gen

Carta Mensal do MCC Outubro 2006

“Jesus disse, de novo: 'A paz esteja convosco
Como o Pai me enviou também eu vos envio' ”. (Jo 20, 21)

Meus queridos irmãos e irmãs, amáveis leitores:

Desejo a todos que, através de uma resposta generosa, possamos responder à nossa vocação missionária!

Entramos no mês das Missões, cuja lembrança especial acontece no seu último domingo, Dia Mundial das Missões. Permitam-me, pois, oferecer-lhes alguns pontos de reflexão sobre esse assunto essencial na vida de todo batizado. E, de maneira especial, na vida dos batizados que assumem conscientemente sua vocação de discípulos e missionários, seguindo o mandamento e os passos dAquele que os chamou.

Ademais, toda a nossa Igreja latino-americana está na última fase de preparação para a V Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe, a realizar-se aqui no Brasil, na cidade de nossa Padroeira, Nossa Senhora Aparecida, no mês de maio de 2007. Aqui estará nosso Papa, Bento XVI, e mais centenas de Bispos do continente. É motivador o lema desta Conferência: Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida. ‘Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida’ (Jo 14, 6).

Para enriquecer nossa reflexão, permitam-me partilhar com vocês alguns pontos-chaves abordados numa reunião de Agentes de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo pelo Coordenador de Pastoral, Mons.Tarcisio Loro. Sua motivação gira em torno de dois termos do lema da V Celam: discípulos e missionários.

  1. O nascimento e a formação do discípulo. O discípulo nasce e se forma...
    • Do encontro com Cristo vivo. João Paulo II fala que oencontro com Jesus Cristo vivo é o ponto de partida de toda ação pastoral”.
    • Na contemplação do rosto de Jesus que acolhe a todos, ama, escuta, perdoa, questiona, provoca mudanças e respostas, partilha, sensível e humilde,
    • No acolhimento e na meditação da Palavra de Deus:ser discípulo de Jesus é ser discípulo da Palavra.
    • Da oração pessoal e comunitária: pelo diálogo orante com o Pai, o discípulo é gerado pela ação do Espírito Santo.
    • Na vivência da caridade, especialmente com os excluídos e pobres.

 

  1. Alguns sinais que identificam o discípulo de Jesus Cristo:
    • Responde a um chamado pessoal: Segue-me” (Jo 10, 4, chamado de Mateus), para fazer parte do grupo dos discípulos.
    • Conduz sua vida pela novidade do Evangelho, pela lógica do Senhor: “Eu, que sou o Mestre e Senhor, lavei os seus pés; por isso, vocês devem lavar os pés uns dos outros” (Jo 13, 14).
    • Continua a missão do Mestre: “Depois, pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e os deu aos discípulos; os discípulos os distribuíram às multidões” (Mt 14, 19).
    • Ama como o Mestre amou: “Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos” (Jo 13, 35).
    • É capaz de renunciar a tudo por amor a Cristo: “Quem não renuncia a tudo o que tem não pode ser discípulo de Jesus (Lc 14, 33).
    • É membro da Igreja e vive em comunhão eclesial. Não é discípulo de um movimento.Ele age em nome de Cristo, com toda a Igreja. Sua missão é a missão da Igreja. “Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto” (Jo 15, 5).
    • Não se limita à sua paróquia ou comunidade. Jesus disse: “Vamos a outros lugares. Lá também devemos pregar o Evangelho” (Mc 1, 38).
    • É memória viva do Senhor, pela Palavra e pelo testemunho: “Se vocês guardarem as minhas palavras, vocês, de fato, serão meus discípulos” (Jo 8, 31).
    • Encanta-se, apaixona-se pelo Mestre. “Não quereis vós também partir?” “A quem iremos, Senhor?” (Jo 6, 68).
  2. A vocação do discípulo é ser missionário:
    • Jesus também enviou seus discípulos, dois a dois (Mc 6, 7), para uma ação missionária.
    • O missionário semeia as Palavras do Mestre no coração das pessoas, no meio das instituições, na sociedade. Por meio dele, a Palavra anunciada segue seu itinerário e o projeto de Jesus continua a se encarnar na realidade e a fazer crescer o Reino de Deus.
    • Ele testemunha com a vida sua experiência de discípulo do Senhor, sua intimidade com o Cristo e seu conhecimento do Mestre. O missionário sente forte desejo de comunicar a Pessoa, o projeto e as alegrias do Reino.
    • Seu modelo de missionário é o próprio Jesus, que “percorria todas as cidades e aldeias...” (Mt 9, 35) e ia às casas e sinagogas, para proclamar a Palavra e anunciar a misericórdia de Deus (Lc 8, 40-42.49-55).
    • Tem consciência de ser um enviado: “Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20, 21-22).
    • Não se contenta com as “coisas deste mundo” – preconceitos, julgamentos, injustiças. Anuncia e propõe a novidade do Evangelho, ou seja, uma nova forma de viver, como nos mostra o Evangelho através das figuras de Zaqueu e do Filho Pródigo, entre outras (Cf. Lc 19, 1-10; 15, 11-31).

 

Essa mesma motivação, aliás, tem orientado nossas Assembléias Regionais durante este ano de 2006, cujo tema é ‘formar-se para formar’ e cujo lema é precisamente o mesmo da V Conferência. Tendo sido batizados, isto é, levados à comunidade por nossos pais que nos queriam ‘filhos de Deus’; tendo sido, depois, confirmados, isto é, declarado nossa profissão de fé quando já tínhamos idade para conhecer suas conseqüências; tendo sido abençoados com a experiência do Cursilho, isto é, um movimento eclesial que quer, precisamente, que levemos o Evangelho de Jesus lá, nos nossos ambientes, onde nossa vida diária se desenvolve, devemos estar em contínuo processo de formação e crescimento para viver como discípulos e agir como missionários.

Desejando que essa convicção nos faça capazes de responder ao apelo do saudoso Papa João Paulo II que nos convocou a um ‘novo ardor missionário’ e nos coloque na linha de frente dos que trabalham pela construção do Reino, despeço-me pedindo que Nossa Senhora Aparecida, cuja festa neste mês comemoramos, cumule de bênçãos a vida de todos e de cada um.

Pe José Gilberto Beraldo
Assessor Eclesiástico Nacional

 

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