ORGANISMO MUNDIAL DOS CURSILHOS DE CRISTANDADE 

 

BOLETIM MENSAL 


04JUNHO2009 

Queridos amigos

      Que a paz e o amor de Nosso Senhor estejam sempre convosco!

      I – Actualidade

      Dentro de apenas dois meses, se Deus quiser, estaremos a celebrar a nossa IV Ultreia Mundial de Anaheim, Califórnia, no dia 1 de Agosto de 2009. Queremos lembrar-vos que deveis comprar os vossos bilhetes porque no dia da Ultreia não se venderão à porta. O Comité Executivo do OMCC continua a trabalhar amorosamente e com muito entusiasmo na organização desta IV Ultreia Mundial e continuamos a pedir-vos que continuem a divulgá-la nas vossas comunidades e não esqueçamos que é uma oportunidade única para poder viver e conviver o fundamental cristão com amigos de todo o mundo. É apenas a IV Ultreia Mundial na história do Movimento dos Cursilhos de Cristandade, que cada vez está em mais países e cidades de todo o mundo. Unamo-nos neste magno evento para dar graças a Deus por este grande Carisma que o Espírito Santo deu ao mundo, para conhecer o amor e a amizade de Deus, em Jesus Cristo.

      No mês de Maio, Juan Ruiz visitou a ilha do Encanto – Porto Rico. E durante a sua visita a Mons. Eusébio Ramos Morales, Bispo da nova Diocese de Fajardo-Humaco, obteve-se “a bênção com as duas mãos”, como um dia fizera o próprio Bispo D. Hervás, para iniciar os Cursilhos nesta nova Diocese.

      Durante esta visita à Ilha do Encanto, teve também a oportunidade de visitar a Casa de Cursilhos de Aguas Buenas, onde estava decorrer um cursilho de homens e a Casa de Cursilhos de Juncos, bem como participar num Encontro Nacional com líderes de seis dioceses de Porto Rico, na primeira Ultreia Inter-diocesana em Humacao e Na Clausura do Cursilho que decorrera na Casa de Cursilhos de Aguas Buenas. Como resultado desta visita, muitos dirigentes expressaram a necessidade de terem mais eventos inter-diocesanos, de um Cursilho de Cursilhos para as seis dioceses e de reavivar o Secretariado Nacional para que Porto Rico volte a ser uma voz neste Movimento universal.

      De todos e cada um destes eventos, o mais impressionante foi a entrega e dedicação dos Dirigentes do Movimento dos Cursilhos de Cristandade e o trabalho incansável que o Pe. Jaime Capo realizou nesta bela Ilha das Caraíbas.

      Também durante este mês de Maio, Juan Ruiz teve a grande honra e privilégio de celebrar o 50º aniversário do Movimento dos Cursilhos na Diocese de Guadalajara Jalisco, participando juntamente com o nosso Assessor Episcopal – Cardeal João Sandoval Iñiguez, num Cursilho de Cursilhos nesta arquidiocese onde participaram cursilhistas, leigos e sacerdotes, de sete diferentes dioceses do México.

      Damos graças a Deus por todas estas oportunidades que nos proporciona de levar a mensagem deste encantador Carisma a tantos e tantos amigos de tantas e tão diferentes culturas e línguas. Tudo isto vem apenas confirmar, mais uma vez, a mão do Espírito Santo na criação e eficácia de transmitir esta mensagem do amor e amizade de Deus, em Jesus Cristo, através deste simples veículo da amizade, a tantos e tantos afastados, no mundo. 

      II – Estudo do Carisma: IX Parte

            Metodologia: II – CURSILHO (3 DIAS)

      Nenhum homem, nenhuma mulher se conhece, enquanto não se tiver encontrado com Deus.

      O cursilho é um curso breve e intenso de três dias de oração, de estudo e de convivência.

