ORGANISMO MUNDIAL DOS CURSILHOS DE CRISTANDADE

BOLETIM MENSAL – 01 SETEMBRO 2008

03 Setembro 2008

Queridos amigos
Que a paz e o amor de Nosso Senhor estejam sempre convosco!

I – Eventos e informação actual

Neste boletim de Setembro voltamos ao nosso formato de três partes.

Em Agosto, por causa das burocracias dos governos, tivemos um fracasso apostólico ao não conseguirmos obter os vistos necessários para que Juan Ruiz e o Pe. David Smith pudessem viajar até Cuba e pudessem participar no Cursilho de homens de 21 a 24 de Agosto e na Ultreia para promover os Cursilhos noutras dioceses de Cuba. No entanto, amigos de todas as partes do mundo responderam duma forma que só o amor e a amizade em Jesus Cristo pode motivar, unindo-se em solidariedade com os amigos de Cuba, através das orações e Eucaristia pelo êxito não só do Cursilho de Homens, mas também pelo de senhoras que se celebrou na semana anterior. Por conseguinte, graças a todas as orações de todos estes amigos, que nunca falham com o seu apoio e oração, estamos seguros de que a graça de Nosso Senhor se derramou, não apenas sobre os participantes nos dois Cursilhos, mas também sobre toda a Cuba, bem como de que os Cursilhos poderão chegar a todas as outras dioceses de Cuba e de que mais pessoas poderão dar-se conta do grande Amor e Amizade de Deus nosso Pai e de Jesus Cristo nosso amigo. E não nos damos por vencidos porque continuamos a procurar a forma de poder visitar os nossos amigos de Cuba.

Neste mesmo mês de Agosto, de 29 a 31, Juan Ruiz teve oportunidade de participar num Cursilho de Mentalidade na República da Guatemala. Na bonita localidade de Esquipulas e sob a bênção do Milagroso Cristo Negro de Esquipulas, a Graça do amor e da amizade de Deus em Jesus Cristo, derramou-se sobre todos os participantes que procediam da zona Nordeste da República da Guatemala. Contavam também com a presença do bom amigo Luís Montoya, presidente do Secretariado Nacional da Guatemala, e de sua simpática esposa, Clarita. Depois do Cursilho de Mentalidade em Esquipulas, Juan Ruiz viajou com os amigos que tinham vindo de Chiquimula para participar numa “ALEGRE” Ultreia na sua atractiva localidade, com a participação de mais de 400 amigos das redondezas e coordenada pelo amistoso e jovial Tito. Em Chiquimula pôde experimentar-se também, ao vivo e em directo, o testemunho duma comunidade que vive e convive o Amor e a Amizade de Deus em Jesus Cristo.

Como último ponto desta secção do boletim, informamos que estamos a anexar os documentos do Estatuto e das actas da Segunda Reunião do OMCC e da Comissão de Ideias Fundamentais, em Miami, em Julho pp. Pedimos que as partilhem com as vossas Escolas de Dirigentes e sejam partícipes na solução.

II – Estudo do Carisma: IV Parte

“…veio para o que era seu e os seus não o receberam” (Jo, 1, 11).

No boletim de Fevereiro dizia-se que um carisma é “um dom que Deus dá a quem quer, não para o próprio destinatário que o recebe, mas para que dele beneficie toda a comunidade e a Igreja”.

Desta definição deduzem-se quatro elementos essenciais e característicos, presentes em qualquer carisma:

1 – Um dom gratuito de Deus;

2 – Outorgado a uma ou várias pessoas

3 – Para benefício da comunidade da Igreja

4 – Reconhecido pela Hierarquia.

Estes quatro elementos, como em qualquer Movimento eclesial, estão concretizados no Movimento dos Cursilhos de Cristandade.

UM DOM GRATUITO DE DEUS.

O dom que o Espírito Santo infunde, como essência do Movimento dos Cursilhos de Cristandade, é a mensagem da Boa Nova do Amor de Deus a todas as pessoas. A mensagem de que “Deus é amor” (1 Jo, 4, 8 e 16).

Neste Amor de Deus a todas as pessoas se concretiza o conceito da essência e mentalidade do Movimento dos Cursilhos de Cristandade.

O Seu Amor a todas as pessoas é a Boa Nova, o Dom, com que o Senhor quis falar ao mundo, a partir da Ilha de Maiorca, no início dos anos 40 do século XX.

No entanto, este dom não foi “novidade” no Carisma dos Cursilhos.