      O Cursilho é, acima de tudo, a vivência do fundamental cristão, em convivência caritativa e apostólica. No Cursilho convive-se com Deus, pela oração, com a Igreja através dos dirigentes e com o mundo, com os outros cursilhistas. O Cursilho é a descoberta da proposta “Vem e verás”, que o padrinho fez ao candidato. A realidade do triplo encontro: consigo próprio, com Cristo e com os irmãos.

      O método dos Cursilhos não surgiu ao acaso nem foi produto de laboratório, nem a consequência duma exaltação emocional. O método do cursilho, na peculiar convivência durante três dias, em regime fechado e isolado, foi rezado, pensado, planeado, estudado e estruturado minuciosamente. A convivência durante três dias foi vivida e experimentada durante cinco anos, desde Cala Figuera, alcançando a plenitude no Cursilho de Santo Honorato.

      Um sistema inovador, dentro da metodologia, quanto à introversão no eu íntimo e a conexão com o Espírito. Sistema que mereceu os maiores elogios de grandes inovadores na educação, como Guilherme Estarellas, bem como de especialistas em psicologia, muitos deles “afastados” da Igreja.

      Disse-se que no Método dos Cursilhos, de viver e gerar amizade, se distinguem três tempos, ou três elementos básicos: o Pré-cursilho, o Cursilho e o Pós-cursilho.

      Estes três elementos, como planos que se estabelecem como as relações de amizade entre as pessoas, unem-se intimamente entre si, como um movimento circular. Esta circunvalação ao uníssono surge porque o pré-cursilho gera o cursilho, o cursilho gera o pós-cursilho e, por sua vez, o pós-cursilho gera o pré-cursilho.

      A união íntima destes três elementos do Método concretiza-se no facto de o cursilho ser a finalidade do pré-cursilho e, por sua vez, o pré-cursilho ser um trabalho e o objectivo do pós-cursilho. Cada um dos três tem igual importância, dentro do método, sem que deva fazer-se nem estabelecer-se comparação de importância entre os mesmos.

      O CURSIULHO é o segundo tempo do Movimento dos Cursilhos. Este tempo não é uma espiritualidade, mas um método para possibilitar qualquer espiritualidade, para possibilitar o espiritual autêntico, como se indica em Vertebração de Ideias. Corresponde ao plano de inter relação, ou seja, o das relações com aqueles que nos acompanham na vida, os nossos companheiros, parentes ou vizinhos, exprime a proximidade sem identificação.

      É um plano apostólico com o objectivo ÚNICO de aproximação da pessoa para que quem vive os três dias do cursilho possa ter um triplo encontro com ele próprio, com Cristo e com os irmãos.

      Este itinerário de encontros é a trajectória sequencial dos rolhos dos leigos no Cursilho: “O homem pode ser mais e melhor” (Rolho Ideal), pode sê-lo onde está (Leigo na Igreja), se revela o seu coração, com espontaneidade (Piedade), se assume a sua inteligência com convicção (Estudo), se orbita a sua vontade com decisão (Acção) e a sua pessoa na sua globalidade (Dirigentes); se aceita que a sua realidade está integrada por pessoas (Estudo do Ambiente) a quem pode ajudar (Cristandade em Acção), sempre quer se realize duma forma pessoal (O Cursilhista para além do Cursilho) em amizade (Reunião de Grupo e Ultreia)” (Cursillos de Cristiandad – Manifesto).

      Nenhum homem, nenhuma mulher se conhece enquanto não se tiver encontrado com Deus. E o Cursilho é um veículo para se aproximar de Deus, é um veículo que provoca o encontro com Deus.

      O Cursilho, segundo o método dos Cursilhos de Cristandade, é uma reunião de homens ou uma reunião de mulheres, em regime fechado e isolados da sua vida quotidiana durante três dias, durante os quais se tentam explicar as ideias imprescindíveis sobre a realidade de ser cristão a partir da vivência do fundamental cristão, dando-lhas a conhecer, com alguma possibilidade de eficácia, através dum método de testemunho e de palavra, num ambiente de amizade.

      Pretende-se a conversão da pessoa, para que esta provoque a conversão do círculo social humano que a rodeia, no seu metro quadrado móvel em que vive. Isto consegue-se pela graça de Deus e pela livre opção da pessoa, pela proclamação da mensagem e o conhecimento da psicologia e da metodologia usadas, através duma equipa formada por dirigentes leigos e sacerdotes e pela alavanca que representa a oração de toda a comunidade.

      Os três dias do Cursilho, servindo-se dos rolhos e dos contactos pessoais de sondagem, farpa e animação, destinam-se essencialmente a conseguir um íntimo triplo encontro de pessoas com a inquietação de encontrar o gozo da fé.   Mediante os rolhos místicos pretende-se provocar fome de vida em Graça. Mediante os rolhos leigos pretende-se oferecer testemunhos vivos de que é possível a realidade de o homem e a mulher poderem levar uma vida em Graça no mundo em que o Senhor os colocou, no seu mundo concreto da família, do trabalho e do ócio.

      Em primeiro lugar, pretende-se que a pessoa que participa num cursilho, se veja a si própria, como é. Que saiba se realmente conduz a sua vida para onde quer, que se descubra a si própria e que aceite as suas capacidades e limitações para viver e conviver em amizade. Se o encontro consigo mesmo não acontece, não se podem dar os outros encontros, porque não parte da sua verdadeira realidade.

      O segundo passo oferece ao cursilhista a apresentação da possibilidade duma vida com Cristo. Passar dum Cristo distante e esquecido para a maioria dos homens e mulheres do nosso tempo, para um Cristo vivo, normal e próximo.

      A essência do terceiro dia consiste em tornar o cursilhista consciente de que tudo isto – a vida em Graça e a proximidade com Cristo – é uma realidade possível ao voltar aos ambientes do nosso mundo. Uma realidade possível vivendo-a entre as pessoas com quem convivemos directamente e também com as que nos rodeiam, em geral. Uma realidade possível, sustentável, testemunhando cristianismo.

      Os passos (etapas) do Cursilho, no entanto, não são uma fórmula matemática que se desenrola de forma sucessiva e exacta, em cada um dos participantes. Os rolhos e as meditações de cada um dos três dias estão orientados para provocar caminhos apropriados para se penetrar nos três campos. Mas cada pessoa, na descoberta da luz da sua fé reage aos impactos no seu dia e hora próprios. Durante os três dias do Cursilho apresentam-se numerosos detalhes, com valor suficiente, cada um em concreto, para poder ser o detonador que active, no cursilhista, o encontro com o fundamental cristão: a oração, o Sacrário, as intendências, a alegria, a amizade …

      Nas palavras de Eduardo Bonnín: “Os cursilhos, pela sua próprias natureza, hão-de ir ao fundo da pessoa, ao mais interior e íntimo de si própria, não às circunstâncias concretas que a envolvem, se é casado, solteiro, praticante ou indiferente, etc. Não deve haver nada que o desvie do objectivo a que se deve apontar. O encontro tem que ser com Cristo e a pessoa, cara a cara, de tu a tu e tudo deve ser orientado nesse sentido; a existência inevitável de um magnetismo de género ou a presença condicionante de alguma testemunha qualificada, por relação profissional, familiar ou conjugal, impossibilita-o. A reacção tem que ser pessoal, radical e autêntica. Não põe haver nada que impeça ou dificulte esta radicalidade, perplexidade e entusiasmo que causa na pessoa o CRER, de verdade e a sério, em que Cristo o ama. Como no Cursilho se descobre uma nova dimensão muito mais profunda que a fé normal, e não é a mesma quando a pessoa é observada por outra, que está atenta à sua reacção. Por esta razão os cursilhos não devem ser mistos (homens e mulheres juntos), assim como também não é de forma alguma conveniente que vão ao mesmo cursilho, juntos, pai e filho, mãe e filha ou dois irmãos ou irmãs, chefes e subordinados ou um casal. Se vão mulheres e homens, juntos, nenhum se porta como se portaria se fossem em separado. Cristo procura a pessoa, não o que a envolve”. (Mi Testamento Espiritual – Eduardo Bonnín Aguiló).