O Amor de Deus é eterno. Está sempre presente:

- Está na criação da luz, do céu, da terra e dos planetas, do sol e das estrelas, dos animais, da mulher e o do homem (Gn 1, 3-31).

- Está na Arca o no Arco-íris (Gn 7, 1 e 9-13)

- Está na montanha da Terra de Moriá (Gn, 22, 2)

- Está nas águas do Mar Vermelho (Ex 14, 22)

- Está no Monte Sinai (Ex 20)

- Está na Terra Prometida (Dt 34, 1-4)

O Amor de Deus, no entanto, não esteve nesse mundo. Os homens e as mulheres desses mal contados quatro mil anos antes de Cristo, viviam escravos de “outros” valores. Mas tanto amou Deus o mundo, que se fez carne “carne” para testemunhar o Seu Amor.

Para nos dizer que NOS AMA.

E o Amor do Pai continua a mostrar-se em cada instante:

- Está em Nazaré (Lc 1, 30-31)

- Está em Bel+em (Lc 2, 6-7)

- Está nos leprosos (Mc 1, 39-41)

- Está no centurião ((Mt 8, 5-9)

- Está na hemorraísa (Lc 8, 43-48)

- Está nos simples (Mt 11, 25)

- Está na viúva pobre ((Mc 12, 42,44)

- Está no grão de mostarda (Mt 13, 31-35)

Está no publicano ((Lc 18, 10)

Está na Páscoa e na Ressurreição.

A Encarnação de Jesus Cristo converte-se no acontecimento central de toda a história. A pesar disso, durante estes vinte séculos que se seguiram à vinda do Filho, os homens e mulheres continuaram afastados do “calor” do Amor do Pai. Continuaram a pôr o centro do seu objectivo nas coisas da terra, buscando a sua felicidade apenas nesses “outros” valores que não saciam.

O Carisma dos Cursilhos não é “novidade”. Quando o Espírito infunde o carisma dos Cursilhos, infunde a verdade de sempre. A inspiração do Espírito consistiu em redescobrir a visão do AMOR de Deus por todos os homens e mulheres para limpar a “cera” que as vicissitudes dos tempos tinham colocado nos olhos das pessoas.

Após a guerra civil de Espanha (1936-1939), a situação que imperava em Espanha nos anos 40 do século XX, é evocada e descrita como uma época de silêncio total e de medo sufocante.

A actividade da Igreja em Espanha, nessa década, centra-se na pastoral paroquial, consistindo na administração dos sacramentos, na catequese e na pregação. Proferiam-se grandes discursos, até eloquentes e pomposos.

Mas a tónica, sem esquecer a obrigação que todo o cristão tem de amar a Deus para salvar a sua alma, incidia mais sobre o inferno que sobre o céu. A exaltação de fundo incidia em evitar o pecado para que a alma não se queimasse no fogo do inferno. Citavam-se exemplos de pessoas que tinham ficado estropiadas, desfiguradas, pelo castigo da justiça de Deus, perante os pecados cometidos.

O exemplo mais ilustrativo era a figura do filho pródigo. Um rapaz jovem que se vê afundado na lama dos porcos pelos prazeres desfrutados. A imagem que ilustrava o texto era a do rapaz humilhado que, de joelhos diante do seu pai, pede perdão.

A mensagem que se transmitia era apresentada tingida de cores “tristes”, enquanto o amor aparecia duma forma fugaz e um tanto insossa. Não destacava o enfoque “chave” da parábola: o Amor do Pai misericordioso. O Amor do Pai misericordioso que esperou dias e anos para abraçar e beijar o seu filho pródigo. No Carisma dos Cursilhos, em contrapartida, dá-se luz e força essencial ao ponto chave da “cena”. Destaca-se como o Pai Misericordioso abraça e beija o filho que volta.

Dói ver o filho miserável e esfomeado, roto e cheio de chagas, sim. Mas é mais importante o Amor. È mais importante a alegria do Pai.

Tanto sobressai esse Amor, tão essencial é esse Amor que na contemplação do momento do encontro, tudo são braços e mãos que se misturam acariciando-se entre sorrisos e alegria.

O Amor abre-se assim à ternura da aceitação incondicional da maneira de ser de cada um.

É o Amor que manifesta a bondade de Deus, o Seu Amor aos homens, apenas pela sua misericórdia (Tito, 3, 4-5).

O Carisma dos Cursilhos, redescobrindo a Boa Nova do Amor de Deus às pessoas, a partir da simplicidade do Fundamental Cristão, promove uma tentativa de restauração religiosa.