      A mesma orientação foi ratificada pelo Pe. Jordi Girau: “… como é bem sabidodesde sempre, no Cursilho, a franqueza e profundidade de comunicação que se dá entre cursilhistas do mesmo sexo favorece a eficácia, a intensidade e o fruto do cursilho.” (Proa, nº 1, Pág 6. Jan 2002. Secretariado Diocesano dos Cursilhos de Cristandade de Madrid.)

      O método do cursilho não é um caminho qualquer, mas que foi pensado, meditado, rezado e experimentado. O Cursilho tem que ser fiel ao método, aplicar os diferentes recursos do mesmo sabendo o seu porquê, para quê, e como. Tudo isto, que é tão simples e claro e que tem dado tão bons frutos em tantas pessoas, mudando para bem as suas vidas, fazendo-as mais cristãs e mais humanas, não se há-de tergiversar com o desejo de o actualizar ou pôr em dia, nem pela originalidade de acrescentar coisas desnecessárias, que não farão mais que complicar a santa simplicidade do pretendido, como disse e repetiu Eduardo Bonnín.

      A pretensão de aplicar o método do Cursilho, abreviando a sua duração, destinando-o só a determinadas idades e misturando homens e mulheres, será um “algo”, será algo muito bom, será o que for, mas nunca será um cursilho segundo o método dos Cursilhos de Cristandade.

      Como sempre, despedimo-nos pedindo a Nosso Senhor que nos mantenha unidos no seu amor e amizade.

       De Colores

      Juan Ruiz – Presidente OMCC 
 

          III. Um comentário do nosso Director Espiritual

      À medida que continuamos este estudo do carisma do Movimento dos Cursilhos, creio que é necessário ter em conta que o nosso empenho com:

    1. a integridade do método (“ortodoxia”);
    2. a autenticidade do nosso testemunho (“ortopraxis”) nas três fases,

    garante a autenticidade do  movimento.

      Intrínseca à autenticidade do Movimento dos Cursilhos é a introdução dos “três encontros” e a oferta dos meios para crescer progressivamente nestes encontros que são apresentados durante os três dias do Cursilho. Não só se apresentam os três encontros como também se vivem num clima de amizade. Juan Ruiz recordou-nos que o objectivo dos três dias do cursilho é que “todos os que vivam os três dias do cursilho possam ter um triplo encontro consigo próprios, com Cristo e com os nossos irmãos (ou irmãs)”.

      Apesar de o primeiro encontro consigo próprio ser o necessário ponto de partida, vai de mãos dadas com o segundo encontro, quer dizer, com Deus, em Jesus Cristo. Juan afirmou claramente (e correctamente), que “ninguém pode conhecer-se a si mesmo, a não ser que ele ou ela tenham um encontro com Deus”. Sem estes dois primeiros encontros, o terceiro encontro, com os outros, não seria autêntico. Juan advertiu, com efeito, que a novidade do método do Cursilho está em facilitar o encontro com o mais profundo e autêntico de si mesmo e depois encontrar-se com o Espírito de Deus.

      Ao reler a primeira encíclica do Papa João Paulo II, “Redemptor Hominis” surpreendeu-me notar a ressonância com a percepção do Cursilho sobre a importância dos “três encontros” (especialmente com os dois primeiros), Citando o Concílio Vaticano II (Gaudium et Spes, nº 22) afirma que “o mistério do homem só se esclarece no mistério do Verbo encarnado… Cristo o Senhor, o novo Adão… na mesma revelação do Pai e do seu amor, manifesta plenamente o homem ao próprio homem e descobre-lhe a sublimidade da sua vocação” (Redemptor Hominis, nº 8).

      O santo Padre continua: “O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível, a sua vida é destituída de sentido se não se lhe for revelado o amor, se não se encontra com o amor, se não o experimenta, se não o torna algo de si próprio, se não participa nele vivamente… por isso, Cristo Redentor… revela plenamente o homem ao próprio homem” (RH, nº 10). Vem-me à mente uma frase de Santa Teresa de Lisieux: “Dei-me conta de que a minha vocação é o Amor”.

      É Jesus quem nos revela o Pai amoroso, e é Jesus e o Espírito Santo que no-l’O revelam a nós próprios. “Ninguém conhece o Pai senão o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar (Mt 11, 27). “Quem me viu, viu o Pai” (Jo 14, 9). “Este é o Filho… representação exacta da substância do Pai” (Heb 1, 3). O Papa João Paulo II sublinhou que “Nesta Palavra definitivo da sua Revelação, Deus se deu a conhecer da forma mais completa; disse à humanidade Quem é (Redemptoris Missio, nº 5).

      Nos três dias do Cursilho, o encontro consigo próprio facilita o encontro com e em Cristo e a vida com e n’Ele. Os dois primeiros encontros implicam necessariamente o terceiro encontro, (o encontro) com os outros. O centro de atenção do último dia do Cursilho é facultar que nos apropriemos do que vivemos no Cursilho para a nossa vida quotidiana. Os Cursilhos, no seu conjunto, despertam-nos a nossa fome de amizade connosco próprios, com Deus e com os outros.

      No domingo anterior ao Pentecostes (que acabámos de celebrar) em 24 de Maio de 2009, o Papa Bento XVI divulgou a sua mensagem para o quadragésimo terceiro Dia Mundial das Comunicações Sociais. Gostaria de fazer longa citação.

      (Há) “um desejo fundamental nas pessoas para comunicarem e se relacionarem com os outros. Este desejo de comunicação e de amizade baseia-se na nossa própria natureza como seres humanos… deve considerar-se principalmente como um reflexo da nossa participação no amor de Deus, comunicativo e unificador, que deseja fazer de toda a humanidade uma só família”. (Podemos ver como nela se faz eco dos acontecimentos do Pentecostes) “… Quando nos sentimos atraídos para outras pessoas… estamos a responder ao chamamento de Deus, um chamamento que está impresso na nossa natureza como seres criados à imagem e semelhança de Deus, o Deus da comunhão e da comunicação…. Quando nos abrimos aos outros, estamos a satisfazer a nossa mais profunda necessidade de irmos sendo, cada vez de forma mais plena, humanos”.

      O Papa Bento XVI continua: “Nas nossa amizades, e através delas, crescemos e desenvolvemo-nos como seres humanos. Precisamente por isso, sempre se considerou a verdadeira amizade como uma das riquezas maiores que o ser humano pode possuir. Portanto há-de ter-se o cuidado de não banalizar o conceito e a experiência da amizade. Seria uma pena que o nosso desejo de estabelecer e desenvolver as amizades on-line fosse realizado à custa da nossa disponibilidade para a família, para os vizinhos e para aqueles que encontramos na realidade do dia a dia, no local de trabalho, na escola, nos tempos livres. De facto, quando o desejo de ligação virtual se torna obsessivo, a consequência é que a pessoa se isola, interrompendo a interacção social real. Isto acaba por perturbar também as formas de repouso, de silêncio e de reflexão necessárias para um são desenvolvimento humano”. Creio que os Cursilhos são mais necessários que nunca, como antídoto para a solidão das ciber-relações que não satisfazem a arraigada necessidade de auto revelação, numa amizade autêntica. Pelo contrário, ficamo-nos por uma caricatura da amizade. O Cursilho é uma intensa experiência de amizade, através dos três encontros.