O Carisma dos Cursilhos nasce “a partir de baixo”, respondendo a iniciativas que vêm “de cima”.

O Amor de Cristo iça-se como a única força capaz de transformar o mundo.

O Carisma do Cursilhos é sentir a experiência íntima de que “Deus me ama”.

O Carisma dos Cursilhos é ter a inquietude apostólica, como baptizados, de comunicar a grande novidade do Amor de Deus à maior parte das pessoas dos meus ambientes, com preferência pelos afastados, para que todos sintam que são amados por Deus.

O Carisma dos Cursilhos é viver “De Colores”, dando testemunho no metro quadrado móvel que nos rodeia, através do melhor meio, que é a amizade…

Este é o Dom de Deus que deu origem ao Movimento dos Cursilhos de Cristandade.

Como sempre, despedimo-nos pedindo a Nosso Senhor que nos mantenha unidos no Seu amor e amizade.

De Colores!

Juan Ruiz – Presidente OMCC

 

III – Uma nota do nosso Director Espiritual

“Quão longe como está o céu da terra, assim os meus caminhos de vós, e os meus planos dos vossos planos (Is 55, 9).

Como podemos percorrer esta distância? Como podemos chegar a conhecer este Deus que parece ser tão inacessível? O próprio Deus percorreu a distância na pessoa de Jesus Cristo, o qual, ao revelar a Sua identidade como Filho Amado de Deus que é Amor, nos deu acesso ao Deus “inacessível”. Jesus ensinou que “Como o Pai me ama a Mim assim Eu vos amo avós” (Jo 15, 9). Isto não é apenas uma exortação ou simplesmente um “oxalá”.

São Tomás de Aquino, seguindo o pensamento de Aristóteles disse: ”Aguere sequitur esse”. A tradução significa que “a acção segue o ser” ou “a acção procede do ser”. Outra forma de dizer isto, é: “quem és vem antes do que fazes. O Catecismo (§ 236) adverte que “a pessoa revela-se no que faz, e, quanto mais conhecemos uma pessoa tanto melhor compreendemos o seu agir” (NT: tradução da Gráfica de Coimbra)

“Deus é Amor. E quem permanece no Amor permanece em Deus e Deus nele” (1 Jo 4, 16). De acordo com o princípio anterior, aquilo que procede de Deus têm que ser manifestações de amor.

Então, “como o Pai me ama a mim…” não é apenas meramente uma exortação a viver uma vida moral ou a manter “piedosos anseios”, mas é, pelo contrário, um convite a participar (através da Graça) no puro ser de Deus que é Amor.

Os Actos dos Apóstolos (17, 28) anunciam que é Deus “em quem vivemos, nos movemos e existimos”. Então, nós “vivemos, movemo-nos e existimos” no Amor.

“A acção procede do nosso ser”… “Nestes, os últimos tempos, Deus falou-nos através do Seu Filho, imagem perfeita do seu ser” (Heb 1, 3). Temos o nosso ser (pela Graça) através de Deus, de quem o seu ser está representado exactamente por Jesus Cristo. Chegamos ao nosso ser mais verdadeiro ao ir crescendo em amorosa amizade com Jesus.

Como chegamos a conhecer o nosso ser mais verdadeiro?

Ao chegar a conhecer Jesus.

A segunda leitura do 22º Domingo do Tempo Comum pode ajudar-nos com esta passagem: “Transformai-vos, renovai o vosso interior para poderdes descobrir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe é agradável, o que é perfeito (Rm 12, 2).

Esta “renovação interior” é, com efeito, uma “mudança de visão”. Vemos o que sempre vimos, mas com olhos novos, os olhos de Cristo. Em Jesus, os caminhos de Deus já não estão “tão altos como os céus”, mas ao nosso alcance – Deus, que é Amor, alcançou-nos a nós. O Cursilho dá-nos os meios para crescer em amor, em amizade connosco próprios, com Deus e com os outros e, no Amor, ver tudo novo, cheio de possibilidades que nos levam mais profundamente a uma união em cada um dos Três Encontros”.

Santa Teresa de Lisieux dizia: “Que eu chegue a ver que a minha vocação é o Amor”. É um amor que nos ajuda a “viver, a mover-nos e a existir” no Amor. Toda a história tem um sentido novo no Amor de Jesus encarnado.

A acção, no Amor, procede do Ser, que é Amor. Apenas com esta “visão de fé” do Amor, ficamos capacitados para viver “De Colores”.

 

De Colores

Pe. David Smith – Director Espiritual – OMCC

 

Tradução: G Silva – MCC Santarém


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