      A essência da antropologia dos Cursilhos encontra-se nos Rolhos “Ideal” e “Graça Habitual” – o encontro entre o humano e o divino. Este “diálogo” é continuado ao longo dos três dias. Isto é evidenciado também na Redemptor Hominis (nº 10) pelo Papa João Paulo II: “O homem que quer compreender-se até ao fundo de si mesmo – não apenas segundo os critérios e medidas do próprio ser, imediatos, parciais, não raro superficiais e até mesmo só aparentes – deve, com a sua inquietude, incerteza e também fraqueza e pecaminidade, com a sua vida e com a sua morte, aproximar-se de Cristo. Deve «apropriar-se» e assimilar toda a realidade da Encarnação … para encontrar-se a si próprio… Na verdade aquele profundo maravilhar-se perante o valor e dignidade do homem chama-se Evangelho, isto é, a Boa Nova”.

      Tudo isto nos leva, de novo, ao terceiro encontro e à sua concretização no pós-cursilho. Juan Ruiz referiu que “o que o cursilho pretende é induzir à transformação social e humana dos que se encontram no “metro quadrado móvel” (meio ambiente) em que vivemos. A imagem que me vem à mente é a de uma bola de neve rolando encosta a baixo, ganhando impulso e massa. O movimento dos Cursilhos é “a bola de neve humana”. É elucidativo voltar à mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais. “Sabei assumir com entusiasmo o anúncio do Evangelho aos vossos contemporâneos! Conheceis os seus medos e as suas esperanças, os seus entusiasmos e as suas desilusões: o dom mais precioso que lhes podeis oferecer é partilhar com eles a «boa nova» de um Deus que Se fez homem, sofreu, morreu e ressuscitou para salvar a humanidade. Conheceis os seus medos e as suas esperanças, os seus entusiasmos e as suas desilusões: o dom mais precioso que lhes podeis oferecer é partilhar com eles a «boa nova» de um Deus que Se fez homem, sofreu, morreu e ressuscitou para salvar a humanidade”.

      No que respeita às fases ou “tempos” do Movimento dos Cursilhos, Juan salientou que qualquer das três é igualmente importante dentro do Movimento. O Pré-cursilho gera o Cursilho que gera o Pós-cursilho, que, por sua vez, gera o Pré-cursilho. Imagino-o desta forma:

      É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. 
 
 
 

        
 
 
 
 

     Notem as setas que indicam movimento. Somos o movimento dos Cursilhos, não o movimento “estacionário”. O movimento é outorga do poder de ser fermento no “metro quadrado móvel” de cada cursilhista. Se o “círculo” do Cursilho se torna “menos circular”, quer dizer, se um “tempo” se transforma em exagerada ou insuficiente relação com os outros, o movimento fica comprometido, se não completamente frustrado.

     Uma última observação…

     Se o Cursilho há-de ser afectivo, o testemunho dos líderes (nos três tempos) deve ser autêntico. Muito rapidamente nas semanas e meses após o meu cursilho em 1976, fiquei desiludido com os dirigentes do meu cursilho. Nunca mais vi mais de dois terços dos dirigentes do Cursilho que vivi, em Ultreias, Clausuras, ou qualquer outra reunião dos cursilhos. Além disso trabalhei muito perto do local de trabalho do rolhista que mais se destacou no meu Cursilho. Um mês depois do meu Cursilho, dirigi-me a ele, já que estava de piquete (de greve), fora da sua empresa, que estava em greve. Ofendeu-me e ameaçou-me com violência. Se não fossem os membros da minha reunião de grupo, teria largado os Cursilhos (considerando-os) como uma fraude.

     Repetindo o início destas reflexões, é apenas através dum compromisso sincero com a integridade do movimento e da autenticidade do nosso testemunho que se garantirá a autenticidade do Movimento.

     De Colores

     Pe. David Smith

     Director Espiritual – OMCC  
 

     Tradução: G Silva – MCC Santarém 


 

.  

 

 


www.cursilho-ni.org.br. Todos os direitos reservados. Web Design Stefano Figalo